Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 21 de outubro de 2012

EMAILS


por frater Mario Sales e Soror I, ambos rosacruzes




From: sóror@xxxxx.com
To: mariosergio47@hotmail.com
Subject: teia de indra - desejo participar
Date: Fri, 19 Oct 2012 23:56:59

Estimado frater Mario Sergio

Saudações Rosacruzes

Digno Frater, gosto de ler seu blog, mas confesso que não gosto de vê-lo falando publicamente da AMORC em suas dificuldades operacionais, (não acho legal falar mal das pessoas que se ama para não reforçar seus defeitos e nem expo-los) pois para mim é como voce diz: pensamento, palavra e ação pois nós também somos a AMORC. Somos uma pedrinha tal qual aquela colocada na cerimônia da pirâmide (não recordo agora o novo nome).Assim gostaria de poder participar do grupo.

Com sinceros votos de paz profunda

Soror I.P.T.

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Sóror, boa tarde. Gostaria de ouvir mais sobre a posição da sóror. Ao que a sóror se refere quando cita que me vê "falando publicamente da AMORC em suas dificuldades operacionais?" O que a sóror chama de "dificuldades operacionais"? A sóror diz que "não acha legal falar mal de pessoas que se ama". A que "pessoas" a Sóror se refere?. Se fosse possível a sóror gentilmente estender e dar contornos mais nítidos e específicos, citando se possível o texto aonde a sóror julgou ter-me visto "falando publicamente" da AMORC, de alguma forma que lhe pareceu inadequada, por favor, queira me dizer aonde e quando foi. No meu entender sóror, nós, a sóror e eu, não somos também a AMORC, nós somos a própria AMORC, e por isso precisamos zelar pela manutenção de sua qualidade e buscar sua evolução, aperfeiçoando-a na forma e no conteúdo, da mesma forma que Spencer Lewis fez lá em 1917. Se ele não tivesse transformado textos antigos e maneiras antigas de divulgar a tradição, nem a sóror , nem eu teríamos tido a graça e o privilégio de ter acesso a este magnífico conhecimento. Por isso, e pelo enorme carinho que tenho por nossa Ordem, gostaria de saber aonde de alguma forma, deixei transparecer que alguma palavra, algum texto meu, no blog, foi entendido como "falar mal". Só cuidamos daqueles que amamos. É por amor que pergunto a minha esposa se tomou seus remédios de pressão todos os dias, é por amor aos meus pacientes que cobro deles com ênfase que tomem suas medicações regularmente e demonstro minha insatisfação quando percebo que não tem dado importância ao seu tratamento. Tenho colegas que pouco se importam com pacientes que não seguem suas orientações. "O Problema é deles" dizem nos corredores. Não acredito. Quem ama, sóror, cuida. Tudo que quero em minha vida é demonstrar amor as coisas que me são caras. Minha espécie biológica, minha família, e a Rosacruz. Qualquer outra interpretação além dessa está equivocada. E preciso saber o que deu a entender tamanho equívoco. Aguardo sua manifestação ansiosamente e desde já agradeço.

PP

M

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Olá mario

o texto foi " Sim,sou rosacruz, mas não praticante"

"...Por tudo isso, e pelo privilégio de ter conhecido rosacruzes tão apaixonados e muito mais capazes do que eu, como Diva Ogeda e Reginaldo Leite, ou mesmo a minha iniciadora, hoje aos 80 anos, Abadia Caparelli, uma sóror provavelmente anônima para muitos, como outras tantas, mas respeitada até por Maria Moura, é que me entristece tanto ver, entre meus frateres e sorores, a perplexidade diante de exposições as mais banais, como se estivessem tendo contato com estas noções rosacrucianas fundamentais pela primeira vez, (que é não uma impressão mas realmente o que ocorre), noções e conceitos que já deveriam estar cansados de estudar." (lembrei-me do frater Adilson (dizendo)"- 'Se voce ja é borboleta seja tolerante com as lagartas'. - cada um em seu nível".)

(Depois em outro trecho, vc diz)

"Parte do meu trabalho pela minha Ordem é dar palestras que acabam em debates e conversas muito mais enriquecedoras que as palestras em si. E qual não é a minha estranheza em ver perguntas ou colocações que contrastam com a idéia rosacruz de mundo. Como modelo, apenas para retirar o caráter abstrato deste raciocínio, vejamos a questão da morte e do morrer."
"As monografias recebidas precisam ser lidas, e quanto a isto, temos tido, como Organização, não como Instituição, uma atitude tolerante em demasia.
Provavelmente, ao deixar as pessoas sem nenhum tipo de cobrança quanto ao desempenho de seus estudos, sem nenhuma contrapartida ao recebimento dessas monografias, como um teste de verificação de conhecimento que travasse o envio de monografias até que fosse enviado, ou a necessidade de trabalhos que demonstrassem a proficiência nos assuntos discutidos naquela monografia ou naquele grau como condição para ascender a graus mais altos, estamos cultivando uma legião de "rosacruzes não praticantes", frateres como um que testemunhei ao abrir um pacote de monografias dizer, com ar irônico:"-Deixa eu ver em que grau estou agora."
É preocupante. Mudar este modus operandi implica em reformular todo o nosso departamento de instrução. Já li textos de irmãos que defendem a tese de que a Ordem não é um curso por correspondência. Já tarda uma intervenção e uma mudança operacional no nosso modelo educacional."


(E ainda no ensaio:) "JORNAIS DE DOMINGO, POPPER, MATÉRIA ESCURA E A BUSCA DO INVISÍVEL""...Trata-se de uma discussão que tive, no ambiente interno da Rosacruz, com um físico, membro da nossa Ordem, que vive em minha região. Ele é respeitado entre nós como representante do meio científico ortodoxo e como dentro da Rosacruz temos por tradição amor ao conhecimento e à atividade científica, todos o tratamos com a maior deferência. Alguns anos atrás eu o procurei, levado pela mão de outro frater, Waldemiro Guzzi, e combinamos de trocar emails sobre a minha obsessão dos últimos anos: a possibilidade de visualização da Aura Humana por pessoas não videntes, tal como se consegue ver o interior do u falava com um físico, mas não com qualquer físico, um físico rosacruz, de quem esperava pelo menos algum tipo de simpatia com a minha curiosidade. 
Qual não foi minha surpresa quando, ao longo de 6 ou 7 emails ele defendesse veementemente de que nada podia ser feito quanto a esse aspecto, já que a emanação da aura dizia respeito apenas ao campo psíquico e não ao físico e assim não se podia pensar em desenvolver qualquer tecnologia para auxiliar neste particular, ou por outra, não se podia usar algo visível para visualizar o invisível. O que me surpreendeu foi encontrar este tipo de timidez investigativa em um cientista que também é rosacruz, e que por isso eu achei "que era um cientista rosacruz". Não era. Não há necessariamente relação entre uma coisa e outra, descobri.
Ser um rosacruz, ser um cientista e ser ousado em suas pesquisas não são coisas necessariamente relacionadas. Quando vejo astrofísicos procurando o invisível, mesmo que seja um invisível perceptível pelos seus efeitos gravitacionais, morro de inveja das pessoas que tem acesso a estes recursos. E fico triste que em minha Ordem, no passado reduto de mentes pensantes, atualmente, mesmo mentes de irmãos ligados a ciência, estejam tão burocráticas e pouco ousadas. É pena. Popper estava certo. O que não pode ser questionado, é dogma. Para mim, ser rosacruz não é crer em dogmas, é avançar com coragem, ousadia, e procurar outras possibilidades de estabelecer pontes entre o pensamento ortodoxo e o místico, usando o visível para buscar o invisível. Para mim é a única alternativa de devolver a AMORC a glória da qual ela já desfrutou e interferir na sociedade como é tradição dos rosacruzes, através do conhecimento. M"

Mario, fiz alguns recortes. Quero aproveitar a oportunidade e manifestar minha opinião; não o fiz no blog para não polemizar. Para mim o que precisamos no momento é de espiritualidade, consciência, bondade, fraternidade e amor, e não mais conhecimento científico. Que sentido tem o homem buscar o invisível a partir do visível se ele não consegue minimizar tantas dores humanas e obter paz? É somente sua onipotência e desejo de ser (tal qual o próprio) Criador, ou seja, novamente querer usurpar o poder de Deus. Como estudantes da AMORC aprendemos que o visível provém do invisível, e que devemos ser práticos na criação de um mundo melhor. (Esta é a) UTOPIA RC. Para que então saber alcançar o invisível se o objetivo de tal empreendimento não é claro? Foi assim com (a) bomba atômica, a tragédia que causou e ainda a ameaça que paira sobre nós com esse poder em mãos não evoluídas. Para mim a Ordem esta na vanguarda quando propõe e reafirma a todo o momento a necessidade humana de evoluir como ser divino que é e não cientista sem consciência. Assim devemos sim criar a partir do invisível o mundo visível que sonhamos.
Tem um texto legal sobre isso no blog do GM francês Serge "Tousaind" sobre profecias.

com sinceros votos de paz profunda

Soror I

PS- Concordo com você em relação a eficiência do atual modelo pedagógico. Para nós da medicina, que somos acostumados a estudar, não é difícil, mas para outras pessoas pode ser. Daí porque achei legal a criação do espaço. (teiadeindra.blogspot.com)


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Sóror I

Agradeço sua resposta

Muitas idéias me atravessam a cabeça e com certeza suas colocações merecem uma abordagem mais longa e cuidadosa. Hoje, infelizmente, estou impossibilitado de trabalhar o tema como gostaria. Domingo, com calma, com certeza voltarei a estes emails.
Mas só para começar a conversa gostaria de abordar alguns trechos de seu esclarecedor email.
1. "...Por tudo isso, e pelo privilégio de ter conhecido rosacruzes tão apaixonados e muito mais capazes do que eu, como Diva Ogeda e Reginaldo Leite, ou mesmo a minha iniciadora, hoje aos 80 anos, Abadia Caparelli, uma sóror provavelmente anônima para muitos, como outras tantas, mas respeitada até por Maria Moura, é que me entristece tanto ver, entre meus frateres e sorores, a perplexidade diante de exposições as mais banais, como se estivessem tendo contato com estas noções rosacrucianas fundamentais pela primeira vez, (que é não uma impressão mas realmente o que ocorre), noções e conceitos que já deveriam estar cansados de estudar.(lembrei-me do frater Adilson (dizendo)"- Se voce ja é borboleta seja tolerante com as lagartas". - cada um em seu nível.)"
Ao ler a citação do Fr. Adilson, que a sóror colocou ao pé do trecho selecionado, entendi a crítica da sóror. A seu ver, no meu texto, eu estava de alguma forma sendo impaciente e excessivamente crítico com a pouca cultura de alguns frateres ou sorores. Graças a Deus, tudo não passa , como eu pensei, apenas de um equívoco de interpretação.
No meu texto eu não julgava a capacidade cultural de nenhum de meus frateres, porque não tenho competência para isso nem sou tão arrogante a ponto de achar que posso fazê-lo, graças ao bom Deus. Sei das minhas próprias limitações. Se outros a tem, isto é entre eles e o Todo Poderoso, e minha função nesta vida é servir, e se alguma vez eu detectasse dificuldades intelectuais em algum frater ou soror, a minha única e possível atitude seria auxiliar este frater ou esta soror, jamais julgá-lo, muito menos menosprezá-lo. E parafraseando a frase do Fr. Adilson, nem me suponho borboleta, nem suponho ninguém lagarta.
Pra mim, todos estamos em um casulo, em permanente transformação. As aparências enganam muito e é preciso estar atento tanto aos murmúrios dos loucos como aos discursos dos doutos, pois " Deus não faz distinção de pessoas" como está dito em Atos dos Apóstolos, como eu poderia fazê-lo?
Não, não era isso que eu dizia naquele trecho. Naquela parte, eu me referia a um fenômeno que talvez a sóror conheça. O conhecimento rosacruz, a sóror sabe, é vasto. Organizado, porém imenso. Muitas informações sobre habilidades mentais e místicas são fornecidas didaticamente aos nossos irmãos. E o que testemunhamos? Um falso profeta qualquer, e eu pensava em Ron Hubbard, fundador da Cientologia, escreve um texto recheado de meias verdades neurolinguísticas e auto condicionamento, em moldes pavlovianos, funda uma igreja, e cria uma legião de seguidores de olhos estatelados,fixos, com falas radicais. Um desses veio ao nosso capítulo aqui em Suzano. E eu vi, sóror, os membros de nossa Ordem, que são depositários de um conhecimento milenar, inestimável, com seus olhos fixos neste homem, hipnotizados por um discurso que a qualquer pessoa de bom senso pareceria um simples crise de hipomania, mas para eles , ditos estudantes rosacruzes, pareceu que estavam diante de uma revelação, de uma epifania.
Aquilo me preocupou muito, sóror.
Se meus irmãos de Ordem não têm a serenidade suficiente para distinguir um discurso banal e superficial de um conhecimento profundo e milenar como o que eles receberam na Ordem, se ainda se fascinam com as luzes da ribalta de outros shows que não o nosso, ainda estão, eu diria, perigosamente inseguros da sua filiação.
É disso que eu falava. Nada a ver com a capacidade intelectual de A ou de B. Isto não tem a menor importância nem era o meu tema. Eu discutia a Maturidade Psicológica dos frateres, a sua falta de sagacidade ao julgar atraente um discurso de auto ajuda de segunda categoria. E a sóror sabe que independente do grau de intelectualidade ou dos muitos títulos que possa ter ou não ter da vida acadêmica, sua maturidade psicológica será ditada por outros fatores que estão fora da Universidade, dentro de seus corações e mentes, mas longe de seus cérebros.
Era disso que eu falava. Era a isso que eu me referia.
2. Quanto ao trecho:
"Parte do meu trabalho pela minha Ordem é dar palestras que acabam em debates e conversas muito mais enriquecedoras que as palestras em si.
E qual não é a minha estranheza em ver perguntas ou colocações que contrastam com a idéia rosacruz de mundo. Como modelo, apenas para retirar o caráter abstrato deste raciocínio, vejamos a questão da morte e do morrer."
está fora de contexto e é importante ver a continuação, que é a seguinte:
"A Rosacruz é o que são os rosacruzes.
E é consenso entre a maioria de nós, que a vida é eterna, que somos seres espirituais, emanados de Deus, portanto feitos da sua própria natureza divina e portanto, eternos; que nossa experiência na carne é temporária, que nossos corpos sofrerão uma decomposição natural com o tempo, e que ao terminar o tempo deste corpo, fluiremos para outra experiência em outro corpo, em outra identidade aparente. Mesmo assim, vejo tristeza nas funções fúnebres rosacrucianas, que deveriam ser a comemoração pela Grande Iniciação. É como se fossemos católicos enterrando seus mortos, chorando por aqueles que realmente acreditam que morreram, mesmo que nesta religião a mais impressionante mensagem de seu fundador, o Cristo, Jesus, tenha sido a da ressurreição e da Vida Eterna. Rosacruzes não são seu corpo, sabem disso. Mesmo assim não se desfazem dele sem apego. Vejo nos rostos de meus irmãos o mesmo materialismo e a mesma subserviência a valores não iniciáticos que em pessoas que não são iniciadas. Mesmo considerando que uma iniciação é apenas isto, o início de uma caminhada, e que existe necessidade de tempo para que a mente e suas convicções sejam transformadas, é estranho ver entre rosacruzes um comportamento tão pouco místico. "
Era este paradoxo, entre o que uma pessoa diz ser (mística rosacruz) e seu comportamento diante da mais alta iniciação (a morte física) que eu constatei ao conversar com vários frateres e sorores e ao acompanhar enterros de sorores e frateres com os quais convivi. Diva costumava dizer que "misticismo era pra tomar na veia". E eu concordo com ela. Nós, rosacruzes, deveríamos ser, pelo menos, mais rosacruzes do que aqueles que não são. E mesmo assim, vejo mais serenidade diante da morte e do morrer entre os zen budistas do que entre nós, seres espirituais em uma experiência material, segundo Teilhard de Chardin.
Eu tenho mais coisas a conversar com a sóror e este papo está tão bom que poderia se a sóror autorizar, virar uma publicação do blog, para as pessoas que talvez tenham tido a mesma impressão equivocada do meu texto, claro que por minha culpa de ter sido pouco claro, tenham a oportunidade de ver a mesma questão por outro ângulo, coisa que só foi possível graças a sua oportuna intervenção.
Depois então continuamos.

Obrigado pela conversa, até aqui.

PP

M

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Oi mario

Fiquei feliz com seu email, pois também concordo com você com relação a essas ditas práticas "psíquicas" atuais tipo coach , PNL, e outras. Preocupo-me da mesma forma que você, pois para mim as pessoas iludem-se com o canto das sereias. Como você mesmo coloca o exercício do rosacrucianismo não é fácil. o olhar para si mesmo, refletir e realizar as mudanças internas necessárias é (muito) difícil, (é) melhor para muitos ficar na ilusão. Sabe, fiquei me perguntando se você não estava tão indignado que ao expressar-se não deixou claro o referencial, tal qual eu senti ao ler seu artigo. Apenas não me manifestei e me prometi que teria uma oportunidade de colocar para você.
Sabe Mario, fico observando algumas atitudes dos estudantes, alguns comportamentos que realmente não condizem com comportamento RC. Fico então me perguntando se temos o direito de interferir, ou seja, realizar alguma ação mais direta para buscar esse desenvolvimento, tipo como nas empresas, um programa de desenvolvimento comportamental; aí penso na missão da ordem e entendo que é um processo, que a alma tal como a rosa vai abrir-se no seu tempo e hora certa para expressar sua beleza (para) aqueles que são sensíveis para admirá-la pois as monografias, os rituais , os encontros, erins, etc, são o material necessário para esse desabrochar. Porém acredito que podemos colaborar, com foco na organização e valorização, pelos frateres e sorores, dos nossos ensinamentos, algo do tipo criar algum mecanismo que faça as pessoas lerem (mais) as monografias e por (seus ensinamentos) em prática. Observo também que a literatura rosacruz é muito pouco lida e temos livros atualizados que falam de ciência e misticismo, (bem) como as grandes vias do amor e outros. Gosto da metodologia dos reflexões rosacruzes, de repente você que é também filósofo pode fazer alguma coisa questionando e propiciando interação.
Também queria colocar como sugestão que nesse espaço criado voce ficasse de moderador não desse acesso ao texto antes de passar por seu crivo mesmos aos nossos frateres e sorores artesãos .

Muita paz e luz

soror I

PS: ah mário, queria colocar mais uma coisa: quando você fala da insegurança deles quanto a afiliação concordo com você, mas sem duvida eles estão (como) seres humanos um pouquinho melhores só por terem (tido) a oportunidade de ter acesso ao conhecimento rosacruz; o que se faz necessário é a consciência e a fidelidade . Como "fenômenos", não são lineares. Acho que esse episódio foi muito bom, pois poderemos assim conversarmos sobre inquietações as quais no fundo são traduzidas por um grande amor a ordem e desejo de vê-la pura e forte.

Até domingo


Não gosto de aparecer, se puder não citar meu nome, melhor, porém, se for importante, fique a vontade.

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Sóror I

Continuando nossa conversa, gostaria de comentar outro trecho do seu interessante email. O sublinhado é meu.
" Mario fiz alguns recortes. Quero aproveitar a oportunidade e manifestar minha opinião. (1)Não o fiz no blog para não polemizar. (2)Para mim o que precisamos no momento e de espiritualidade, consciência, bondade, fraternidade e amor e não mais conhecimento cientifico. Que sentido tem o homem buscar o invisível a partir do visível se ele não consegue minimizar tantas dores humanas e obter paz? É somente (por) sua onipotência e desejo de ser (o próprio) Criador, ou seja, novamente querendo usurpar o poder de Deus. (3)Como estudantes da AMORC aprendemos que o visível provém do invisível e que devemos ser práticos na criação de um mundo melhor. (Esta é a) UTOPIA RC. (4)Para que então saber alcançar o invisível se o objetivo de tal empreendimento não é claro? Foi assim com (a) bomba atômica, a tragédia que causou e (que) ainda é (uma) ameaça que paira sobre nós com esse poder em mãos não evoluídas. Para mim a Ordem está na vanguarda (5)quando propõe e reafirma a todo o momento a necessidade humana de evoluir como ser divino que é, e não (como um) cientista sem consciência. Assim, devemos sim criar a partir do invisível o mundo visível que sonhamos."

Bom, comecemos pela primeira parte sublinhada:
(1)"Não o fiz no blog para não polemizar".
Não sei bem porque, aliás sei sim, as pessoas em geral, senso comum, supõem que polêmica implica conflito ou briga. Na verdade, uma boa polêmica sempre esteve na raiz do crescimento científico e filosófico. Nenhum intelectual supõe que seja senhor da verdade mas defenderá seus pontos de vistas, com os recursos da lógica e da retórica de modo apaixonado, pelo simples prazer de debater. Embora a palavra, polêmica, derive do grego "polemikê", "a arte da guerra", em tempos civilizados, polemizar não é sinônimo de guerrear, mas de discutir idéias, o que sempre refresca os ares do pensamento.
E qualquer bom debatedor jamais terá medo de uma boa polêmica, pois se vencer o debate, provará seu ponto de vista, e se for derrotado, sairá do debate mais sábio.
Por isso, sóror, pelo menos comigo, polemize sempre, sem medo.


2."Para mim o que precisamos no momento e de espiritualidade, consciência, bondade, fraternidade e amor e não mais conhecimento cientifico".


Não só no momento, sempre precisaremos destas coisas. Mas jamais, em minha opinião, poderemos prescindir de conhecimento, até para conseguir maior espiritualidade, principalmente o conhecimento científico. Talvez a sóror não conheça a afirmação de Pasteur, o médico francês, na qual afirma que "conhecimento de menos afasta de Deus e conhecimento de mais, aproxima de Deus". Eu endosso este pensamento. Por ser médico e por ser místico.


3. "Como estudantes da AMORC aprendemos que o visível provém do invisível e que devemos ser práticos na criação de um mundo melhor."


Neste trecho confesso, fiquei um pouco confuso. A sóror afirma que o visível provém do invisível. Sim, concordo. Esta frase inclusive, não é da AMORC, mas do Buda, Sidarta Gautama. Depois a sóror continua seu pensamento dizendo que, por causa disso, "devemos ser práticos na criação de um mundo melhor."

Ora, a prática, a atividade prática, implica uma intervenção material no mundo. Nada tem a ver com o invisível, mas com o visível.
Se a sóror se refere a passagem da idéia (invisível) à ação (visível) no processo de transformação do mundo a nossa volta, chamado real, concordamos em gênero, número e grau.
Mas então, porque ao ler este trecho, ainda fiquei com a sensação de que a sóror tentava com esta afirmação fazer uma crítica desta mesma intervenção que a ciência faz, todos os dias, na vida da sociedade? Isso não me ficou claro. Talvez, por um solipsismo, a sóror tenha ocultado o que revela no próximo trecho que destaquei, que o importante é uma intervenção ética e que vise a melhoria da qualidade da existência das pessoas e não uma simples intervenção, como defendem alguns, e não todos os membros, da comunidade científica. Porque, é bom lembrar, se toda generalização é perigosamente enganosa, ela o será principalmente em relação a comunidade científica internacional, que é a mais heterogênea possível, do ponto de vista humano e de crenças. A única coisa igual em qualquer cientista, de qualquer parte do mundo é a curiosidade, o hábito de tomar notas e voracidade de devorar textos e textos. O resto é um verdadeiro caos caleidoscópico.


4."Para que então saber alcançar o invisível se o objetivo de tal empreendimento não é claro?"


Pelo visto, era isto mesmo que eu havia pensado. A sóror usa a palavra "objetivo" em lugar de "intenção ética". Segundo a opinião da sóror, com a qual eu concordo, deveria haver um norte ético para as pesquisas científicas, algo que garantisse que todos os esforços do pensamento científico humano fossem destinados a realizações benéficas à sociedade. Por exemplo, proibir a utilização bélica de quaisquer descobertas. Digo "proibir a utilização" e não " a pesquisa", porque o malefício de um conhecimento não é o conhecimento em si, mas a maneira como é empregado. Veja, ao proibir a ciência, proibimos a pesquisa, mas se proibimos o uso inadequado do conhecimento, determinamos que a energia elétrica será usada apenas para iluminar as casas e permitir a leitura de livros a noite, e não para eletrocutar pessoas ou matar jovens com quadros psiquiátricos como aconteceu com um brasileiro na Austrália, recentemente.

Não é a prática científica que vai contra a espiritualidade. Buscar o conhecimento é divino, como rezar. Um homem ou uma mulher mais culta é melhor como ser humano e como membro da raça humana. Quem compreende não precisa mais "tolerar", porque entende as razões daquele ou daquilo que compreendeu.
A ciência é do bem. O cientista ou o militar que usa a ciência para o mal, não.


5. "Para mim a Ordem está na vanguarda quando propõe e reafirma a todo o momento a necessidade humana de evoluir como ser divino que é, e não (como um) cientista sem consciência."


Sim, é verdade. A proposta rosacruz de por a ciência a serviço de Deus, já colocada no livro de Francis Bacon "A Nova Atlântida", é realmente avançadíssima.

Só que como ensina o Martinismo, este é um mundo dual. Fora da Rosacruz, veja bem, fora da Ordem, não há porque a ciência ter qualquer compromisso com o serviço à sociedade no intuito da melhoria da vida dos seres humanos.
Agora, dentro da Ordem, a noção de Ciência, palavra que quer dizer Conhecimento, baseado em princípios de verificabilidade, experimentação, um conhecimento fundamentado, que inspira confiança por ser baseado em dados experimentais, e sempre a serviço do Altíssimo, é a essência do pensamento rosacruciano.
Quando a sóror usa a palavra "cientista", confesso que senti como um termo desabonador, como se ser científico em seus procedimentos fosse uma coisa que falasse contra o indivíduo. Com isso eu não posso concordar. Tenho, como a sóror deve ter, como membra da classe médica, o mais alto respeito e a maior admiração pelos cientistas, membros e não membros de nossa Ordem, que nos legaram um mundo menos preconceituoso e ignorante, onde as pessoas graças a uma simples vacina conseguem viver mais e melhor e no qual, pelo menos no lado de cá do planeta, tem acesso a maior higiene e dignidade dia a dia.
Quando escrevi "Jornais de Domingo, Matéria escura, Popper,etc" o que me causou estranheza foi o fato de minha polêmica ter-se dado dentro, repito, dentro do ambiente da Ordem, com um cientista, ou pelo menos professor de física, que é rosacruz. Isso foi estranho, ver em um místico a mesma falta de ousadia de alguns cientistas burocráticos não rosacruzes.
Bom é isso. Vou colocar nossas conversas no blog. Tomarei cuidado para não expô-la como sugeriu. E agradeço, como carioca que sou, pela agradável oportunidade de conversar, fraternalmente.

Paz Profunda.

PS: Lendo seu último email, que chegou depois de eu ter elaborado esta resposta, não pude deixar de notar este trecho:

"Sabe Mario fico observando algumas atitudes dos estudantes alguns comportamentos que realmente não condizem com comportamento RC. 
Fico então me perguntando se temos o direito de interferir, ou seja, realizar alguma ação mais direta para buscar esse desenvolvimento, tipo como nas empresas, um programa de desenvolvimento comportamental; aí penso na missão da ordem e entendo que é um processo, que a alma tal como a rosa vai abrir-se no seu tempo e hora certa para expressar sua beleza (para) aqueles que são sensíveis para admirá-la pois as monografias, os rituais , os encontros, erins, etc, são o material necessário para esse desabrochar.

Sóror

Quanto a este aspecto, é certo que o processo é individual, e é certo também que, da mesma forma que quem ama, intervém, quem ama mais ainda procura às vezes, não intervir e acredita que cada um, ao seu tempo, encontrará sua própria evolução. Mas mesmo assim é possível intervir sem intervir, através do texto, como este que produzimos com nossa deliciosa polêmica.
Porque o texto tem qualquer coisa de sagrado, seja ele sagrado ou não. Só vai ao texto quem foi iniciado no amor aos livros e às idéias e isso, como a sóror sabe, já é um divisor de águas importante. Quando alguém recorre a um texto, já demonstra que é diferenciado. E nossa intervenção, portanto, é possível, sem qualquer tipo de interferência, porque o texto está lá, e a pessoa o lerá se puder e quiser, quando e onde quiser. A iniciativa é dela.
Nosso papel é deixar as marcas, as bóias de navegação. Quem quiser navegar, que navegue, com seu próprio barco, na mesma água que eu e a sóror já passamos. É assim que nós, enquanto corpos, nos fazemos eternos: pelas letras de nossos textos.

Paz profunda.