Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

terça-feira, 14 de maio de 2013

OMISSÃO E AÇÃO NA VIDA DO INICIADO E A VERTICALIDADE ROSACRUCIANA X A HORIZONTALIDADE MAÇÔNICA


por Mario Sales, FRC, SI, CRC




Talvez eu devesse esperar e fazer dois comentários, dois ensaios diferentes sobre estes temas mas a idade aos poucos cobra o preço da memória e quero compartilhar essas reflexões, movido pelo frescor das conversas.
Fernando acabou há pouco de sair daqui de casa. Veio para uma visita fraterna e como sempre, os assuntos caem nos caminhos do Iniciado, e nos caminhos das duas Ordens que veneramos, eu a Rosacruz e ele, a Maçonaria.
Primeiro fizemos considerações sobre os problemas da vida cotidiana, os problemas pessoais e o Carma de cada um, um tema inesgotável, alimentado pelas experiências pessoais.
Concordamos quanto ao fato de que a "Vontade de Deus", também conhecida como "Os Fatos da Vida", não poder ser contestada, e a necessidade do Iniciado lidar com as intempéries e vicissitudes da existência, aceitando-as com resignação diante de sua inevitabilidade. Só que também concordamos em que, embora não haja como contestar a "Vontade de Deus", a qual, por puro bom senso, devemos aceitar, devemos concomitante a isto tudo fazer no intuito de melhorar o desfecho dos acontecimentos, negando o estigma do Fatalismo, da idéia de que certas coisas "não tem jeito", e lutar, consciente, racional e equilibradamente com todas as forças em nosso poder para alterar para melhor os acontecimentos que, independente de nossa vontade, nos atingem.
É como se disséssemos: existe a inexorável força dos acontecimentos com os quais temos de lidar e existe a ação que desencadeamos sobre estes fatos, de forma que a resultante é o acontecimento, digamos assim, não mais em forma de Pedra Bruta, mas sim de Pedra Polida.
Didatizei então o tema com o exemplo do navegador de um barco a vela.
Ele tem, enquanto navegador forças involuntárias e voluntárias com as quais lidar. Sobre o barco agem o Vento e as correntes marinhas, as quais ele não controla; e além disso tem o timão, este sim, que ele pode manejar.
O curso do barco será a resultante do encontro destas três forças que juntas agem sobre a embarcação, e que não serão controladas necessariamente, mas administradas, de forma a que a embarcação atinja o porto com a segurança e precisão possíveis e desejáveis.


Viver é navegar um barco a vela, nessas condições. Existem coisas que não podemos mudar e coisas que podemos alterar, e que agirão juntamente com as outras forças do Universo na busca de uma resultante final, a melhor possível para nós. Observem que, se eu não posso criar correntes ou ventos favoráveis, posso ao menos antecipar as condições do clima naquela parte específica do Oceano, me valendo da experiência de outros navegadores. Todas as informações que eu puder ter acesso, colhidas no passado por antigos navegadores, são bóias que me ajudam a navegar melhor.
Esta é a importância do Conhecimento da Tradição, o qual facilita a navegação, mas não rouba a aventura da jornada.

Horizontalidade Maçônica e Verticalidade Rosacruz

Depois falamos sobre o foco das duas Ordens. Falamos da famigerada horizontalidade da maçonaria e da conhecida verticalidade da AMORC, aonde a Hierarquia é mais rígida e aonde as condições de discussão livre de idéias cada vez mais se tornam escassas.
Comentei com ele que precisamos, nós rosacruzes, recobrar a horizontalidade fraterna que nos caracterizou ao longo dos séculos, precisamos nos desfazer do medo de punições pela expressão livre de nossas posições e lembrar que a Verticalidade sem a Horizontalidade não forma a Cruz sobre a qual repousa a nossa Rosa.
Isso me preocupa muito. Conversei com ele muito sobre a característica  dos maçons de se visitarem, o que não acontece com os rosacruzes. Não sei em outras partes do país, por que a Rosacruz tende a ter o perfil de cada região, mas aqui em São Paulo, embora exista camaradagem entre os frateres não há a sociabilização que é comum entre os maçons. Não que não haja esforço para isso, sempre dos mesmos rosacruzes, que sustentam as colunas de seus corpos afiliados. Promovem festas, encontros , churrascos. Mas são eventos preparados, trabalhados, eventualmente muito bem, sucedidos, mas que não garantem que, mesmo que o evento seja bem sucedido, no dia a dia esta mesma camaradagem seja mantida, e a convivência seja tão intensa fora dos corpos afiliados como dentro deles.
Não sei como está no Rio de Janeiro, no Nordeste, em Paris ou em Quebec.
Só sei que tantos na Maçonaria, na Amorc e no Martinismo, os números continuam diminuindo, tanto na frequência às Lojas, Heptadas e Corpos Afiliados, quanto no interesse na sociabilização e na formação de uma egrégora sólida.
O que fazer? Horizontalizar a prática rosacruz seria bom, mas não suficiente, embora melhorasse o relacionamento profano entre os muitos iniciados da Ordem Rosacruz e da TOM, a Tradicional Ordem Martinista.
E o problema não é exclusivo das Ordens Iniciáticas mas das associações de serviço como o Lions e o Rotary.
Os relacionamentos humanos estão se esgarçando como um tecido que se rasga.
Precisamos reavaliar as estratégias de consolidação de nossas afiliações, precisamos dar atenção ao membro de modo quase individual. Só a informática pode fazer isso, se bem usada, na minha opinião.



Se o Grande Mestre de uma Potência Maçônica não pode visitar todas as Lojas de sua Jurisdição, institua-se a Vídeo conferência simultânea via Skype para todas as Lojas que se reúnem às segundas, às terças, às quartas ou em qualquer dia.
Se o Grande Mestre da AMORC e da TOM quer contato rápido e pessoal com seus corpos afiliados e Heptadas que faça o mesmo, na mesma noite, sem precisar se deslocar de Curitiba.
Estamos no século XXI. Novas estratégias devem ser pensadas, para que a Egrégora não se desfaça pouco a pouco, vítima de pouca agilidade administrativa, e da lentidão de procedimentos, hoje , graças a Tecnologia, absolutamente obsoletos e desnecessários.