Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

segunda-feira, 18 de junho de 2012

VISITANDO A COMUNIDADE ROSACRUZ DE SÃO CAETANO DO SUL


por Mario Sales, FRC.:, M.:M.:,S.:I.:(membro do CFD)



Ir a um corpo afiliado da AMORC é sempre voltar a nossa própria casa, mesmo que não vivamos ali.
Todas as casas dos Rosacruzes pertencem aos próprios rosacruzes e portanto, muitas são as nossas moradas.
A Loja São Caetano do Sul, no ABC paulista, é uma das mais portentosas e tradicionais.
O espaço físico é invejável e o pé direito altíssimo. Possui um amplo auditório e salvo os problemas de conservação inerentes a uma loja que este ano completa 52 anos de existência, não há nada que impeça que com trabalho dedicado dos rosacruzes que lá estão não possa transformar-se em um centro de fortalecimento regional como a placa na entrada, Loja Rosacruz do ABC, e não de São Caetano, supõe.
Lá encontrei a mesma amabilidade rosacruciana de Barcelona, Toulouse, do Rio de Janeiro na Loja Tijuca ou na Loja Méier, que eu comecei a frequentar quando ainda se abrigava fisicamente na Loja Maçônica Cayru, já que o venerável de uma era o Mestre, naquela época ainda de Capítulo, da outra.
O Belíssimo Portal da Loja

Os rosacruzes são heterogêneos, é bem verdade, mas existe uma semelhança que os identifica: sua fraternidade, seu senso de pertencimento a uma egrégora, sua curiosidade quanto a temas culturais, técnicas ou pessoas. São seres sociais, gregários, que acreditam que compartilhar é a única forma de crescer espiritualmente.
Outra característica, talvez não eminentemente rosacruciana, mas que é muito comum em nossos corpos afiliados, que enfrentam, tanto quanto os templos maçônicos ou teosóficos, as dificuldades ligadas a um quórum baixo de membros, é a presença de frateres e sorores que respondem pela missão de sustentar, como colunas, as estruturas físicas destas organizações.
Recepção da Loja ABC AMORC em São Caetano. À direita da foto, a porta do templo da Loja, circundado por inspiradora pintura.

Foi assim em São Caetano com o frater Caetano Orlando Zanai, um dos mais antigos membros da AMORC e que passou há pouco tempo pela transição. Sua presença está em todas as partes da estrutura física da Loja, nas conversas com os membros mais antigos, no respeito como relatam sua importância para a existência deste corpo afiliado e como, no início, dormia dentro do prédio para que, enquanto durasse a construção, o local não fosse alvo de furtos.Este indivíduo era o mesmo, segundo os relatos, que dissertava, quando solicitado, com maestria e elegância acerca da doutrina da reencarnação, demonstrando que a maestria espiritual e o comprometimento com o trabalho material não são excludentes.
Seu material de Sanctum, sua foto e alguns pertences pessoais foram colocados no corredor que leva ao auditório da Loja após a sua transição, de forma a honrar e preservar sua memória.
Muitos são os Zanais espalhados pelo mundo, que anonimamente trabalham pela causa da AMORC.
A começar pela própria mestra da Loja, a sóror Silvia Campos do Lago e Silva, que embora funcionária da Secretaria Legislativa da Camara Municipal de São Bernardo do Campo, desde muito cedo , no sábado, já estava dando os últimos retoques em nossa casa para que todos fossem recebidos com dignidade e carinho, preparando chá e café e providenciando alguns petiscos, além de receber a todos com simpatia e administrar com habilidade os problemas de agenda das ritualísticas, da substituição de membros, e ainda me ciceronear gentilmente. Tudo antes de colocar seu manto azul e conduzir a ritualística que aconteceu ainda antes da palestra.
Por sua recepção e simpatia, meu muito obrigado, e desculpo-me pela falta de lembrança de não ter trazido nenhuma foto dos membros da Loja ou de suas instalações.
Encontrei ainda, como é costumeiro, vários rosacruzes membros da Ordem Maçônica, e embora querendo significar a mesma coisa, chamados frateres em uma das ordens e irmãos em outra. Entre estes o frater e Irmão Valdir Anderson Silvério, e o Irmão Edson de Souza, que com suas presenças demonstraram a força de uma tradição que se origina no século XIV , quando a Ordem Maçônica, enfraquecida pela perda do monopólio do trabalho de construção de catedrais, depois abandonadas pelo regime do Lorde Protetor Oliver Cromwell, por motivos de caixa tiveram de aceitar membros que não eram do ramo, os chamados maçons aceitos, entre os quais muitos rosacruzes, que aos poucos ajudaram a transformar a Maçonaria no que é hoje.
Esta tradição continua até nossos dias e é comum que em um corpo afiliado rosacruz encontremos maçons tanto quanto em uma loja maçônica encontremos rosacruzes.
Foi uma noite agradável pela qual agradeço ao cósmico e aos irmãos, principalmente ao mestre do Pronaos que conduziu lindamente o ritual inspirador de que tive a honra de participar.
A todos os membros da confraria da Loja Rosacruz São Caetano do Sul meu muito obrigado, meus votos de paz profunda e parabéns pela dedicação a causa rosacruz.
Sábado agora, estarei na loja São Bernardo com o trabalho "Tudo está Interligado".
Até breve.