Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sexta-feira, 5 de maio de 2017

FIGURA DIVINA, UM SÍMBOLO ALQUÍMICO. IIa PARTE


por Mario Sales




O símbolo que tentaremos interpretar pode ser encontrado no livro “Símbolos Rosacruzes do século XVI e XVII” pág. 44. Usaremos como apoio o mesmo símbolo em alemão e inglês, disponíveis na Internet.
Primeiro, vamos lembrar de que o contexto deste símbolo é a Alquimia e seus conceitos.
Segundo, devemos ter em mente que para interpretações desta magnitude, é mais adequado aplicarmos o protocolo de duas fases: a primeira, a fase do Inventário, aonde levantamos e identificamos as diversas imagens e textos da composição; e numa segunda fase, a fase da Interpretação, aonde tentamos dar um sentido ao conjunto de dados amealhados pelo inventário.
Lembremos também que nestes exercícios de interpretação não montamos uma narrativa linear, mas sim a narrativa possível a partir da combinação de vários conceitos colocados lado a lado, só que como um mosaico, com poucos pontos de encadeamento. Trata-se de um belíssimo símbolo com um sem número de possibilidades interpretativas. Recomendamos fortemente que se tenha o livro citado e que se acompanhe a descrição com a imagem aberta.


A primeira coisa a destacar é a sua forma que obedece como a maioria dos símbolos desta época, uma disposição de características humanoides, com uma cabeça, um pescoço, ou zona de transição, um tórax com um núcleo cardíaco, e um abdômen a completar o torso. A “cabeça” receberá a função de morada divina, o lugar mais alto do corpo, a "boca" representará a área de manifestação da vontade pela palavra, pela ordem do FAÇA-SE, do FIAT, enquanto o “pescoço” fará o papel de transição entre mundo espiritual e material; e uma vez no mundo material, haverá o território mais elevado, do ar e do sangue, e um mais baixo, dos intestinos e excrementos, enfim, a matéria mais grosseira. Finalmente a sustentação, pernas e pés do símbolo.

ESQUEMA 3

                 
                           


Para evitar o equívoco, no entanto, e garantir que a mensagem fosse passada de modo o mais fiel possível a intenção de quem elaborou, ele é guarnecido, à direita e à esquerda, acima e abaixo e mesmo entre as figuras centrais, com textos explicativos que esclarecem e oferecem novos significados e em si fazem parte do símbolo no seu conjunto.
A importância destes textos é que eles são uma das chaves que abrem as sucessivas portas do significado oculto deste magnífico símbolo.


(CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA)