Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quarta-feira, 6 de julho de 2016

NIETZSCHE E LURIA

Por Mario Sales, FRC, SI, MM







Malkuth não é o esgoto da criação.
E Kether não deve ser nosso foco nem nosso único destino sonhado e desejado.
Pés no chão, sem sapatos ou meias, precisamos sentir a terra em nossa pele, recuperar nossa ligação com a Terra, nossos vínculos.
Os esoteristas se dividem em dois grupos: os que afastam as colunas uma da outra, e os que as aproximam, de forma que o gradiente se intensifique e a centelha resultante do encontro dos contrários gere o terceiro ponto.
Quanto mais longe Jaquim de Boaz, menos chance do Adão Kadmon ou do mestre surgir, entre colunas.
Esoterismos por demais metafísicos são inúteis e apenas mais uma forma de fuga do Mundo da Vida, aonde precisamos estar mergulhados; aonde estamos, queiramos ou não, mergulhados de corpo inteiro.
Nossos templos, enquanto místicos que somos, não podem ser muralhas que nos ocultem da vida real.
Não podem ser cavernas aonde prisioneiros de nossas limitações, vivamos de descrever a passagem de sombras a nossa frente, sem perceber que as cores e a vida verdadeira está fora da rocha, às nossas costas, longe de nossos olhos enfraquecidos pela prolongada escuridão.
Malkuth, portanto, não pode ser desprezada nem demonizada, como o local de punição ou de exílio de outro local melhor. Parafraseando o poeta, “o melhor lugar do mundo é aqui e agora”, e se a tradição tem alguma utilidade, é nos lembrar desta obviedade em todas as linhas e entrelinhas de seus textos.
Maya (ou Malkuth) é uma ilusão absolutamente fundamental, no seu mister de nos proporcionar um campo de experimentação indispensável aos exercícios que nos garantem a evolução de nossa qualidade e refinamento espiritual.
Não importa se Maya é real ou ilusória: importa que sirva ao seu propósito. Que seja útil. E isto ela é.
Malkuth é onde vivemos, amamos e aprendemos o despego e o serviço altruístico.
Malkuth, portanto, é nosso templo de estudo e adoração.
Malkuth é sagrada.
É nela que se manifesta a Shekinah.
Reverenciemos o Mundo da Vida e não amaldiçoemos a Terra em nome do Céu, como lembrava Nietzsche.
Isso além de incorreto, é profundamente injusto e demonstração de profunda ignorância espiritual.