Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 24 de junho de 2017

FIGURA DIVINA, UM SIMBOLO ALQUIMICO: IX° PARTE

por Mario Sales



4° SUBSÍMBOLO

O PULMÃO DIREITO

ESQUEMA XVI




No símbolo mostrado no ESQUEMA XVI temos círculos dentro de círculos formando quatro (sempre quatro) planos.
Vamos retificá-los, para tornar mais fácil a compreensão.


ESQUEMA XVII




Na primeira camada, mais profunda, temos o Sol, Luz Menor, símbolo da Luz Maior. É dele, segundo o simbolista, que tudo se irradia na criação, Centrum que é da criação material. É a minha compreensão a esta altura deste trabalho que se existe um ponto na Natureza que pode simbolizar e encarnar o coração de toda a Criação, este será o Sol físico, produtor de luz e calor.
Na segunda camada mais externa temos a palavra HYLE, matéria prima universal indeterminada aristotélica, já discutida, entremeada pelos símbolos dos signos, respectivamente, Câncer, Balança, Gêmeos e Capricórnio, o que em princípio não parece seguir qualquer critério de reunir, por exemplo, em uma camada, apenas de signos do ar, ou da água, etc.
Aliás, neste “pulmão” direito, a ênfase será na relação entre as influências astrais e a criação material, de forma que ele, simbolista, salpica símbolos de signos astrológicos por todas as camadas.
Destaque que na edição Renes, existe uma mancha circular em cima da letra E, de HYLE, que eu supus fosse uma marca de lápis no meu exemplar até que percebi que faz parte da impressão.

ESQUEMA XVIII


Na terceira camada a expressão sêmen, do latim semente, se repete adjetivada pelos quatro reinos discriminados pelo alquimista, quais sejam o mineral, o vegetal, o animal, e o celestial. Talvez por que a criação tenha em si, em estado potencial, para usar uma categoria aristotélica mais uma vez, todas estas sementes, que se desenvolverão para dar origem as diversas manifestações naturais. E ao que parece, pelo protocolo de interpretação por proximidade, o Alquimista vê relação entre as influências astrais e a manifestação destas potencialidades. As quatro (sempre quatro) espécies de sementes estão entremeadas pelos símbolos dos signos de Leão, Escorpião, Touro e Aquário. Repito que não identifico um critério na posição dos signos, mas se alguém que me lê perceber algum fundamento para esta disposição específica, por favor me comunique.
A quarta e última camada da retificação pode parecer estranha mas ficou desta forma para que houvesse sincronização entre os signos astrológicos e os textos das diversas camadas, principalmente a segunda aonde está a palavra HYLE. Não havia outra opção senão desorganizar uma camada para organizar a outra.
Optei por manter HYLE legível e desorganizei o verbete bíblico, tornando o esquema mais fácil de entender.
Na última camada, portanto, mais externa, encontramos o trecho do Gênesis, capítulo 1, versículos 1 e 2. Os versículos estão entremeados com os signos de Peixes, Virgem, Sagitário e Áries. Dispostas abaixo de cada sub trecho dos versículos bíblicos, encontramos as palavras Natura, Elemento, Quinta Essência e Prima Matéria, partes visíveis e invisíveis importantes da Criação na visão do Alquimista.
Comparando dois símbolos em Inglês, percebe-se que tanto no “pulmão” direito como no esquerdo, existem círculos concêntricos com um Sol no centro. Em uma das figuras, o Sol é o mesmo, mas na outra, o desenhista, considerando o preceito de mundos diferentes, espiritual e material, e partindo do pressuposto de que o espiritual é bom e o material é ruim, fizeram que o Sol do pulmão direito, teoricamente do lado espiritual, pelos escritos laterais, fosse sorridente, enquanto o do lado esquerdo, em princípio do lado material, fosse sério, quase triste.

ESQUEMA XIX


Ou seja, quem conta um conto, aumenta um ponto. E quem copia as vezes modifica o copiado.
Este é o inventário do “pulmão” direito. Em seguida, estudaremos o quinto sub-símbolo, também uma estrela de Salomão, embora mais simples, que fica no meio do “tórax” do Grande símbolo e que entendo como seu “coração”.