Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 17 de março de 2012

A PAZ PROFUNDA DOS SÁBIOS SERENOS

Em homenagem às comemorações do Ano Novo Rosacruz 3365
por Mario Sales FRC.:,S.:I.:,M.:M.:





Rosacruzes em todo mundo tem o hábito de se cumprimentarem desejando paz profunda uns aos outros.
A razão desta prática é a convicção de que a busca deste estado de paz interior é o Verdadeiro Cálice Sagrado da senda mística, ou em inglês, o “Hole Graal”.
Viver dentro da carne é extremamente complexo fazendo com que tenhamos a necessidade de dia após dia nos desdobrarmos física e psicologicamente para superar os desafios principalmente emocionais que a vida nos oferece.
Diante destas demandas, não temos aparentemente nenhuma garantia de sucesso e a reação mais imediata é o medo, a sensação de estarmos expostos a alguma ameaça que nos destruirá.
A vida mística ensina que esta sensação de ameaça é semelhante àquela que sentiram os primeiros expectadores de um filme, “A Chegada de um Trem na Estação”, dos irmãos Lumiére, em 1895.




Consta que ao ver as imagens que duram 50 segundos, com um fundo musical absolutamente ingênuo, mesmo assim alguns se levantaram assustados supondo que a locomotiva invadisse a sala de projeção.
O que hoje nos causa um sorriso no canto da boca, na época fazia todo o sentido. O grau de ilusão conseguido era absolutamente inédito e, portanto, suficientemente impactante para provocar o receio de todos.
O grau de crença na ilusão a nossa frente é diretamente proporcional à intensidade do sofrimento psicológico resultante.
Assim, da mesma maneira, embora em misticismo gostemos de dizer, como os místicos hindus, de que tudo é Ilusão, que a Vida como a conhecemos não passa de um jogo de sombras, este “jogo de sombras” tem tamanha densidade e realidade para nós e nos envolve de maneira tão intensa que provoca em nós reações emocionais proporcionais à realidade que lhe conferimos.
Ilusão ou não, a vida às vêzes nos assusta.
Daí que, se não é possível sair da experiência, é preciso aprender a desfrutá-la. E isso só é possível quando, para combater a crença arraigada de que estamos sob ameaça, nos fortalecemos com uma outra crença, aquela de que nada nos é hostil e de que, realmente, tudo a nossa volta só visa nosso aperfeiçoamento moral e espiritual.
No início é apenas isso, uma crença contra outra.
Da mesma maneira que a sensação ilusória de ameaça da Vida cotidiana, a sensação de fé em uma existência benéfica é no princípio algo puramente intelectual, sem a consolidação da experiência interna.
Só com o passar dos anos e a vivência de algumas experiências interiores, que chamaremos de Iniciações, o buscador vai internalizando a consciência de que realmente, nada se interpõe entre ele e a felicidade.
A ponte entre o Medo e a Ausência de Medo é a Serenidade. Esta é construída, lentamente, pela materialização interna de um estado de paz.
Não a paz dos cemitérios, não a paz dos silêncios da Língua, não a paz da ausência dos desafios, da inércia, mas a paz que se manifesta na lida contente com o cotidiano, a paz do amor a existência, a paz da confiança no Universo e em suas leis.
Esta não é uma paz superficial. Esta é a Paz Profunda que só pode ser conseguida através da Serenidade, da mesma maneira que só a Serenidade pode gerar um estado de Paz Profunda.
Uma e outra são a mesma coisa.
Sereno é o ser humano em estado de Imperturbabilidade.




Sereno é aquele que não sofre grandes mudanças internas enquanto tudo a sua volta não pára de se modificar.
Sereno é o indivíduo que contempla com equanimidade o ir e vir das Ondas do Oceano da Existência, cônscio de que esta oscilação é própria e constitucional deste plano de manifestação e não um problema a ser resolvido.Olhar o mar durante algum tempo é uma boa maneira de entender o que é ser sereno em meio à Vida e à Existência Mundana.


O movimento ininterrupto das águas é semelhante ao movimento ininterrupto da história humana, que passa ante nossos olhos como o mar que contemplamos.
Somos todos observadores, testemunhas oculares de acontecimentos que aparentemente fogem ao nosso controle e que seguem leis que não criamos e as quais não temos como modificar.
Sentados na areia, tudo que podemos fazer é observar este movimento e tentar entendê-lo, tentar estudá-lo, até que, atingindo a compreensão de sua natureza, possamos até antecipar suas aparentemente imprevisíveis variações.
Porque com o tempo aprendemos que até o Caos tem sua própria Ordem, seu próprio Modus Operandi interior e que o que nos parece Caótico, muitas das vêzes, é aquilo que não conhecemos e que não compreendemos.
Observar e aprender. Esta é a lei.
Observar com Atenção e Serenidade. Isto é tudo que importa.
Nada que nos cerca ou que nos aconteça tem outra finalidade, como uma peça que se desenrola para uma plateia de apenas um expectador.
Quem presta atenção com todas as fibras de seu ser ao que ocorre à sua frente não tem como sentir medo.
Não existe espaço para o medo aonde a curiosidade genuína e a vontade de compreender ocuparam o espaço interno.
Esta troca de sentimentos, esta qualificação de atitude diante dos fatos à nossa frente muda toda a natureza da experiência.
Para isso, inicialmente, é preciso mudar a compreensão do que ocorre, entendendo que os fatos fazem parte de um espetáculo, de um enredo didático, e que toda a experiência que vivenciarmos é antes de tudo de caráter estético.


Sim, é preciso ver a beleza da Vida antes de se interessar por ela, pois, me perdoem os depressivos, ver a beleza da Existência é fundamental.
É a beleza que nos atrai, que nos chama a atenção para os movimentos da existência a nossa frente.
Quem não pode ver esta beleza precisa esfregar os olhos ou mudar de óculos.
Ou chegar mais perto do palco. 
Não está apto nem atento o suficiente para acompanhar adequadamente o espetáculo.
E neste particular a atenção é essencial.
Serenidade não é apenas a consequência da calma, mas também do prazer. Sem prazer na existência, o prazer do desfrute, o prazer daqueles que sabem que esta é uma experiência de beleza e deleite, não há como sentir-se sereno.


Esta é a equação da sabedoria, portanto: Calma+Atenção= Percepção da Beleza da Vida. De forma que Percepção da Beleza da Vida + Deleite= Serenidade.
Esta serenidade é que garante a Paz Profunda. A mesma Paz Profunda que todos os Rosacruzes desejam uns aos outros.
Que todos a conheçamos algum dia.
Assim Seja.