Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 12 de abril de 2014

PRECISAMOS DE CONCEITOS MAIS ADEQUADOS A UM MISTICISMO E UM ESOTERISMO CONTEMPORÂNEOS

por Mario Sales, FRC,SI,CRC






Ia PARTE: PERSPECTIVAS EQUIVOCADAS DA VIDA NO DISCURSO ESOTÉRICO RELIGIOSO

Alguns conceitos com os quais sou obrigado a conviver devido às tradições esotéricas a que pertenço, me causam um profundo incômodo filosófico e existencial.
"Queda"; mundo "superior" e "inferior"; "exílio"; a noção de que a "vida verdadeira" está fora desta dimensão; o Mito como Fato;o que vem do Alto é sempre bom; a vida na carne é uma punição por algum erro cometido em um passado remoto, o chamado "pecado original"; de que estar no corpo é sempre ruim para um iniciado; que a morte é uma libertação e a vida uma prisão; que o corpo físico é e sempre será inferior em qualidade e importância ao corpo glorioso.
E por aí vai.
São idéias que partem geralmente de um mesmo princípio: estar aqui, vivos, é um transtorno, do qual a Morte virá nos libertar. Trata-se obviamente, do discurso de alguém que não conhece a felicidade de viver.
Mais: trata-se uma visão tão mórbida da existência que mereceria (mais que uma análise místico esotérica), um olhar psiquiátrico.
Eu chamo isto de Transtorno Traumático Bíblico.
Se quisermos falar de perdão (e já que há perdão houve, previamente, um erro a ser perdoado, e claro, antes disto, a constatação deste erro por um julgamento), conversemos com cristãos.
Se quisermos saber de medo e culpa, conversemos com judeus.
E toda a nossa cultura ocidental foi profundamente influenciada pelo arcabouço simbólico judaico cristão o qual, segundo Moisés, baseava-se na figura de um Deus terrível, belicoso, severo, que primeiro, estranhamente, não reconhecia todas as suas criaturas (filisteus, babilônios, persas, egípcios) como filhos, mas apenas os judeus; um Deus que torcia para que eles ganhassem  batalhas e matassem seus inimigos; depois, em outro momento, este mesmo Deus bíblico se transforma em um Deus de bondade, de perdão, mas não Onipotente, incapaz que foi de salvar seu próprio filho, chacinado pela ignorância dos espíritos perversos com os quais todo iniciado é obrigado a conviver.
Moisés, pai da religião judaica, é , antes de qualquer coisa, um príncipe Egípcio, educado nas escolas de mistério das pirâmides.
O Judaísmo e o próprio Cabala, tem uma dívida cultural com a Shekinah, a presença divina, que Moisés aprendeu a respeitar dentro da nobreza egípcia.
Moisés teve de lidar com um povo bárbaro e violento e , como sempre comento, tão bárbaro que era preciso colocar no decálogo que era vontade de Deus que a partir daquele momento ficava proibido cobiçar a mulher do próximo.
Se Moisés dissesse isto seria apedrejado. Foi necessário que Deus o dissesse.
E aí começam os problemas. Moisés precisa traduzir o que aprendera nas Pirâmides para uma linguagem que fosse palatável para este povo bárbaro do deserto, para o qual, como lembra Rubens Alves, o paraíso só poderia ser um Jardim com árvores frutíferas.
E então surgem Adão, Eva, a serpente, o fruto da Árvore do Bem e do Mal (que nunca foi dito que era uma maçã), a chamada expulsão, guiada pela espada flamejante do Anjo Querubin Guardião.
O homem, envergonhado, sai de um local aonde estava paralisado, sem progredir, onde tudo era provido por uma divindade todo poderosa, e passa finalmente a um mundo em que seu esforço e trabalho passam a ter alguma importância. Só que esta não é a ótica do evento e embora aquele paraíso apático fosse na verdade um inferno, sem progresso, sem desafios, sem sexualidade, sem prazer, já que não tinha dor, sem vida enfim, foi declarado no Mito um lugar bom e superior a este nosso mundo, chamado mundo inferior, mas aonde a vida é pulsante e o sangue, quente, corre em nossas veias.
O viver normal e comum, como nós sabemos e fazemos, desde esta época, passou a ser considerado algo inferior e ruim.
Nada de bom podia sair desta nefasta concepção.
Começava aqui a maior conspiração contra a felicidade já delineada por uma pessoa ou grupo de pessoas.
E é aí que está a questão: estes modelos (dor, sofrimento, angústia, culpa, medo), passam a reger a prática da espiritualidade no Ocidente, a qual, além de vaidosa de si mesma (leia-se em Sedir, à frente), é depressiva e deprimente, fazendo tudo que pode com seus discursos para desvalorizar a vida e enaltecer a morte, para demonizar a alegria e enaltecer a tristeza.
A religião, no Ocidente, e infelizmente uma parte do misticismo dela derivado, são fábricas de pessoas tristes e amaldiçoadas desde o berço[1], já que com o conceito de “Queda” nos equiparam a Satã, o Anjo, também um caído. Nós caímos; Satã também caiu. Logo, a espiritualidade no Ocidente com seus mitos e conceitos, nos coloca lado a lado com o Demônio.
Vejam, ela começa com o pensamento de que todos nós estamos aqui por causa de um castigo, que estamos exilados de nosso verdadeiro país ou mundo, e que se viemos a este plano foi contra a nossa vontade (quanto a isto já fiz um longo arrazoado em “O Mergulho”, em, http://imaginariodomario.blogspot.com.br/2010/03/o-mergulho.html, 3 de março de 2010)
Não há, no olhar religioso ocidental, nenhuma razão ou função digna na vida hodierna a não ser dor e desespero, para resgatar uma culpa de um pecado qualquer.
Se estamos aqui, foi por que saímos de um estado melhor para um pior (Queda), e nesta modificação brusca de nível onde o que está em cima (mundo superior) é sempre melhor que o que está embaixo (mundo inferior, in-fernus) renega-se assim, o que diz a Tábua de Esmeralda ("Quod est inferius est sicut quod est superius, et quod est superius est sicut quod est inferius, ad perpetranda miracula rei unius.", que significa "O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa". Por causa desta compreensão limitada a religião e às vezes o esoterismo, consideram nosso cotidiano humano uma condição de punição e lamento permanente. Tratam-se de crenças. Crê-se que é assim, e pronto.
De fato, pelo que diz este trecho da Tábua, como nós nos alimentamos D'Ele, Ele se alimenta de nós e de nossas vivências. O que fazemos e deixamos de fazer no mundo de Malkuth, o mundo da matéria, afeta positivamente com novos subsídios a inteligência de Deus da qual não estamos e nem nunca estivemos separadas.

IIa PARTE: A NEGAÇÃO DA EXISTÊNCIA

O discurso do Transtorno Traumático Bíblico constantemente nega a importância da vida ou do corpo físico, biológico, considerado mesmo um corpo inferior a outro, nunca experimentado, porém imaginado como melhor.
O prazer, a sensualidade, o orgânico, sempre foram considerados por este viés um incômodo a ser transposto. Todos os que tivessem alegria e satisfação em viver, nativos de países tropicais, nórdicos não cristãos, cultuadores das forças da natureza, chamados pagãos, foram considerados degenerados, através de um olhar aparentemente moralista, mas que na verdade ocultava a inveja e a cobiça pelo vigor, saúde mental e física destes povos.
Na chamada idade média ocidental, século IX e X, o culto a vida e ao prazer era mais desenvolvido em outras civilizações, mais cultas e mais avançadas. A Europa provincianamente achava-se, como a China, o centro do mundo, mas é claro que isto não era verdade. Enquanto a Europa dava os primeiros e toscos passos na direção de uma vida civilizada, a cultura árabe já florescia há milênios, e é deles , árabes, considerados naquela época ateus e bárbaros, que vieram os fundamentos da ciência (astronomia, química, medicina)  e do esoterismo ( a Tábua de Esmeralda, citada antes, foi traduzida no século XII para o latim, de uma enciclopédia árabe).
Todo o oriente próximo e distante cultuava a arte e a beleza e não a dor. Mas não o Ocidente, e muito menos o Ocidente Cristianizado, Bíblico.
Aqui, o Feio e o Grotesco imperavam como sinais da religiosidade e da fé. Havia fome, guerras, pestes. Havia perseguição de mulheres que por sua beleza eram consideradas bruxas, arrastadas e queimadas sem qualquer direito a defesa. O mundo da Idade Média parecia mais um mundo de desatinados. E aí o sofrimento, considerado a maneira de ser do mundo, já que este era o único mundo que os europeus bárbaros e incultos conheciam, ganha a dimensão de modelo de toda a Criação. E o homem estoico, sem queixas, sem revolta, foi transformado no modelo do homem digno e santo, na religião, e do bom cidadão, na política.
Para os padres, a coisa era diferente. Viviam em mosteiros murados. Suas necessidades eram supridas, tinham alimento, abrigo, e alguns , até, livros. Os padres liam, ao contrário da maioria dos seres vivos nesta época de desolação.
O povo estava prestes a se revoltar contra os privilégios de seus senhores, a nobreza, que garantia a segurança dos padres. E de modo quase automático, a força da religião passa a ser um elemento de poder e barganha. É preciso conter a população. É preciso mantê-los dóceis.
A religião e o discurso de conformismo e aversão ao prazer são a solução. Marx analisou isto profundamente, apenas sob a ótica socioeconomica. Wilhelm Reich sob a ótica do corpo e do prazer.
Pessoas tristes e desanimadas não buscam a felicidade, não lutam por melhores condições de vida, são facilmente manipuláveis psicologicamente.
O status quo assim, se manteria seguro. E isto através da glorificação e glamourização do sofrimento, da privação, exatamente aquilo que os destruía.
Dor e sofrimento passaram a ser coisas belas e nobres. Quanto maior a dor, maior a beleza.
O Cristo das festas desaparece e surge o Cristo da cruz.
É neste contexto que imagens que mostrem sofrimento ou tortura de santos são em geral exaltadas e compartilhadas com devoção, julgadas, de forma explícita ou implícita, exemplos das experiências obrigatórias que uma alma e principalmente um corpo deve passar para ser considerada verdadeiramente santo. Segundo esses líderes religiosos históricos, ninguém poderia alcançar a beatitude através da alegria e do contentamento. A própria felicidade passou a ser uma ameaça ao status quo.
E assim, os cultuadores de um Cristo crucificado ou sendo torturado pelos romanos tentaram de toda maneira ocultar do povo à beira da revolta que este mesmo Mestre Jesus jamais foi um indivíduo mórbido e que pregou com a mesma serenidade em meio a festa de um publicano (o que hoje chamamos de "balada"), foi amigo de pessoas as mais simples, de prostitutas, (mulheres dedicadas ao prazer do corpo), e teve como seu primeiro grande milagre, a simbolicamente importante transformação de água em vinho, em meio a uma festa de casamento.
Este Cristo gregário, social, participante ativo da vida de sua comunidade em momento algum se assemelha à imagem mórbida, sofrida e depressiva construída, concílio após concílio, até se transformar permanente e principalmente naquele corpo açoitado que sangra, dispneico, na cruz.
O Cristo das festas tornou-se então,(para os líderes religiosos que ao longo de séculos construíram a imagem ora difundida), além de uma ameaça a um determinado discurso de época, sem sombra de dúvida, menos santo que o Cristo do Gólgota.




IIIa PARTE: A VAIDADE DOS ESOTERISTAS CRISTÃOS FRANCESES

Quanto a vaidade que citei, está presente por toda a parte, entre esoteristas cristãos, principalmente entre os europeus. O Ocidente passou a achar que Universalismo Religioso é fazer com que todo o planeta seja Cristão, e não entender que todas as linhas religiosas devem ser consideradas tão importantes quanto o cristianismo na busca por uma visão espiritualista verdadeiramente planetária.
Os próprios rosacruzes, principalmente os de tradição francesa, são assim. Pregam, sem pudor, a superioridade da religião Cristã sobre todas as outras, num declarado preconceito em relação a outras tradições que, muito provavelmente, jamais compreenderam.
Papus esvaziou o movimento teosófico europeu, aproveitando-se da dificuldade de muitos de acompanhar os meandros da Doutrina Secreta de Blavatsky, recheada de termos em sânscrito e baseada em conceitos orientais e vedânticos. Para drenar estes descontentes e confusos esoteristas de primeira viagem, ele restaura uma Tradição Esotérica tipicamente francesa e cristã, o Martinezismo -Martinismo, surfando as ondas de Ocultismo geradas pelo trabalho de Alphonse Louis Constante, o Eliphas Levy.
Paul Sedir é outro exemplo: em um texto longo (Capítulo II, págs.21-26 de “Les Rose-Croix”, de Sédir, Bibliotheque des “Amitiés Spirituelles”, Paris).  sobre os rosacruzes, ele diz , textualmente:
"...os verdadeiros rosacruzes. Ruysbroeck, o Admirável, os chama de crianças secretas do Senhor.(...)Seu livro é o Evangelho. Sua prática é a imitação de Jesus Cristo." E continua:"Essa teoria e essa prática parecem simples. No entanto, não há nada mais elevado a ser concebido e mais difícil de executar. As mais abstrusas especulações dos metafísicos hindus ou as autoridades mais espantosas de seus yogues desaparecem perante a terrível profundidade das máximas e dos ensinamentos evangélicos."
Sem entrar no mérito de que nós, rosacruzes, temos grande admiração e respeito pela pessoa do Cristo, tomemos ou não o Cristo como modelo comportamental místico, é importante lembrar algo que Sedir propositadamente esquece ou oculta: todos os grandes exemplos de líderes espirituais, sem exceção, vem do mesmo Oriente de onde vem os mestres hindus, inclusive o Cristo, um judeu da Palestina. Por isso dizemos sempre que "a luz vem do Leste". A própria origem do rosacrucianismo é oriental, muitas centenas de anos anterior ao Cristianismo como doutrina, ou ao surgimento do Cristo, como personagem histórico. Nós, rosacruzes, viemos do Egito, antes que Moisés recebesse as Tábuas da Lei, no Sinai.
Nem Spencer Lewis, cristão metodista, porém um universalista, foi capaz de gesto tão preconceituoso, indelicado e injusto com outras linhas de pensamento religioso como Sédir neste trecho. Além disso, fazer uma escala de importância entre ritos e crenças diferentes é, além de absurdo, produto apenas de um espírito sectário, que achará sempre sua fé superior às demais.
Para nós, rosacruzes verdadeiros (e não estes rosacruzes invisíveis, idealizados pelos muitos escritores criativos do mundo, como Tobias Churton), todos os mestres espirituais, mesmo e principalmente os hindus, são por nós respeitados e admirados. Nosso Mestre Hierofante, Ku-thu-mi,é um Oriental, da Cachemira. Em sã consciência nós, os verdadeiros e visíveis rosacruzes, em momento algum, diríamos que o Cristo é mais fundamental que o Buda, ou que a Bíblia Cristã seria superior ao Bardo Todol, o Livro dos Mortos Tibetano. Seria uma tolice.
Mas Sédir o disse.
Vaidade. Presunção de que alguém seja senhor da verdade espiritual e que todos no planeta dêem importância ao que o Papa Católico disse ou deixou de dizer. Na verdade grande massa de seres humanos no planeta simplesmente olha para católicos e para Roma como um culto exótico, e sempre é bom lembrar, a religião que mais cresce no planeta atualmente, em número, é o Islamismo.
É este Cristianismo Ocidental e egocêntrico, como religião, que contaminou os esoteristas ocidentais, alguns trazendo para dentro do universo esotérico democrático e multifacetado, internacional e verdadeiramente eclético, o sectarismo comumente encontrado entre religiosos e teoricamente não entre místicos.
Ordens esotéricas não podem ter um viés religioso. Não é seguro. Caminha-se nesta situação, sobre o fio da navalha.
E nunca é demais lembrar: o Cristo e o Cristianismo são coisas absolutamente diferentes. Aquele é um exemplo de líder e um divisor de águas na história da humanidade. Este, por sua vez, é um movimento religioso como outro qualquer, que lutou violentamente para se desenvolver e propagar, com métodos e valores muito pouco cristãos.
Lembro do massacre dos Cátaros. Os Cátaros  cometeram o grave pecado de acreditarem que entre Deus e os homens não deveriam haver intermediários, nem sacerdotes, nem papas. Roma soube disso.
Depois de fracassar na abordagem diplomática, Inocêncio III declarou-os hereges e mandou suas tropas chaciná-los, em 1208, com a Cruzada dos Albigenses. Em 1209, ocorreu a Batalha de Bézier. "A 21 de julho os cruzados posicionaram-se diante de Bézier ; Simão de Montfort à frente do exército cruzado, atacou a cidade e exterminou uma parte da população sem levar em conta a sua filiação religiosa e pronunciando, segundo a crônica de Cesáreo de Heisterbach, a frase: "Matai-os todos, Deus reconhecerá os seus!" Esta primeira matança, de 7000 a 8000 pessoas, que aconteceu na igreja da Madeleine, não estava nos costumes da época."[2]
Este é apenas um de muitos episódios da história do cristianismo que causariam profunda náusea ao próprio Cristo. É disso que os místicos, por serem místicos, fogem. O sectarismo religioso, a intolerância, a crueldade e a luta pelo poder disfarçada de defesa da fé.

Conclusões

A estratégia de combater a sensualidade, a sexualidade e desmerecer o que fosse orgânico e biológico, de destruir tudo que pudesse gerar prazer e satisfação, não foi uma situação acidental, nem teve a ver com qualquer aspecto espiritual, mas, isto sim, fez parte de um conjunto de ações voltadas a manter, primeiro a disciplina entre um povo bárbaro e sem pátria, no deserto; depois, manter o status quo de poder da Igreja e da nobreza que a sustentava, na Idade Média. Isto está na raiz de conceitos deprimentes com os quais líderes religiosos contemplaram seus muitos devotos. Tornar as pessoas mais tristes fez com que se tornassem mais manipuláveis e facilmente subjugadas mental e psicologicamente. A felicidade física e o prazer como obstáculos a espiritualidade são apenas uma falácia, parte de um discurso maquiavélico que só trouxe prejuízo existencial a humanidade, e que, em nossa época, contamina perigosamente o esoterismo e parte do misticismo, se infiltrando insidiosamente entre rosacruzes bem intencionados, mas sem a perspicácia filosófica e histórica para distinguir esta ameaça e combatê-la interior e exteriormente. Precisamos, já que os tempos são outros, de conceitos mais adequados à um misticismo e esoterismo contemporâneo, a uma época mais civilizada, construindo idéias e imagens compatíveis com o século XXI. Não se trata de revisar o conteúdo e os princípios a serem transmitidos, mas sim revisar sua forma exterior, seu modelo didático. O modelo antigo não é melhor apenas por ser antigo, como se o antes fosse sempre melhor do que o atual, e o antigo sempre mais sagrado do que o novo, ou, para usar uma imagem mais forte, que quanto mais fedor exalar um cadáver, mais sagrado ele será. Prestem atenção: a tradição embora não seja hábito, precisa  ser traduzida; ela não pode ser propositadamente mantida em uma forma arcaica e pouco acessível, como se isso lhe desse um maior grau de respeito.
Uma mudança na apresentação dos conceitos que realmente importam já seria um inicio e evitaria esta mistura inadequada e perigosa entre valores ligados a religião e valores esotéricos e místicos.
Oremos e vigiemos.




[1] Quanto a isso, reveja-se a disputa entre Santo Agostinho e Pelágio da Bretanha, em 415 DC.
[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Cruzada_Albigense