Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

OS JOVENS ESTUDANDO FILOSOFIA


Por Mario Sales, FRC.:,S.:I.:,M.:M.:

A Filosofia, como todos sabem, voltou a ser parte da grade curricular. Os jovens de forma ainda desigual, em várias partes do país, estão retomando o contato com a arte e a ciência do pensar, a base para a verdadeira liberdade, a liberdade do pensamento.
Eu sou um fuçador do You Tube.
Neste feriado, fuçando, descobri vários vídeos com um fundo musical muito legal, feitos por jovens, (como demonstram os créditos de cada um e os erros de português até divertidos, como escrever “emperismo” e não “empirismo”)o que em si em nada diminui a importância deste esforço de conhecer a terceira fase do caminhar filosófico humano, a Filosofia Moderna, que fundamenta a civilização como hoje a conhecemos.
A grosso modo, a história da filosofia é dividida em períodos relacionados a grandes direções que o pensamento humano buscou em certas épocas.
No princípio eram os Jônios, pensadores como Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, Demócrito, Heráclito de Éfeso ou Parmênides de Eléia, e , claro, o grande Empédocles, médico e místico. Este é o grupo que iniciou esta caminhada, de forma inexplicável, no século VI AC. E como vieram antes de Sócrates, referência histórica do pensamento humano, são chamados de pensadores pré-socráticos.



Depois vem o período clássico, com os Sofistas, e o maior dentre todos os Sofistas, Sócrates, que revê o método sofístico e o modifica, transformando-o em método filosófico, a busca da verdade. Seus seguidores são Platão, o de “costas largas”, daí seu apelido, Platão, e seu discípulo, Aristóteles, cujo nome é uma homenagem ao mestre, que tinha o mesmo nome.
Juntos formam o período clássico da filosofia.
Este conjunto forma a Filosofia Antiga, dos pré-socráticos à queda do império Romano, que inicia o período Medieval, filosofia antiga esta que sempre será o alicerce do exercício da razão. “Quando em dúvida, vá aos gregos” ensinavam meus professores.
À filosofia antiga sucede o período medieval, marcado fortemente pelo pensamento aristotélico e cristão e fundamentado no estudo de um único livro, não só considerado sagrado, mas também consagrado como fonte de discussões e teses por centenas de anos: a Bíblia.
Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Pedro Abelardo, são nomes importantes deste período, onde o pensamento esteve atado a considerações metafísicas de muitas maneiras pouco práticas, mas que serviram para exercitar a mente e prepará-la para vôos mais altos, na fase seguinte, chamada Era Moderna.
Muitos admitem que Renée Descartes, rosacruz, é o fundador deste período, chamado também de Período Racional, juntamente com Francis Bacon, também rosacruz. Dessa forma, os rosacruzes, através de seus pensadores, deram ao mundo uma nova perspectiva que criou, juntamente com os trabalhos de Galileu, os fundamentos da Ciência Moderna como a conhecemos.
Lembro-me de uma conversa com José Américo Mota Pessanha, durante uma aula em que falava do pensamento de Hegel, com suas sínteses e antíteses, onde fiz uma intervenção , perguntando ao grande mestre(e organizador da coleção Os Pensadores, da Abril, marco do trabalho de educação em Filosofia no país), se o problema da sociedade era não conseguir pensar pelo menos como Hegel já ensinara. Ele me respondeu que não, o problema era mais grave, a maioria dos seres humanos não conseguiam pensar nem como Aristóteles, faltava-lhes elementos básicos da existência que já estavam presentes no pensamento do grande pensador grego, século 4 para 3 antes de Cristo.
Por isso, consciente da gravidade da situação da qualidade do pensamento em nosso país e, óbvio, em todo o mundo, onde a simplicidade de espírito, no mau sentido, garante o crescimento do pensamento terrorista e fundamentalista de um lado e alimenta o superficialismo e o consumismo de outro, fiquei encantado em ver as crianças de hoje esforçando-se em trabalhos escolares para rever os fundamentos do pensamento cartesiano, a saber: Verificação, Análise, Síntese e Enumeração.
Selecionei os vídeos, um deles da PUC do Paraná, e reproduzo aqui no blog. Além de falarem de um dos rosacruzes mais importantes da história da humanidade, pouco compreendido até dentro da nossa própria Ordem, refletem um esforço, que eu sei, deixa marcas em quem o empreende e pode ser, espero, o sinal de que ao longo dos anos toda este lixo cultural midiático pode vir a ser substituído por um pensamento mais sólido e fundamentado. Talvez, quem sabe, consigamos começar a pensar, ao menos, no mesmo nível de 1500, quando Renée Descartes elaborou seus pensamentos e seu método.