Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A IMPORTANCIA VITAL DA ORAÇÃO

Por Mario Sales, FRC,SI,MM







Philipe De Lyon, biografia, SCA

Em 8 de março de 2011, publiquei o primeiro de três ensaios, que sem dúvida foi o mais polemico texto do blog, pela fúria que desencadeou entre alguns leitores que fizeram comentários ácidos, agressivos mesmo, testemunhando de modo indiscutível que a vida esotérica e as concepções de mundo ligadas a esta prática, podem, como qualquer outra prática humana, fugir ao bom senso e transformar-se em uma crença de perfil em tudo e por tudo religioso, dogmático, sem possibilidade de receber os ventos refrescantes da análise intelectual. Dogmas, portanto.
Fascinado como estou, no momento, pela personalidade de Philipe de Lyon, grande místico francês, (vejam bem, místico, não esoterista), mestre espiritual, no entanto, de esoteristas famosos como Gerard Encausse (Papus), Lalande, (Marc Haven), e Paul Sédir, os quais, por sua vez dedicaram sua vida ao legado de Saint-Yves D´Alveidre e de Alphonse Louis Constant (Eliphas Levy), este sim, esoterista e ocultista de primeira hora.
A afirmação, no trecho em epígrafe, de que todos os citados abandonaram suas buscas esotéricas diante da magnificência e força espiritual testemunhadas na convivência com Mestre Philipe foi uma novidade para mim e um dado a mais de reforço de meu ponto de vista expresso naqueles ensaios de cinco anos atrás.
Ao que tudo indica, o esoterismo com seus encantamentos e fórmulas, com seus complexos rituais e símbolos, mas parece um jogo infantil diante da força da oração e da nítida conexão que este homem, Philipe, demonstrava em seu dia a dia.
Todos os esoteristas e ocultistas, e mesmo Cabalistas Práticos, buscam desenvolver com seus estudos capacidades, dons e habilidades que foram dadas a este homem, parte por sua evolução e merecimento espiritual, parte por sua percepção da força da oração como verdadeira e única técnica teúrgica realmente importante.



Aqui, sábios e pessoas simples se igualam, já que a todos é dado passar por constrangimentos e dificuldades, de acordo com seu carma, e em meio a esta natural angustia, ocorre de recorrerem por meio da oração, à intervenção divina.
Usando de um exemplo jocoso, o ateísmo só dura até que o avião começa a cair, e um íntimo senso de relacionamento com algum tipo de inteligência dentro de nós mesmos nos induz, espontaneamente, a orar para que esta entidade modifique nosso aparente destino ou nos dê a necessária serenidade para atravessá-lo.
A oração nos fortalece e sustenta aonde todas as outras práticas falharam.
É uma técnica simples e direta, sem intermediários, sem necessidade de templos, ou de montagens teatrais exuberantes.
Para quem ora, a Terra inteira é nosso templo, já que estamos, enquanto neste planeta, no berço de nossa espécie. E esta presença, esta Shekinah,  à qual dirigimos nosso pleito, seja ele ou ela quem for, desde que façamos nossa prece com sinceridade, imediatamente nos responde, na forma de uma solução que muitos dizem ter “caído do céu”, ou na mudança do nosso estado de ânimo, de inseguro para confiante, de temeroso para destemido, auxiliando-nos, física e psicologicamente, a superar nossos impasses.
Uma peça está em andamento e somos os atores, mas eventualmente, nossa memória pode falhar.
Para isso, existe um recurso na boca do palco, aonde um leal colaborador acompanha nossa fala em um texto escrito e nos recorda o que for que esqueçamos, de forma a superarmos nossa temporária dismnésia.
Esta talvez seja a imagem mais fiel ao papel da oração em nossas existências, um fornecimento imediato, desde que solicitado, de dados que facilitem nosso desempenho em nosso palco, em nossa performance.
Não trabalhamos sós, nunca estamos sós, mas fazemos parte de um conjunto que harmoniosamente interage conosco e com o qual devemos manter um vínculo permanente, mesmo que sejam vínculos invisíveis ou inaudíveis.
Como demonstra o ar que respiramos e que nos garante a vida neste mundo, entretanto, o que é invisível e inaudível, nem por isso é inexistente.
Que a força invisível e íntima da oração nos sustente diante dos desafios da existência, como o ar que respiramos neste mesmo instante, de forma inconsciente e mecânica.
Assim Seja.