Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sexta-feira, 12 de maio de 2017

FIGURA DIVINA, UM SÍMBOLO ALQUIMICO. IIIa PARTE



Senão vejamos:

ESQUEMA 4





Dividindo o símbolo em três partes, a parte do alto tem como destaque uma imagem central, composta de um círculo dourado em cima de uma estrela de seis pontas.
O círculo e a estrela estão circundados pelo mesmo tipo de franja amarela, mais espessa que as que se seguirão abaixo, o que parece ter a intenção de estabelecer um vínculo entre estes dois trechos iniciais mais forte do que com os outros segmentos.
Como disse, o símbolo inteiro, lembra a forma de um corpo humano, sendo a "cabeça" este círculo ao alto, e a estrela de seis pontas a "boca" que cria (vejam que em volta da estrela lê-se FIAT).
O círculo, como comentei antes, representará principalmente o conceito de eterno, já que não tem início nem fim.
Os textos do símbolo que estão ao lado desse círculo devem também ser lidos da maneira correta para serem compreendidos.
encontramos o seguinte esquema:


ESQUEMA 5



O autor do esquema teve o cuidado de marcar com setas os trechos das frases que se interligam e que os simbolistas daquela época não tiveram o cuidado de dispor de modo mais racional sobre o desenho. São 22 textos, entre eles doze frases. Vamos nos ater a parte que estamos estudando.


ESQUEMA 6
  



Primeiro: o texto está em Latim e Alemão. Na publicação da AMORC encontramos a maior parte em português.
Segundo: no esquema acima a primeira frase é:

FIGURA DIVINA THEOSOP.                  CABALIST. NEC NON MAGICA PHILOSOPH.                             & CHIMICA

O artifício de escrever uma parte da palavra e interrompê-la com um ponto, o que não chega a ser nem mesmo uma abreviatura, mas uma simples interrupção, uma espécie de codificação infantil e primária, é uma técnica comum em textos esotéricos da época, hoje preservado apenas e principalmente pelos maçons.
Duas palavras chamam atenção no símbolo onde aparecem assim:



Vejam: há uma letra parecida com um f em ambas as palavras (theo[f]oph, philo[f]oph), mas por sua posição identificamos como S, em um modo de grafia comum em língua alemã. Entendemos então a palavra seguinte como CABALIST, e não CABALIFT, como possa parecer.
O trecho está em Latim e assim vamos traduzi-lo:
FORMA DIVINA, TEOSÓFICA, CABALISTICA, NÃO APENAS MÁGICA, FILOSOFICA E QUIMICA
Esse é o título do trabalho, que antecipa que neste símbolo serão reunidos todos os aspectos da Criação como manifestação de Deus, sua relação com o Divino, e o papel e natureza do ser humano neste drama. Chamo atenção aqui para apalavra CABALISTICA, a qual, considerando estarmos dentro do universo simbólico alquímico referir-se-á, necessariamente, não a Cabala Judaica, mas a Cabala Cristã, de Pico de la Mirandola, alter ego da Alquimia.
Ainda existem outras linhas escritas.
A segunda diz: “O sol eterno em sua natureza e poder divinos”, logo abaixo do título principal e ladeando o topo do círculo amarelo, cor do Sol, cor do ouro, identificando o círculo em questão com Deus Todo Poderoso, “O sol eterno”, Aquele que está no alto, no topo de tudo, que é circular e por isso eterno, sem princípio nem fim.
A próxima frase, também em latim, pode se traduzir:
“Deus trino foi do centro ao centro”, perto do maior diâmetro do Círculo superior, cabeça de todo o símbolo, como a atestar que Deus, a Trindade, está em toda parte, onipresente.
E logo abaixo temos a frase: “Entende de acordo com a filosofia Celeste e não (a) Terrestre”, o que orienta nossa interpretação no sentido de evitar as armadilhas do intelectualismo e manter a mente focada no significado espiritual desse símbolo.

Vamos analisar trecho a trecho.


(CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA)