Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

COMO COMPATIBILIZAR SISTEMA E ORDEM COM A MAIS COMPLETA LIBERDADE NA MAIS PERFEITA TOLERÂNCIA , 2

por Mario Sales FRC.:,S.:I.:,M.:M.:



“Para que este grupo diferenciado de servidores se mantenha atento à disciplina da instituição a que servem desinteressadamente, necessitam, no mínimo, de carinho e atenção, de se sentirem parte de um projeto, valorizados pelo seu serviço desinteressado.Em uma palavra: simpatia.
Não se dirige uma empresa com simpatia; mas, para liderar dentro de uma empresa ou de uma ordem esotérica é preciso carisma, capacidade de envolver seus empregados ou seguidores com uma personalidade magnética, que valorize aqueles que estão ao seu redor, e faça, de maneira sincera, com que se sintam satisfeitos em fazer o que fazem. E teoricamente, ninguém está mais preparado para fazer isto do que um rosacruz.
Servir desinteressadamente já é uma recompensa em si para aqueles que servem com dedicação a uma instituição na qual crêem, mas não é de bom tom se esquecer de valorizar estes dedicados servidores vez por outra.É isto que os alimenta. Este é o seu salário, seu pagamento.”


In “Como compatibilizar sistema e ordem com a mais completa liberdade na mais perfeita tolerância”, 1.




A AMORC está em franca reestruturação administrativa.
Seu interesse é o de qualquer grande organização: otimizar custos e protocolar condutas e práticas de gerenciamento, bem como estabelecer uma paridade com os padrões internacionais da Rosacruz.
Somos, nós da língua portuguesa, ao que me parece, a maior comunidade mundial da AMORC.
Uma reformulação desta grandeza terá efeitos em toda a instituição.
E isto melhorará nosso desempenho? Nossos frateres e sorores se tornarão mais satisfeitos com sua afiliação?
Ordens esotéricas como a nossa ainda possuem algum apelo à maioria das pessoas de nossa época?
Sim, e não, ao mesmo tempo.
Sempre existirão pessoas interessadas na visão mística, em se juntarem a algum grupo tradicional para estudarem as tradições esotéricas, e isto pelas mais variadas razões.
Poucos provavelmente procurarão a afiliação por motivos sólidos, perenes.
Que eu saiba de 1000 pessoas que chegam aos portais da Ordem, 1 apenas chega ao grau de Artesão, acima do 9º grau de templo.
Daqueles que chegam a este grau, ainda existem alguns poucos que abandonam a Ordem por motivos pessoais.
Aonde este frater ou esta soror falhou na sua integração ao espírito da Egrégora? Que tipo de amálgama psicológico lhe faltou para que sua vida e a vida da AMORC se tornassem apenas uma vida?
Não tenho dúvidas que foi o contato humano.
Embora eu diga isso, é importante lembrar que o jeito como o trabalho na AMORC foi construído não pressupunha, necessariamente, o contato físico. Nossa estrutura didática, já de quase um século, caracterizava-se e caracteriza-se pelo estudo por correspondência.
Todo o trabalho rosacruz na AMORC foi planejado para se tornar um estudo no lar, na privacidade de nossas casas, no silêncio de nossos santuários particulares.
Quis a vontade natural de compartilhar da natureza humana que construíssemos corpos afiliados em diversas cidades do mundo, em vários países, para que pudéssemos confraternizar com mentes afins com as nossas. E então surgiram os problemas naturais do relacionamento.
Seres humanos são, por características próprias da espécie, difíceis de conquistar e instáveis emocionalmente. mesmo assim, os rosacruzes de todo o mundo conseguiram construir uma forte egrégora.
Os freqüentadores de lojas, capítulos e pronaoi da AMORC são pessoas comuns, dos mais diversos níveis sócio-econômicos e culturais, unidos apenas pelo ideal de Convivência Fraterna e Busca do Conhecimento.
E esta sede de conhecimento do rosacruz é insaciável. Sua sede de sabedoria é infinita. Na sua maioria, os rosacruzes elegem as suas Grandes Lojas de cada Jurisdição como focos alimentadores deste material fundamental a vida rosacruciana, que são o estudo e a informação, e em função disso, esperam, como em qualquer curso por correspondência, ter com quem se corresponder.
Desta maneira é importante que nenhum estudante rosacruz fique ou precise ficar sem uma resposta para uma questão qualquer que levante, por carta ou por email, mais do que uma semana. Isto enfraqueceria pouco a pouco a sua afiliação. Esta é uma grave falha para quem sabe da importância do membro de sanctum.
Toda vez que eu tenho uma dúvida, como estudante, gostaria de ter aonde buscar respostas, e se possível, orientação personalizada. Lembro-me que Frater Lewis também pensava assim e nas monografias que estudei ele freqüentemente usava a expressão: “Gostaria que enquanto lê esta monografia, você estudante se sentisse como se estivesse aqui em San Jose, na Califórnia, conversando pessoalmente comigo”.
Ele sabia da importância do toque pessoal para cativar seus estudantes, para criar um vínculo afetivo com aqueles que faziam parte do que ele chamava a família rosacruz.
Será possível em nossa época de velocidade e ânsia por resultados imediatistas, conseguir criar um vínculo semelhante?
Gostaria de expressar a minha opinião, como Artesão da AMORC, preocupado com sua expansão e consolidação institucional: é bom que seja.
Ou seja, em minha humilde opinião, se é que alguém possa se interessar, o que conseguirá aumentar a fidelização de nossos novos neófitos e reduzir esta relação de 1000/1 em relação a permanência na Ordem é o vínculo que possamos como administradores desta organização estabelecer com nossos estudantes. Todos aqueles que se tornam rosacruzes buscam alguma coisa de mais profundo em suas vidas.
E este algo mais profundo chama-se em Antropologia e Psicologia, Pertencimento. Tal expressão pode ser traduzida pela sensação de fazer parte de um grupo ou de um nicho definido na sociedade aonde se possa expressar em conjunto sentimentos semelhantes acerca de valores éticos, espirituais e intelectuais.
Todos queremos ter ou conseguir a sensação de Pertencimento, mas tal coisa não se consegue, se constrói.
Depende de esforço pessoal e de reforço positivo para que nossa determinação, quando não for muito sólida, tenha tempo de se estruturar.
Pode-se dizer que o esforço educacional da Ordem necessita atentar para a fortificação da sensação de pertencimento.
E como pode-se fazer tal coisa: como em qualquer curso por correspondência, correspondendo-se com quem busca se corresponder.
Corresponder é dividir respostas, etimologicamente, é dialogar. Eu mel lembro que a Grande Loja jamais permitiu que uma carta enviada, uma opinião expressada por algum de seus estudantes ficasse sem resposta. Naquela época, o interesse era educacional, mas sem saber, construía-se uma estrutura sólida de vinculação com o membro que o fidelizava à Instituição. Lembro-me do orgulho e encantamento com que os frateres me contavam ainda no Rio de Janeiro sobre as respostas que haviam recebido da Grande Loja sobre questões que haviam levantado acerca desta do daquela monografia, deste ou daquele ritual, desta ou daquela prática mística.
A minha impressão é que, pelo aumento gigantesco do volume de comunicação através da facilitação do acesso de meios eletrônicos, esta conversação que seguia um ritmo razoável acelerou e hoje, os emails, os livros e textos que chegam às mãos de todas as grandes lojas tornaram-se quase improcessáveis, tamanha a quantidade e o número reduzido de oficiais envolvidos na sua avaliação.
Isto no entanto, não justifica que, este procedimento de resposta, de reforço positivo ao senso de Pertencimento, possa de alguma forma ser menosprezado.
Precisamos urgentemente fazer com que o mais simples de nossos membros, daqui até Moçambique, possa sentir-se membro da AMORC através de respostas personalizadas às suas formulações, às suas dúvidas.
Mais do que a propaganda institucional, mais do que correspondências padronizadas e iguais, este contato com o membro através da discussão interessada de suas idéias garantiria sua fidelidade a Ordem e com certeza o aumento do número de membros da Organização em todo o Mundo.
Uma vez que , como já vimos, seria impossível que o grande Mestre e dois ou três oficiais de sua confiança realizassem este gigantesco trabalho, minha sugestão é a criação de um conselho virtual escolhido pelo Grande Mestre, em contato on line permanente entre si e com a Grande Loja, que, na tranqüilidade de seu lar pudesse fazer este trabalho precioso de dar atenção a cada membro que procura, através de carta ou email o aconselhamento da Grande Loja.
Vejo a preocupação em estabelecer uma administração racional, com protocolos comuns a todos, de forma organizacional moderna e eficiente.
Administrar uma ordem esotérica, no entanto, não é uma atividade racional, mas também racional.
Essencialmente, administrar uma Ordem Esotérica é uma combinação, como na Medicina, de Ciência e Arte.
Como em um jardim, que precisa de um trabalho tanto de Ciência no Geral quanto de Arte, no particular.
Não se tem um belo jardim sem se cultivar cada uma das rosas deste jardim com amor e cuidado. O conjunto harmonioso resulta apenas da combinação da formosura de cada rosa em particular, sendo cada uma tão importante quanto a outra e, embora heterogêneas, na sua heterogeneidade mostram a maravilha da complexidade da criação.
Portanto o Jardim da Rosacruz precisa ser cultivado rosa a rosa, individualmente, e como ele é imenso, muitos jardineiros devem ser convocados para este trabalho, entre os melhores jardineiros de nosso plantel.
Se apenas dois ou três jardineiros estiverem responsáveis por tamanha obra, o resultado será um trabalho desigual, cheio de lacunas, com áreas bem preservadas e outras abandonadas.
Os Membros deste Conselho de Nobres Jardineiros não serão necessariamente bons administradores.
Deverão ser Mestres sim, mas no conhecimento esotérico, cuja reputação seja confirmada por uma reputação mística ilibada.
Todas as áreas da Ordem possuem pessoas assim. Devemos convocá-las a servir.
Se não estou enganado, os nossos dignos dirigentes serão surpreendidos pela maneira entusiasmada como tal solicitação será recebida.
Com poucas rosas para cada um, todos poderão fazer um trabalho mais bem acabado. E o Jardim dos Rosacruzes voltará a florir, belo e pujante.
Esta é a Intuição que me vem a mente. Espero que encontre eco entre aqueles que tomam as decisões.