Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quarta-feira, 1 de maio de 2013

UM FERIADO PRODUTIVO: EMAILS, TRADUÇÕES E CABALA


por Mario Sales

Rabbi Arieh Kaplan


Hoje, no meio da semana, me vejo em casa, com as vicissitudes que isto implica. Minha esposa providenciou uma faxineira para dar um trato na casa que segundo ela, há muito necessitava, e o que me salvava da vergonha, também segundo sua avaliação de dona da casa, era que os encontros das quintas feiras, da Confraria de Vinho de Maçons e Rosacruzes, "In Vino Veritas" são feitos na penumbra, já que agora não precisamos deixar as luzes acesas para nosso antigo e agora ausente correspondente virtual por dois anos , Reginaldo, que bebia seu vinho em Recife junto conosco, enquanto bebíamos o nosso aqui em São Paulo.
O feriado segue em ritmo de limpeza e agradáveis contatos. Julio que tem feito interessantes comentários no blog, um jovem de apenas 29 anos, mas que soma em uma pessoa a sincera vontade do buscado rosacruz e o amor ao debate do maçon, fez contato comigo via Skipe e tivemos um agradável e breve contato, interrompido pela hora do almoço aqui em casa.
José Marcelo Sobral mandou-me, não sei se individualmente ou como parte de um dos seus maravilhosos emails para a confraria, um texto de Spencer Lewis, sobre a Cura Pessoal. Talvez por causa do destemperado e revigorante desabafo dos últimos dias. O texto é belíssimo e o transcreverei ao final deste comentário.

No mais continuo a minha tradução do Inglês do Sêfer Yetsirah, versão longa, retirado de um manuscrito rosacruz, ainda para o curso do meio do ano na Morada.
O que tem me espantado é a enorme diferença entre as versões de Gra, como traduzida no texto comentado de Arieh Kaplan, Ed. Sêfer, e este que agora me empenho em disponibilizar aos irmãos que comparecerem à Morada, em Junho. Mais uma vez fica claro que não existe Cabala, mas Cabalas, com algumas semelhanças entre elas, mas com diferenças nos detalhes entre elas que as tornam absolutamente distintas.
Já não bastassem a existência de uma Cabala Judaica, uma Cristã, de Pico de laMirandola, e uma Ocultista, ainda é preciso considerar a linha do pensador Judaico em questão, se pré Isaac Luria, se pós Isaac Luria, ou se a versão do livro (no caso o Sêfer Ietsirá) em questão é a Curta, a Longa ou a de Gra, Saadia ou Ramac.


Entre esta que estou traduzindo de um Manuscrito Rosacruz, disponibilizada no site da Grande Loja de Língua Inglesa para a versão de Gra traduzida por Arieh Kaplan, os contrastes são muitos e pretendo aprofundá-los em Junho.
Não se deve estudar Cabala sem este cuidado, como lembrava Reginaldo em várias conversas via Skipe, de antes estabelecer de qual Cabala estamos falando, e qual tipo de Cabala, teórica, meditativa ou mágica está sendo trabalhada.
Como todas as tradições, a Cabala hoje não corresponde aquela do século II DC ou mesmo a do século XII e XIII. Recebeu uma série de novas interpretações e acréscimos interpretativos e comentaristas publicaram muitos textos sobre o assunto, alguns pertinentes e outros descabidos.
E embora só possamos saber o que é bom ou não através de orientadores isentos (o mais fácil) ou do esforço pessoal solitário de leitura (o mais difícil), precisamos de tempo para compreender estes textos, a não ser que sejamos dotados de uma iluminada e esclarecedora intuição.
Na tradução que ora realizo descobri porque os textos são tão complexos e às vêzes ilegíveis. O que eu antes atribuía aos textos em si, descubro agora que se deve aos tradutores, e que a expressão "traduttore, tradittore" é verdadeiramente correta.
Mas não por um ato consciente dos tradutores e sim pela dificuldade da versão e não da tradução do sentido do texto traduzido.

Uma única palavra em inglês pode ter "n" significados, como a palavra "breath" que pode ser respiração, como também hálito, fôlego, sopro, alento ou bafo, e estes por sua vez, podem ter como sinônimos breathing, exalation, breath, respiration, wind (vento), inspiration ou puff. Para sopro ainda temos blow, blowing, whiff ou souffle.
Isto dá uma idéia da dificuldade de uma única expressão como no versículo 8 , capítulo 1, desta versão longa, em que se diz que cada letra hebraica contém "the Breath of God". Estarei correto em dizer que cada letra hebraica possui a respiração, ou o hálito, ou fôlego, ou o sopro, ou o alento, ou o bafo de Deus ou apenas uma destas versões será mais adequada? Neste caso optei pelo sopro já que este como nenhum outro de seus companheiros implica em um movimento do alento divino eminentemente voluntário, já que posso involuntariamente respirar, ter algum tipo de hálito, ou ter fôlego, exalar algum tipo de bafo, mas não soprar. E a voluntariedade do ato de interferir nas Letras como elementos da Criação é fundamental na escolha do termo adequado. Deus é Vontade, é Intenção. Ele age. E se age, age segundo Sua Intenção Criadora. Ele cria, forma e dá existência ao inexistente por um ato de Vontade. É nisso que me ative para decidir por sopro.
Esta é uma questão menor mas demonstra a angústia de traduzir de outra língua, seja ela qual for, um texto que em si já é obscuro e hermético.
Kaplan diz, com ironia, que "se o autor (deste livro) pretendeu ser obscuro, ele foi eminentemente bem sucedido."
Por isso, seja o Sêfer Yetsirá ou Yetsirah, não importa a grafia, seja o Sêfer Al Bahir, seja o Zohar, recomendam os estudiosos, é sempre interessante que se leiam os textos junto com outras pessoas, e nunca sozinho, que se discutam as interpretações possíveis, para que aceleremos  e aperfeiçoemos nossa compreensão destas magníficas obras. Depois disso, e só depois, devemos ir aos comentadores. Se lermos os textos novamente veremos textos absolutamente novos ante nossos olhos.
Alguns anos não serão suficientes. É preciso paciência.
E como o Misticismo, embora Madona diga que não, o Cabala em si não visa a Felicidade, mas o conhecimento. Não foi feito para dar riqueza a quem o domine, nem mesmo poder, se bem que algum poder possa advir de sua compreensão. Mas antes é uma manual de sabedoria e compreensão dos meandros da Divindade, seu mecanismo interno, as leis universais da Criação e outros aspectos sublimes. Coisa para místicos. Algo que não tem preço, e com certeza, não é uma receita de bolo para riqueza, prosperidade e alegria.
Apenas e tão somente conhecimento.
Mas o que mais desejaria o buscador sincero?

Anexo: "Cura Pessoal"




Cura Pessoal
Por Dr. H. Spencer Lewis
Algumas sugestões de natureza prática
Após vinte anos de experiência em trabalhos de cura metafísica, acho que possa prestar grande auxílio a muitas pessoas, apresentando alguns princípios importantes que cada qual pode aplicara por si mesmo na cura de condições físicas e mentais.
A primeira coisa a considerar na cura pessoal consiste em reconhecer a lei de que toda manifestação mental ou física de doença é apenas uma manifestação externa culminante de algo que ocorreu antes internamente. Pouco importa se o problema está nas amígdalas inflamadas, dor aguda nas costas ou numa condições reumática. Persiste o fato de que estes termos e sintomas são apenas sinais externos de algo que não está certo internamente. O nome específico dado a uma doença, ou a localização específica de uma dor, não indicam quer a causa real do problema, quer o método do tratamento.
A causa primordial de todas as condições anormais ou subnormais, mentais e físicas, no corpo humano, é a falta de harmonização com as forças criativas, construtivas, harmoniosas, da natureza. Temos uma expressão concisa para este estado: fora de harmonia. Consideramos a saúde perfeita uma condição de harmonium. Esta falta de harmonização ou harmonia é a causa primária; no entanto, há uma outra causa, ainda mais remota. Trata-se da causa mental ou psíquica. Esta há de ser encontrada na mente do paciente, ou, em outras palavras, em sua atitude mental ou psíquica antes da condição de desarmonia.
Atitudes Inarmônicas
Parece quase impossível fazer o ser humano comum compreender que, no momento em que ele permite pensar ou dizer algo de natureza invejosa, ciumenta, vingativa, crítica, ou destrutiva – nesse momento – sua atitude mental está fora  harmonia com a Mente Divina. O resultado há de ser falta de harmonia das forças físicas do corpo com as forças físicas do universo. Tal estado invariavelmente resulta em que as forças físicas do corpo se tornam algo destrutivas ou inarmônicas, e em alguma parte do corpo ocorrerá, gradualmente, uma manifestação externa. Uma pessoa pode estar convicta de que o fato de perder a calma é desastroso para os nervos e o sangue e certamente produzirá uma reação física ou mental. No entanto, pode compreender que, quando seus pensamentos são grosseiros, críticos ou destrutivos, com certeza provocam reação em seu estado mental e físico.
Quando uma pessoa despende qualquer energia de pensamento em dar vazão a ódio, crítica destrutiva, ou comentários grosseiros sobre um indivíduo ou grupos de indivíduos, cedo ou tarde a reação dessa atitude inarmoniosa produz uma condição física ou mental mais ou menos grave. A pessoa que acredita que alguém lhe fez injustiça e acha que deve fazer comentários destrutivos a seu respeito, ou que sempre está procurando criticar alguém maliciosamente, por certo, estará trazendo má saúde e infortúnio para a sua vida. É metafisicamente verdadeiro o fato de que, para cada minuto gasto no pensamento de impressões desfavoráveis, crítica destrutiva, ou ódio para com alguém, haverá horas de sofrimento físico e mental.
A primeira coisa que temos de fazer, então, ao considerarmos o alívio de qualquer condição mental ou física, é analisar o nosso Eu mental por algum tempo e verificar que pensamentos, atitudes e estado mentais temos mantido ou expresso, e, imediatamente, eliminar essa atitude, invertendo nossas opiniões, nossas ideias, substituindo-as por pensamentos de amor e bondade. Em outras palavras, o veneno mental que tenha estado corroendo o próprio coração de cada célula do nosso organismo terá de ser eliminado, antes que se possa fazer qualquer tratamento para aliviar as últimas ou exteriores manifestações. Qualquer outro processo estará apenas tratando essas manifestações externas, como ao tomarmos drogas para entorpecer os sentidos, sem eliminarmos a verdadeira causa.
Portanto, após analisarmos nosso Eu interior e descobrirmos os pensamentos destrutivos que temos realmente mantido devemos nos purgar de qualquer possível veneno, mantendo pensamentos de amor, bondade, cortesia e comunhão espiritual com todos os seres humanos e todos os demais seres vivos da face da Terra. Devemos nutrir intensamente o pensamento de que tudo é bom, todo mundo é amoroso e bom, de que ninguém é mau (apenas diferente), de que não existem seres maus, pois, todos são Filhos da Luz e Filhos de Deus.
Como restaurar a harmonia
Se sentirmos o contrário para com alguém, deveremos imediatamente emitir bons pensamentos para essa pessoa, e tentar desfazer o mal ou os pensamentos destrutivos que tenhamos nutrido. Se estivermos insatisfeitos com alguma situação, algum grupo de pessoas, alguma ação da parte de alguém, deveremos logo purgar isso da nossa mente, invertendo nossa opinião e enchendo o nosso ser com pensamentos de tolerância, solidariedade, bondade e amor. Na medida em que eliminarmos esse veneno mental do nosso próprio ser, nessa medida eliminaremos a causa de qualquer condição que estejamos então sofrendo.
O passo seguinte consiste em assistir a natureza na purgação física do organismo. Vários fundamentos devem ser considerados neste processo. Primeiro, como toda força vital de natureza construtiva é assimilada através do ar que respiramos, o paciente deve logo começar a respirar ar puro, profundamente. Deve ele colocar-se ante uma janela aberta, ou ao ar livre, durante alguns minutos por hora, e tomar muitas inalações profundas, retendo-as o quanto possível e exalando o máximo possível. Isto renovará o ar dos pulmões e fará com que nova vitalidade e novas energias das vibrações cósmicas penetrem nos pulmões e ponham em ação os processos vitalizantes da natureza.
Cinco ou dez minutos dessa respiração profunda a cada hora, com o tórax inflado, os pulmões expandidos ao máximo, representarão uma ajuda maravilhosa. Se essa respiração puder ser feita à luz direta do sol e com a cabeça pendendo para trás, de modo que a luz solar incida na boca aberta, sobre o tecido da garganta, por alguns instantes a cada hora, isto será especialmente útil.
Depois disso devemos beber um pouco de água fresca. Não será necessário que essa água seja purificada de algum modo especial. Bastará usarmos água potável comum, suficientemente fresca para ser agradável. Devemos beber um ou dois copos por hora, até que a condição física se modifique. A natureza precisa da água e dos elementos nela contidos, em combinação com o ar que respiramos, para levar a efeito seus processos de restauração. Não podemos beber água demais, mesmo tomando três ou quatro litros por dia. Isto será uma lavagem interna dos rins, dos intestinos e da bexiga.
O trabalho da natureza
Em seguida, devemos sentar ou deitar, relaxados, e dar à natureza toda oportunidade de restauração, ao invés de despender energia em movimentação e trabalho desnecessários. O colocarmos o corpo em estado de repouso e relaxação, com os olhos fechados e o pensamento exclusivo de paz em mente, dará à natureza oportunidade de levar a efeito o trabalho do cósmico de modificar nosso estado físico. Não devemos concentrar nosso pensamento na natureza da doença, em sua localização, sua causa patológica ou histológica, no sentido fisiológico, ou no diagnóstico que um médico tenha feito. Tudo isto nada significa para a natureza e o Cósmico, e nada deve significar para nós.
Enquanto permanecermos relaxados, devemos unir as pontas dos dedos, mantendo as mãos separadas. Isto colocará em curto-circuito as emanações de energia dos dedos e evitará que elas se dissipem no espaço. Impedirá que a energia extra do nosso organismo se irradie, fazendo-a circular pelo corpo, para ajudar o trabalho de cura e restauração. Se os pés estiverem descalços, deveremos permitir que se toquem enquanto permanecermos relaxados.
Se nos sentirmos inclinados a adormecer, deveremos manter em mente a ideia de paz, bem como a de que as correntes curativas do Cósmico estarão passando pelo nosso corpo com a respiração. Com este pensamento único em mente, devemos então nos deixar adormecer.

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Expandindo a Luz
“Tenha em mente que em torno de você centenas, se não milhares, estão buscando o caminho que você encontrou. São pessoas que estão tentando resolver os mistérios da vida e pedindo por um sinal, uma única palavra, uma chave para solução de seus problemas. Tuas palavras, a entrega de um folheto, a recomendação deste sistema de estudos, familiarizando-os com a AMORC, constituem um verdadeiro serviço à Humanidade.” H. Spencer Lewis.
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Nós o procuramos porque eles procuram por nós (Devemos procurar em toda parte quem está buscando por nós. Faça o máximo para anunciar a mensagem Rosacruz do telhado das casas e do topo das montanhas". Harvey Spencer Lewis, FRC).