Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 19 de junho de 2011

COISAS ESCONDIDAS EM UM IPAD



Por Mario Sales, frc.: ;S.:i.:; M.:M.:


Uma das coisas mais corriqueiras de se ouvir de alguém que compre um produto Apple é: “Como uso isso?” Os produtos imaginados e comercializados pela empresa de Steve Jobs são tão diferenciados que realmente significam um outro mundo, um outro universo para quem está habituado ao uso dos aparelhos com software Windows. Eu nunca usei um computador ou aparelho tipo iPod, da Apple, embora minha filha mais nova já tenha tido dois.
Foi por isso que uma minirevolução ocorreu comigo ao manipular nos últimos 30 dias um iPad (1, é bem verdade) que comprei de um amigo.

Principalmente ao descobrir o IMO, um aplicativo Apple que permite condensar em um único serviço todos os meus comunicadores instantâneos, desde os Messengers da Microsoft, até o Skype, agora também deles, como o Yahoo Messenger que há anos eu não mexia, e, pasmem, meu antigo ICQ, esse morto e enterrado, um Lázaro ressuscitado pelo IMO. Tudo na mesma coluna, no mesmo espaço da tela.

Muito legal.
O mais legal ainda estava por vir.
A conseqüência imediata de usar um produto Apple é ficar atrelado a Loja e ao intermediário dos produtos para aparelhos Apple, o iTunes.

E, entre as inúmeras coisas que através do iTunes estão disponíveis para os usuários Apple estão centenas de podcasts [1], acerca dos mais variados assuntos e divididos por temas desde Arte até Religião. POD é uma abreviação de Personal On Demand,( ver nota de rodapé) ou seja, um produto disponibilizado de acordo com o interesse de seus usuários, talvez a revolução mais importante que a internet provocou com a sua chegada há 15 anos.
A rede pulverizou os gostos os interesses e as ofertas de produtos artísticos e destruiu monopólios culturais. Tudo na internet é oferecido On Demand, de acordo com o interesse de quem procura e no momento que o indivíduo quer.
Lembro-me que não fazem muitos anos, o país parava às 8 horas da noite para assistir o jornal nacional da rede globo, considerado referencia de jornalismo por décadas.
Com a pulverização das notícias através da rede, tudo isso desapareceu e hoje a queda de audiência do Jornalzão das 8 da Noite é notória. Quando o telejornal começa, a maioria das informações já foram repassadas pela rede em tempo real.
É como em uma cidade pequena, bem pequena, em que todos sabem das notícias na praça, pelo boca a boca, antes de serem publicadas pelo único jornal local.
A internet transformou o mundo em uma grande praça em que todos, ou pelo menos quase todos, conversam todo o tempo, sobre tudo, sem parar. Uns vão deitar e outros acordam e a conversa continua com interlocutores diferentes.
Os podcasts são assim: programas acerca de assuntos os mais variados e que interessam não a todos, mas a certos segmentos de ouvintes que se tornarão assíduos em acompanhá-los, desde que a abordagem seja afinizada com seu gosto e perfil.
E no iTunes, por causa do iPad, eu comecei a fazer downloads de alguns desses podcasts, de acordo com meu interesse.
Achei algumas preciosidades para quem é Rosacruz, por exemplo, na rubrica de Espiritualidade, podcasts da Grande Loja Espanhola da AMORC, sobre o Sanctum Celestial; podcasts com gravações de música clássica e oficinas acerca da composição, em português, sobre Beethoven e a 9a sinfonia, pela OSESP, a Orquestra Sinfonica do Estado de Saõ Paulo, ou em alemão, sobre uma cantata de Bach, gravada na Alemanha.
A melhor descoberta entre os podcasts foi no entanto a que fiz hoje de manhã.
Ontem a noite cheguei tarde em casa e cansado por uma viagem de 6 horas, de ida e volta até o Conservatório onde minha filha mais velha estuda piano.
Dei uma olhada nos títulos e deixei o download ser feito enquanto eu dormia.
Hoje pela manhã, fui dar uma olhada em um programa chamado Café Brasil, disponibilizado via algumas rádios e já no episódio de número 50, mas que eu nunca tinha ouvido.
O tema que escolhi foi “Esta tal de Espiritualidade”.
Não esperava a qualidade que encontrei.
Capitaneado por Luciano Dias Pires Filho (nascido em Bauru, 1956) é um escritor e cartunista brasileiro, o programa esta disponível também no endereço http://www.lucianopires.com.br/cafebrasil/podcast/ o programa é um primor de bom gosto e brasilianismo, produzido com o auxílio do Itaú Cultural.
Luciano Pires

Não quero falar mais pra não estragar a surpresa.
Espero que tenham a mesma impressão que eu tive.
E se deliciem com mais esta dádiva a qual só tive acesso fuçando neste esotérico iPad.


[1] Podcast é o nome dado ao arquivo de áudio digital, geralmente em formato MP3 ou AAC (este último pode conter imagens estáticas e links), publicado através de podcasting na internet e atualizado via RSS. Também pode se referir a série de episódios de algum programa quanto à forma em que este é distribuído. A palavra é uma junção de iPod ou de "Personal On Demand" (numa tradução literal, algo pessoal e sob demanda) e broadcast (transmissão de rádio ou televisão). O podcast em vídeo chama-se "videocast", geralmente em arquivo formato MP4.