Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quarta-feira, 6 de junho de 2012

RÉQUIEM PARA UM MESTRE


pelo discípulo Mario Sales

Frater Reginaldo Leite

É difícil escrever esse texto. Não fosse por ser um elogio póstumo, seria pelo fato de ser um elogio póstumo de meu Mestre pessoal e amigo, que nos deixou de forma súbita.
Místicos não morrem, apenas saem de seus corpos e retornam a plenitude de Deus temporariamente.
Transitam entre planos de manifestação e assim, os rosacruzes usam o termo Transição para descrever estes eventos.





Tudo isso funciona muito bem quando nossas reflexões são filosóficas e impessoais.
Quando se trata, no entanto,  de um grande amigo, que estava conosco até poucas horas antes, que não apresentava aparentemente nenhuma patologia que antecipasse um desfecho fatal, uma doença qualquer que nos permitisse a frase consoladora de "não tinha mais jeito", tudo muda.
Devemos lamentar a partida dos amigos como lamentaríamos aquele companheiro de todas as horas, aquele maravilhoso papo noite adentro, que de repente é calado por uma viajem inesperada a um país distante e do qual não tivemos oportunidade de nos despedir e abraçar.



Sim, são manifestações de apego, indignas de iniciados que sabem das limitações do tempo na carne, mas absolutamente condizentes com aqueles que exatamente por serem iniciados nos mistérios da existência descobriram a mais poderosa das energias, o mais poderoso dos fenômenos, a amizade.


A nossa confraria do vinho, reunida em São Paulo para um jantar na Biblioteca. Eu, Fernando, irmão de Maçonaria, Reginaldo e Carlos Yamashita, rosacruz e maçon, 2011

Antes de tudo, lamentar-se pelo amigo que já não está mais conosco nada tem a ver com aquele que se foi.
Não se trata dele quando choramos a sua ausência.
Trata-se de nossos próprios interesses egoístas, de nossa própria felicidade pessoal, que se vê diminuída na privação dos que nos traziam a camaradagem fundamental para atravessar os dias de cada encarnação.

Sóror Maria de Lourdes Lescano, Frater Reginaldo e Frater Felipe Lozano, em Curitiba, na palestra de Reginaldo para a reunião nacional dos Artesãos. Lourdes e Felipe são respevtivamente ex mestra e o atual mestre da Heptada Guarulhos, São Paulo.

Foram três anos intensos pelos quais sou grato ao Cósmico.
Neste aspecto nada tenho a lamentar.
E o que me consola é que o bem, como a Fênix, sempre renasce depois de fenecer, e reaparece em nossa porta, já que nenhum de nós, felizmente, nem mesmo mestres como Reginaldo são insubstituíveis.
Outro Reginaldo surgirá para diminuir a minha solidão e ignorância, isto é certo. E até que esta troca de bastões ocorra, terei pelo menos comigo a lembrança da alegria e do convívio com este poderoso esoterista que me deu algumas das minhas mais interessantes aulas e que transformou a Cabala para mim em algo corriqueiro e acessível, sem mistérios, como todo especialista em mistério deseja.

Amadeu Xavier, frater de Uberaba, Eu e frater Reginaldo na Convenção Mundial, ano em 2011, Curitiba.


Que o cósmico o acompanhe nesta nova jornada e já que o Tempo não existe, até breve, nas próximas vidas que nos aguardam neste sonho de Maya.
Reginaldo e Eu almoçando em Curitiba, na Convenção Mundial, 2011