Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 19 de fevereiro de 2017

REENCARNAÇÕES


por Mario Sales




“...é verdade, essa sensação que eu tenho até hoje, é uma intimidade desde a primeira vez que eu entrei em um templo rosacruz, parece que eu sempre vivi isso (sic)...”

Essa é a fala de Edison, durante o encontro semanal da Confraria In Vino Veritas, no diálogo sobre a natureza das sensações que indicam, ora familiaridade, ora estranheza, ora completo desconhecimento, sobre determinado ambiente, pessoa, evento histórico, sem que aparentemente exista qualquer registro de termos estado em contato com aquele fenômeno ou situação antes.
Existem conhecimentos em nós que são como lembranças, que dormem em nosso subconsciente e que com dificuldade e recursos de discurso muitos, por não acharem possível o fenômeno reencarnacionista, tentam explicar como impressões de leituras passadas ou informações colhidas em momentos da infância e que supomos pertencer a outra existencia.
Só que a familiaridade é um argumento muito forte.
Isso que Edison lembra na sua participação, de sentir-se confortável e íntimo de um local independente de alguma palavra ter sido dita.



Rosacruzes tem esta sensação de pertencimento a Ordem antes de afiliar-se, às vezes. São tendências pessoais difusas e indefinidas que, ao se depararem com o interior do templo, com o cheiro do incenso, com os princípios expostos nas monografias, imediatamente tomam uma ordem intimamente conhecida.
Como é possível intimidade sem tempo? Como é possível reconhecer aquilo que nunca vimos?
Como demonstrar, por último, aos céticos algo que só podemos provar a nós mesmos com sensações intensas e indubitáveis?
Por enquanto permanecerá como um mistério para muitos e uma certeza para alguns de que a vida é perene e que no dizer de Saint Martin, não existem dois tipos de Vida mas apenas uma, esta que pulsa, como um coração, manifestando-se e recolhendo-se de tempos em tempos, de acordo com o ritmo do universo.
A Mônada, como Frater Leibniz dizia, entretanto, persevera, para além das pulsações da vida material.
E em sua perseverança, arrasta consigo memórias e experiências que, paradoxalmente, nem conseguimos recordar plenamente e muito menos podemos esquecer.