Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 25 de maio de 2013

FÉ E PODER DE TRANSFORMAÇÃO DO REAL

por Mario Sales, FRC, SI


Por motivos particulares, tenho me dedicado a estudar as implicações da Fé como instrumento místico e o papel da Oração como veículo de manifestação oral desta mesma Fé, já que falo da Fé como compreendida no Martinismo, como elemento de conexão com o Altíssimo e não apenas a crença em algo sem fundamentação. Entre os trechos de textos sagrados que consultei neste particular, está uma passagem do novo testamento no Evangelho de Marcos, capítulo 5, versículo 22.



"...E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés, E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva. E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior;
Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste.
Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.
E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade.
E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal.
Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principais da sinagoga, que disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre? E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente.
E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago. E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam. E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme. E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada. E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te. E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto. E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer. "
Marcos 5:22-43

Nestas poucas linhas, além do relato da força mística do Mestre, existe um clara exortação a importância da crença e da fé como pressuposto para a consecução de um feito tanto dramático quando inusitado, que transcende as mais pessimistas previsões da experiência na carne.
Como médico e como místico estou habituado às limitações que nossa pequena capacidade de curar nos impõe. Por isso essas passagens me chamaram a atenção, não pelo aspecto religioso, mas pelo aspecto técnico operacional. Rosacruzes são os cientistas da Alma e da Mente, e buscam, incessantemente, maneiras de criar protocolos de como transcender a mediocridade humana, através da exegese de textos ditos sagrados, mas que na verdade, mais que sagrados, são manuais de como transformar a realidade de maneira impensável pelos nossos limitados conhecimentos científicos atuais.
A atitude mental, por este trecho citado, é a chave.
E ele lhe disse: 


"Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal.
Estando ele ainda falando, chegaram alguns dos principais da sinagoga, que disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre? E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente."


O que muda no homem que crê? Em que crê o homem ou a mulher que crêem? Em milagres, responderiam alguns. Mas o que são milagres? Coisas improváveis, tão maravilhosas e inesperadas que, via de regra, são impossíveis de realizar.
E quem acha essas coisas impossíveis? Nós mesmos.
E porque achamos isso? Por que , em função de nossa experiência e educação, fomos levados a crer que este é o pensamento correto.
Ora, ao que tudo indica, crenças, fundamentadas ou não, são crenças. Diríamos que crenças fundamentadas são a base da ciência e que as não fundamentadas são a base da religião ou da superstição. E estaríamos corretos. Mas a fé de que falamos e da qual o Cristo fala é mais do que uma crença: é uma transformação de visão de mundo, uma iniciação, possível apenas aos que se permitem tal transformação.

Se não fosse assim, os fatos descritos não seriam fatos.
Como explicar então os fatos narrados por Marcos e também por Lucas, em seus Evangelhos? Como uma narração metafórica, simbólica, e não histórica? Ou terá existido mesmo um homem, de uma sinagoga, chamado Jairo que teve uma filha morta ressuscitada pelo Mestre Jesus?
Vamos partir do pressuposto de que este é um relato histórico, apenas para levarmos em frente nosso raciocínio.
Se assim é, estamos diante da realização de feitos, nos moldes atuais, inexplicáveis, ou por outra, sobrenaturais.
A maioria dos religiosos tendem a não tentar explicar tais coisas, alegando que não são compreensíveis já que são milagres, e só o Cristo tinha tal poder, sendo como era o Filho de Deus, aliás, o único Filho de Deus.
Vejam, Rosacruzes não pensam desta forma.
Acostumados as técnicas dos Essênios, descritas no sexto grau de templo da Ordem, os rosacruzes sabem que é possível para qualquer pessoa dedicada e que estude e pratique as técnicas, realizar curas que são aparentemente milagrosas com o uso de uma abordagem original do problema da doença. Trata-se apenas de um conhecimento, de uma técnica, reprodutível e possível de ser partilhada.

Além disso, creio que o uso de antibióticos modernos em infecções do passado, se possível, também pareceria um milagre a quem não o compreendesse como produto do conhecimento.
Portanto, para o estudante rosacruz, os feitos do Cristo, Jesus, não estavam apenas ligados a sua filiação divina, já que, para os místicos, todos nós temos a mesma filiação divina, tenhamos uma maior ou menor consciência disso, mas também ao fato de que ele possuía um conhecimento diferenciado de como realizar estas curas. Somos, deste modo, todos nós seres humanos, em toda a face da Terra, tão filhos do mesmo Deus quanto o Cristo Jesus. A luz que o iluminava e ilumina também ilumina a todos nós e a grande diferença entre nós é a nossa consciência desta luz, a nossa crença de que somos menos luminosos do que ele, ou de que Deus não está dentro de nós como estava e está dentro do Cristo.
Superar esta crença discriminatória é parte do processo deseducador positivo do ensinamento místico, que retira de nós certas crenças e as substitui por outras, entre elas a crença de que cada homem e cada mulher, sobre a face da Terra, tem dentro de si o mesmo poder e a mesma presença de Deus que o Cristo exibia em seus feitos.
É necessário descondicionar as pessoas de sua baixa auto estima, de sua crença na sua inferioridade espiritual, recuperar nelas a noção de que todos nós somos príncipes por nossa origem e que devemos deixar aflorar em nós esta nobreza espiritual que se manifestava em Jesus.
Por outro lado, a fé como conexão é uma chave possível de se desenvolver por esta Nova Educação que é dada nas escolas de Mistério, já que podemos trabalhar a sensibilidade das pessoas e melhorá-la, não pela repetição mecânica de cantos ou hinos, mas pela busca incessante desta força em nosso interior, seja pela prática da introspecção e da meditação, seja pela prática da Intuição no dia a dia. Podemos através deste método, pouco a pouco, recuperar a capacidade de ouvir a Voz Interna, a Voz do Mestre Interior, e perceber que temos uma conexão permanente com a Fonte de Todas as Coisas, e que só parecemos não tê-la por que fomos levados pela educação a crer nisso. Nossas convicções são fruto de nossa educação e se estamos hoje convictos de todo tipo de tolices depressivas e auto depreciativas do ponto de vista espiritual isto é produto direto da educação nefasta que as diversas religiões lançaram sobre as massas, reforçando entre elas a idéia de que só o Cristo pode fazer certas coisas, embora Ele mesmo nos lembrasse, a todo instante, de que "é nossa fé que nos cura" e não ele , o Cristo.
Mas o que essa Fé de que ele fala?, perguntemos novamente. Não se trata, com certeza de uma mera crença sem fundamento nem daquilo que chamamos de crendices, produtos da ignorância.
Em uma monografia de grau elevado, Spencer Lewis diz: 


"O Estudante que alcançou o estágio da Iluminação vê-se em "verdes pastos". Para o místico, esse estágio é semelhante ao de outros dedicados a suas igrejas e a sua Bíblia, e tem suas armadilhas. Para essa boa gente , tudo o que acontece é da Vontade de Deus. Num filme intitulado A Cidadela, um jovem médico está assistindo uma paciente em um parto e o bebê é natimorto. O método usual (pancadas) não provoca a respiração do pequeno corpo. O médico passa então a usar métodos científicos. A velha avó que está observando diz: "Deixa estar, é a vontade de Deus". Quando o médico, finalmente, soprou nas narinas do bebê e este chorou, a velha acreditou que acontecera um milagre. O estudante também tende a deixar tudo ao Deus Interior e mergulhar numa segurança perniciosa, que impede o progresso. É por isso que os ensinamentos rosacruzes enfatizam a necessidade de exercícios diários formadores de hábitos, bem como do uso e teste de princípios e leis na vida diária. Este método leva o estudante a fazer mais esforço, que ativa a imaginação do corpo psíquico, divinamente concedida".

Este é um 
aspecto importante . O treino desfaz crenças em limitações acerca do que podemos ou não podemos fazer, e também nos habilita a fazer coisas que para outros pareceriam milagres. Além disso nos liberta da falsa idéia de que nada precisamos fazer para nos aprimorar. O trabalho de auto aperfeiçoamento é fundamental.
No caso do Cristo, é notório o fato de que o período entre os treze anos quando ele dá aulas aos doutos da Sinagoga, e os 30 anos, quando ele começa o seu Ministério, são até hoje um mistério. O próprio Spencer Lewis fala em outro livro, sobre a estada do Cristo em contato e aprendizado com os Essênios e com as escolas egípcias de Mistério, aonde desenvolveu as habilidades que exibiria na Palestina, e que aos seus contemporâneos pareceram milagres, ou seja, a realização de coisas aparentemente impossíveis, quando talvez fossem apenas a aplicação de princípios terapêuticos que todos nós, desde que interessados e dedicados a isto, pudéssemos aprender.
Por isso o estudante rosacruz lê o Evangelho com outros olhos. Ele quer entender a mensagem nas entrelinhas, e esta mensagem, neste caso específico, é a mensagem de que a crença, a Fé, é a base de feitos extraordinários.
E, novamente, que fé é esta? Aparentemente, trata-se de uma mudança de postura em face a realidade, a compreensão, hoje tão fácil de entender, nesta era quântica, de que o Observador muda o que é Observado.
A física quântica, ao afirmar que as partículas tendem a ter comportamentos diferentes se estiverem ou não sendo observadas[1], gerou grande interesse em físicos, mas também confirmou antigas expectativas dos místicos.
Até que estas observações fossem feitas, falar que o olhar modifica a paisagem referia-se apenas a aspectos psicológicos, ou estéticos, de forma que se entendia que "cada pessoa veria um mundo diferente de acordo com sua capacidade pessoal". Após o trabalho de Louis de Broglie, em 1924, o mundo, como o conhecíamos, desapareceu, para surgir outro em que a estabilidade da matéria foi substituída por uma instabilidade permanente, dependendo do momento e das circunstâncias. Embora os trabalhos de Broglie e Planck sejam da década dos anos 20 do século passado, até hoje a sociedade ainda não absorveu totalmente o que foi por eles descoberto, de que o mundo não é nem nunca foi estável e sólido, mas um emaranhado de campos e partículas instáveis , sujeitas a mudanças de comportamentos constantes.





Louis-Victor-Pierre-Raymond, 7.º duque de Broglie


Portanto, cabe a pergunta: a Fé, a crença em um estado diferente daquele que contemplamos, pode influenciar e modificar mesmo a situação contemplada? 
Tudo indica que sim.
A ignorância sobre outras possibilidades, pode fazer com que creiamos que nada há a fazer em determinada situação e que por isso, por causa desta crença nefasta, nos omitamos e aceitemos situações perfeitamente reversíveis como inevitáveis? Ao que parece, também é verdade.
Não só o conhecimento, mas a mudança de atitude mental em relação a existência, tendem a ter um efeito transformador e 
avassalador da realidade dada.
Além disso, o conhecimento místico, das técnicas místicas, só pode ser desenvolvido depois desta mudança de atitude mental. É preciso livrar-se da falsa concepção de que tudo que necessitamos saber está na ciência ortodoxa ou no conhecimento esotérico, para passarmos a um novo patamar em que tudo que pudermos aprender da ciência ortodoxa é apenas uma parte do que precisamos saber e não a totalidade do conhecimento, entendendo que esoterismo e ciência devem andar de mãos dadas e serem entendidos como um único e mesmo campo de conhecimento.
O mais importante: é preciso crer na possibilidade de novas realidades, não apenas naquelas que são possíveis, mas também naquelas que são imagináveis ou que podem ser intuídas.
Já foi dito que "tudo que o homem puder imaginar ele é capaz de fazer", e com certeza isto é verdade.
Grandes cientistas, artistas e místicos concordam quanto a isto. O fato de que, a cada dia, estarmos materializando idéias que antes eram chamadas de "pura ficção" é a prova disso.
Mais importante do que isso, no entanto, é a mudança de atitude mental em relação a realidade.
A Fé que cura é aquela que representa uma mudança de atitude mental, um entregar-se a um estado de união com o Deus Interior, uma confiança na Providência Divina, que não significa, como lembrou Spencer Lewis, o abandono da compreensão de que "todos os acontecimentos fabulosos são produto do preparo e do conhecimento, fruto do treino e da preparação pessoal" e não de um fenômeno sobrenatural, mas sim a percepção de que existe em nós uma fonte de conhecimento e poder que pode ser acessada em momentos especiais de grande angústia e necessidade, real necessidade, a qual pode, se acionada, exercer sobre o real ao nosso redor um efeito transformador quântico que modifica o mundo palpável de acordo com nossa vontade e desejo, força que o Cristo chamou, de modo simples, de Fé.
Mais que uma crença, trata-se de uma convicção, de uma mudança de patamar psicológico.
Não se trata mais de uma mera maneira de ver o mundo, mas de uma certeza inabalável, do vivenciar intimamente uma percepção deste mundo a tal ponto de que nada possa se interpor entre o que acreditamos ser real e o real.
Este é o caso de Jairo e da mulher da história bíblica.
Crer, na simplicidade da fala do Cristo, é vivenciar uma nova realidade dentro de nós com extrema intensidade, só possível quando acelerada e magnificada pela emoção e pelo amor ( o medo da morte e da doença na mulher e o amor de pai em Jairo).
Não se trata, portanto, de um processo meramente racional.

É algo muito mais intenso, e provavelmente só pode ser mobilizado com segurança em condições muito especiais e justas, como quando visamos o bem daqueles que amamos, ou sentimos uma certeza da providência Divina inabalável.
O Amor é uma energia importante neste desencadear da Fé. 

As águas da Fé só fervem e se elevam em vapor santo à Deus, movidas e aquecidas pelo fogo do Amor Incondicional.
Aos rosacruzes é importante o esclarecer destes passos. É a natureza do ensinamento rosacruz compreender o mecanismo interno de cada acontecimento do Universo, seja natural ou aparentemente sobrenatural, para que, antes de tudo, possa ser reproduzido, como se espera que seja.
O Cristo tentou ensinar a todos que todos poderiam ser como Ele. 

Durante séculos a Igreja tentou provar o contrário, convencendo a maioria dos seres humanos de que só o Cristo era daquela forma e que nenhum de nós poderíamos ser como ele, já que só ele era filho de Deus.
A Fé transformadora portanto, que ele nos recomendava no Evangelho, foi reduzida de técnica poderosa de fusão com Deus em uma mera crença sem fundamento.
É função da natureza do pensamento rosacruciano desfazer este equívoco e restaurar a força da mensagem do Cristo, tanto de poder como de esperança, de que todos os homens podem fazer milagres desde que permitam que esta energia que se encontra no fundo de todos nós se manifeste livremente, movida por um amor intenso a tudo que existe, a alguém por quem temos um amor sublime, ou pelo menos pelo Amor a própria Vida.



[1] A dualidade onda-partícula, também denominada dualidade onda-corpúsculo ou dualidade matéria-energia, constitui uma propriedade básica dos entes físicos em dimensões atômicas - e por tal descritos pela mecânica quântica - que consiste na capacidade dos entes físicos subatômicos de se comportarem ou terem propriedades tanto de partículas como de ondas 1 . A dualidade partícula-onda foi enunciada pela primeira vez, em 1924, pelo físico francês Louis-Victor de Broglie, que anunciou que os elétrons apresentavam características tanto ondulatórias como corpusculares, comportando-se de um ou outro modo dependendo do experimento específico. A experiência de Young (experiência da dupla fenda) exemplifica de maneira sensível o comportamento ondulatório do elétron; e pelo que já se conhecia do mesmo como partícula - a citarem-se os experimentos realizados com o tubo de Crookes, e outros - a dualidade onda partícula deste ente: difração em fenda dupla é uma propriedade notoriamente ondulatória. De Broglie fundou seu raciocínio inicialmente na intuição e nos conhecimentos acerca do efeito fotoeléctrico para chegar a esta conclusão. Durante seus estudos acerca do efeito fotoelétrico - estudo que lhe rendeu o prêmio nobel - Albert Einstein havia concluído que os fótons que atuavam no efeito fotoelétrico exibiam todas as propriedades esperadas de um feixe de partículas, comportando-se cada qual como uma partículas com energia E=h•f, onde f representa a frequência de onda da onda eletromagnética associada aos fótons em consideração. Einstein concluiu desta forma que, em determinados processos, as ondas se comportam como se corpúsculos fossem. De Broglie imaginou então o inverso, ou seja, se ondas se comportam como partículas, porque não esperar que partícula se comportem como ondas? Levando sua ideia a cabo e confrontando-a com dados empíricos o físico francês foi capaz de relacionar com sucesso o comprimento de onda associado ao comportamento ondulatório da "partícula" com a massa da referida "partícula" mediante a formula λ=h/P, onde P representa o módulo do vetor quantidade de movimento , ou seja, o produto da massa pelo módulo da velocidade (m•v) do ente; h representa a constante de Constante de Planck, e 'λ', o comprimento de onda associado. Observando-se a fórmula verifica-se facilmente que, à medida que a massa ou sua velocidade aumenta, diminui consideravelmente o comprimento de onda. Os corpos macroscópicos têm associada uma onda, porém a massa é tão grande que se pode afirmar que apresenta um comprimento de onda desprezível, porém não nulo. Embora no mundo macroscópico tais efeitos ondulatórios sejam por tal imperceptíveis, no mundo subatômico estes certamente não o são, e por tal, na hora de se falar sobre "partículas" atômicas é muito importante se considerar a dualidade - já que o comportamento ondulatório determinado pelo comprimento de onda que possuem é a única forma de se explicar muitos de seus fenômenos. Alguns propõem explorando os recursos de linguagem (neologismo) que não se tem "partículas" e "ondas" no mundo quântico, e sim apenas "partículas-onda" - entes físicos que se comportam ora como partícula, ora como onda. A dualidade onda-partícula estendeu o conceito de relação de dispersão antes presente em ondulatória ao âmbito da mecânica.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dualidade_onda-corp%C3%BAsculo