Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 24 de junho de 2012

VISITANDO A COMUNIDADE ROSACRUZ DE SÃO BERNARDO DO CAMPO


por Mario Sales, FRC.:,M.:M.:,S.:I.:(FD)





O Prédio verde da Loja São Bernardo,[o fundador da Ordem dos Templários, Bernardo de Caraval, monge cisterciense (1090-1153)], fica em uma rua muito inclinada, talvez 45 graus de inclinação, que segundo Frater Pedro Décio, o simpático tesoureiro da Loja me disse, em tom divertido, foi uma forma de averiguar a verdadeira determinação dos interessados em pertencer a nossa nobre Ordem.

São Bernardo de Claraval

Novamente cheguei cedo para poder aproveitar a luz do dia na ida e confraternizar com a confraria por mais tempo. O que chama a atenção de quem chega a esta embaixada rosacruciana é a marca registrada de todos os rosacruzes: a diligência e o trabalho. Desde cedo, homens e mulheres anonima e intensamente trabalham para garantir as condições materiais básicas para que a reunião se realize em harmonia. Lembro do lema escrito por Saõ Bernardo para a Ordem dos Templários: "Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam" (Sl. 113,9 - Vulgata Latina) que significa "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória" (tradução Almeida).

Frater Pedro Destro, o simpático e diligente tesoureiro da Loja

O belo painel na parede do saguão

Vejo já ao estacionar pessoas chegando com bolos e doces para a festa de aniversário da columba mais jovem, que acontecerá mais tarde. As sorores se revezando e enchendo bexigas e preparando o ambiente da festa.
O Mestre,Frater João Bianchi, incansável, auxiliado por todos, divide-se em receber-me e administrar os diversos aspectos gerenciais que cercam a sua função. Ora vejo-o na sala cumprimentando pessoas, ora desaparece para o andar de cima para conversar com oficiais ritualísticos, ora está na secretaria, ao computador ou no balcão, conversando com os membros que o solicitam.
Serviço. Este é o espírito.

Da esquerda para a direita, Frater Waldir de Lima, com um curioso efeito do slide projetado em seu rosto, eu e o Frater João Bianchi, mestre da loja.


Frater Waldir de Lima 

Embora tenha participado de uma inspiradora reunião de pronaos, a visita sempre é mais valiosa pelo contato com as pessoas. Encontrei na loja um irmão maçon, ex rosacruz, que agora apenas comparece para acompanhar a esposa, esta sim rosacruz e martinista, dedicada ao trabalho na Loja.

O Irmão maçon Clóvis Ciorra

Por sua simpatia, imediatamente começamos a conversar sobre aspectos da vida templária maçônica, autores maçônicos, aspectos ritualísticos, vicissitudes do relacionamento em Loja, e outras coisas mais. Claro que discutimos esta característica das duas Ordens, Maçonaria e Rosacruz, de se entrecruzarem a todo instante, ao longo dos séculos.
O Irmão Clóvis pertence a Loja Delta 2, do GOSP, representante paulista do GOB, Grande Oriente do Brasil, a mais antiga do país. Diz que estava em outra potência, a GLESP, mas que esta loja atual fica a dois quarteirões de sua casa, tornando sua frequência mais fácil.

O sagão de entrada da Loja


Outro ângulo do salão da recepção da loja São Bernardo, já preparado para a festa de aniversário da Columba

O movimento de pessoas é ininterrupto, a não ser pelo momento do ritual de Templo simultâneo com uma meditação aberta a não membros, que esvazia o saguão e tudo se aquieta; e a não ser por mim, que fico na sala testando a compatibilidade do projetor com meu computador, duas sorores que conversam enquanto cuidam da entrada, e uma criança que vaga pela sala,mergulhada em sua própria imaginação, nada mais se move. Mesmo os movimentos da criança são incapazes de quebrar este instante de quietude.
É como se a loja fosse um organismo vivo e, temporariamente, parasse de respirar.

O balcão de suprimentos e ao fundo a secretaria da Loja


O Irmão Clóvis Ciorra, da maçonaria local, que frequenta como visitante a Loja acompanhando sua esposa membra da AMORC e da TOM.

E então, a cerimônia em templo termina, a meditação aberta acaba, e a Loja ressuscita, as pessoas aparecem, o movimento recomeça, e é como se todo o Organismo,(é assim que chamamos nossos Corpos Afiliados, Organismos), despertasse de um sono breve.
Então vem a palestra e discutimos o tema, a intuição, a inspiração, as diversas maneiras de deixar-se guiar mansamente, pelo Mestre Interior, a conexão verdadeira com o Altíssimo.
A palestra acaba. É hora de retornar.
E não fosse o fato de, depois de discursar sobre como devemos ser dóceis e nos deixar conduzir pela vontade divina, sem resistência, eu ter contrariado a orientação de meu GPS e seguido uma placa que me fez fazer um longo desvio do caminho, meu retorno foi tranquilo.
Cheguei em casa satisfeito por ter tido mais este contato com outro grupo de rosacruzes, que residem e trabalham bem perto de minha casa, e que embora diferentes daqueles com os quais costumo conviver, são absolutamente iguais na devoção a busca de autoaperfeiçoamento e ao serviço a nossa Amada Ordem.
Que o Cósmico os abençoe e que seu Corpo Afiliado prospere material e espiritualmente.