Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

terça-feira, 7 de maio de 2013

EM DEFESA DA AMORC


por Mario Sales, FRC



“Por várias vezes em minhas cartas anteriores eu fiz referência às dificuldades que talvez tivéssemos no futuro para visitar a terra dos Faraós e mantenho essa posição, sempre esperando, todavia que eu me engane. Como resistir à pressão de fanáticos e de terroristas cujas ações e influência progridem lenta, mas certamente há algumas décadas? É um longo debate que não diz respeito unicamente ao Egito, mas a todo o mundo. Não cabe a mim abri-lo nessa carta, mas temo ser pouco confiante quanto ao futuro de nossas sociedades se nossos dirigentes permanecerem surdos e cegos. No ritmo em que as coisas vão, todas as conquistas do século XX, condições da mulher, respeito às crianças, tolerância religiosa etc., logo serão apenas uma lembrança, se o ser humano perder, todavia ...o simples direito de pensar. 

Frater Christian Bernard, na carta de 2013 – Imperator AMORC.”

Por motivos óbvios, simplicidade de espírito antes de tudo, as pessoas que me vêem aqui analisando criticamente os problemas internos das três nobres ordens a que pertenço, por mais de uma vez me confundiram com alguém que milita contra as mesmas.



Não entendem que parte dos problemas destas ordens advém exatamente da falta do hábito dialético e que as modernas tecnologias de comunicação permitem que tenhamos um convívio e uma troca de idéias muito mais dinâmica que no passado, principalmente se for uma troca franca e elegante, a qualquer momento, estejam os estudantes rosacruzes e os oficiais administrativos aonde estiverem.
Não há mais necessidades de cartas e textos passeando pelos canais dos correios se podemos ter um diálogo direto via Skype.
E se trouxe este hábito de refletir publicamente sobre temas tabu foi exatamente para lançar luz sobre os mesmos.
Aqueles que lêem meus posts podem não concordar, podem sentir desconforto com o que é colocado, mas dificilmente ficam alheios ao que foi discutido e talvez por uma razão bem amorquiana,(o medo de opinar e de expressar suas posições de maneira clara, hábito disfarçado de tolerância e compreensão, mas que na verdade não passa de puro receio e insegurança) não participam do debate como eu gostaria, mesmo que discordando de minhas posições, e expressando as suas.
Tudo isso considerado, o que faço aqui é, à minha maneira e do meu jeito, lutar pela qualidade do trabalho de AMORC. As pessoas que vem ao blog devem entender que não posso ir contra a Ordem na qual consegui todo meu equilíbrio e cultura esotérica. Aliás, as únicas pessoas que pouco comentam meus posts são os membros de AMORC. Martinistas e Maçons participam alegremente das discussões.
Dos temas relacionados a AMORC, não costumo receber a participação de membros ativos, que como eu tem uma dívida de gratidão com esta nobre e tradicional Ordem, e a qual jurei defender de todos os detratores que tentassem agredi-la.
Recebo, isto sim, o apoio de quem não desejo, que equivocadamente acham que foram chamados a discussão e que não fazem parte dos quadros da nossa Ordem.
São pessoas que tem um passado não muito bom com AMORC, que se afastaram da confraria, que entraram em rota de colisão com os ensinamentos depois que os receberam. Beberam da água e esqueceram da fonte que os alimentou.
Agora que tem alguma informação, julgam-se aptos a tecerem comentários críticos, estes sim com o intuito de ferir a honorabilidade de AMORC e de seus fundadores.
Ao contrário deles, tenho minhas posturas e me coloco não como inimigo ( e quem me conhece sabe disso) mas na posição de adversário dialético e leal deste ou daquele tipo de postura que julgo, em minha limitada percepção, que sejam contrárias as posições originais e fundamentais de AMORC como Ordem.

Recebo frequentemente apoio às  minhas colocações de outros artesãos como eu, não quaisquer artesãos, mas aqueles que lutaram e lutam por AMORC, aqui em São Paulo, na Bahia , no Nordeste, o que me causa a sensação de que não estou falando meras tolices, mas expressando sentimentos que não são apenas meus mas de muitos que, ao contrário do que faço, pelos mais variados motivos, se calam.
Alguns falam que aguardam a conclusão de suas leituras monográficas para sair da Ordem e isto em muito me entristece, porque estes são os estudantes mais antigos,que passaram por todos os cargos administrativos e ritualísticos, que estão mais do que aptos a se tornarem baluartes de nossa Ordem, mas pensam em deixá-la, porque não encontram eco em seus anseios, em seus questionamentos.
Isto não significa que a Ordem queira que eles saiam, mas sim que, por alguma razão desconhecida e provavelmente inconsciente, não sabe como mantê-los.
Nós, membros da AMORC, membros desta Egrégora, pelo bem de nossa Ordem , não devemos deixá-la, pura e simplesmente.
Talvez AMORC hoje seja muito grande e talvez por isso pareça um tecido mais esgarçado, esticado, aonde nem todos se sintam confortavelmente abrigados.
Mas é exatamente por isso que devemos nós, os mais antigos, cerrar fileiras em torno dela e fortalecê-la, unindo-nos para protegê-la de tudo que possa ser prejudicial.
Helio de Morais é nosso Grande Mestre e devemos, independente de nossas posições, auxiliá-lo a conduzir da melhor maneira possível a Grande Loja de Língua Portuguesa, atentos ao que seja necessário para conseguir viabilizar esta ajuda.
Infelizmente ainda não temos um canal direto com o Grande Mestre e quando for a hora, o Cósmico proverá.
De qualquer maneira AMORC é nossa casa e devemos, juntos, mãos unidas, cercá-la em uma corrente de proteção para que se fortaleça, não por nós, mas por todos aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a mensagem rosacruciana e seus maravilhosos efeitos.
Eu lembro de mim antes de pertencer a rosacruz nesta encarnação e me comparo com o que sou hoje.
A diferença para melhor é imensa e credito diretamente a rosacruz este ganho de qualidade.
Gostaria que outros jovens de 17 , 18 anos como eu pudessem receber o que eu recebi, e pudessem crescer com isso, como eu cresci.
Por isso faço aqui neste espaço, repito, um exercício de reflexão permanente sobre os caminhos administrativos de AMORC, não sobre os místicos ou os esotéricos.
Todas essas reflexões visam defender AMORC , melhorá-la, aperfeiçoá-la para o século XXI. Não podemos , pelo bem de AMORC, dormir sobre os louros ou trair o pensamento criativo, inquieto, e o grande senso organizacional de Harvey Spencer Lewis.
Em defesa dos rosacruzes e de seu sagrado trabalho de espargir a Luz;  em defesa de AMORC como veículo físico deste trabalho.
Precisamos manter nossas mentes alertas pois as ameaças a dignidade humana são permanentes e a forma mais segura, como lembra Frater Cristian Bernard, nosso Imperator é manter o pensamento livre. Pois "...No ritmo em que as coisas vão, todas as conquistas do século XX, condições da mulher, respeito às crianças, tolerância religiosa etc., logo serão apenas uma lembrança, se o ser humano perder ...o simples direito de pensar."
Pensar, segundo nosso Imperator , é um direito do homem em geral, como também do rosacruz.
Eu diria mais, é um dever.
Não tenhamos medo de fazer o que nosso Imperator nos recomenda. Em defesa da dignidade humana e em defesa de AMORC.