Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 18 de agosto de 2012

A RAZÃO NÃO MERECE CONFIANÇA


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)

Jean Jacques Rousseau


Fernando Monteiro, frater de Pernambuco e amigo, me manda email reclamando que eu tenho escrito pouco.
Admito que fui descoberto.
Quando posto vídeos no blog existem duas razões principais: a primeira a vontade de compartilhar imagens e idéias, o que simboliza o espírito deste espaço; a outra é a mais óbvia, o fato de que a inspiração ou a ausência de provocações me deixam desmotivado para a o texto e para o exercício da reflexão.
Não sei se voces são assim, mas eu funciono melhor se sou desafiado, da mesma maneira que este email de Fernando me fez sentar aqui em frente ao teclado e começar a sair desta inércia.
E para quebrar o silêncio ( tema que ele me propôs, o Silêncio, que não atenderei porque já trabalhei a idéia, aliás , nas últimas semanas, o texto mais lido deste blog, como comprova o ranking automático à direita), tenho a intenção de discutir um tema que se tornou recorrente no final do século passado nos meios filosóficos e que tem a maior importância para a vida mística: a insegurança de fundamentar nossa intervenção no mundo apenas em critérios racionais.
Pode parecer estranho ao comum dos mortais que filósofos e pensadores, ou seja, habitantes do mundo dos textos e das argumentações e contra argumentações, possam ter dúvidas sobre a eficácia deste instrumento, o pensamento racional. Só que este questionamento é muito mais antigo do que supõe nosso entendimento.
Basta revisar a história da filosofia e vamos encontrar em Jean Jacques Rousseau o mesmo tipo de crítica e de análise, pondo em dúvida se a razão nos deu ou não um mundo melhor e concluindo, ao fim e ao cabo, que não, que a razão só nos tornou no mau sentido mais espertos, velhacos, capazes de dar ao toque de um conjunto de argumentos, respeitabilidade a quaisquer tipo de ideologias, as mais loucas que fossem.
Ele antecipava a odisséia nazista e sua campanha racional e organizada de extermínio sistemático do povo judeu.
Antecipou também uma ciência, matemática e experimentalmente fundamentada, que foi capaz de construir a maior e mais devastadora arma conhecida pela humanidade, a mesma que devastou Hiroshima e Nagasaqui no Japão.
A razão, no entanto, (argumentará a própria razão em si), não é apenas um instrumento para o mal e para a devastação. Ela dá ao homem ordem e sistema em sua experiência na Terra. Ela produziu inúmeras obras de rara beleza,textos filosóficos belíssimos, que nos inspiram até hoje.
Sim, em parte é verdade.
Porque se formos críticos como um bom pensador racional é, a produção de beleza e harmonia não se deve à Razão, mas à Arte.
E se existe uma coisa de que não se pode culpar a Arte, é de que ela seja uma manifestação racional.
Partindo de princípios absolutamente não racionais, a Arte gera beleza e encantamento exatamente pela produção do estranhamento e do embaraço, o qual é tanto maior quanto mais racional for o observador e apreciador do objeto artístico.
A Arte, sempre irracional, só embaraça os Racionais.
Crianças ainda não tocadas pela contaminação do intelecto, têm uma relação com o objeto artístico lúdica e sem pré julgamento.
Talvez por isso queira tocar o que é para se ver, ou sentir o cheiro do que é para se tocar, quando se aproxima de estátuas ou pequenas esculturas, e tenta apreender seus significados com todos os seus sentidos.
Pessoas adultas não são assim, não sentem a Arte, de modo geral, mas sim pensam a Arte, tentando elaborar em suas cabeças e não nas suas mãos e em seus narizes o sentido do que está a sua frente.
Pode-se dizer então que a maneira de contemplar, de forma racional e cerebral ou de forma sensorial e múltipla, um objeto de Arte, denuncia o grau de limitação do indivíduo com a própria existência. Por que a Vida não é racional, ela não se deixa aprisionar no compreensível e como a arte, ela nos mantém sempre embaraçados e desconcertados com sua originalidade e capacidade de nos causar estranhamento.
A vida é sempre surpreendente, diz um quadro que tenho perto da escada da minha biblioteca.
E é mesmo.
Já tarda que ouçamos o apelo de Rousseau e modifiquemos, ou melhor, ampliemos nossos instrumentos de percepção e compreensão do que nos circunda, expandindo nossa sensibilidade e não a nossa intelectualidade, porque, para viver, e isto toda rosacruz sabe , existem instrumentos muito mais confiáveis que a razão ou suas intermináveis argumentações.
Por exemplo, a intuição.
Muito mais rápida,  precisa e ampla na possibilidade de perceber o fenômeno como um processo dinâmico e não estático, como algo complexo, múltiplo, e não simples ou facilmente divisível em partes, a Intuição supera a Razão na capacidade de captar o verdadeiro sentido da existência e até, de nos orientar em como nos comportarmos diante de um dilema qualquer.
A Sensibilidade Artística e Estética é um passo na direção do desenvolvimento de uma Intuição forte, mas a intuição é muito mais que a Razão e a Arte juntas.
Isso, só os Intuitivos podem entender.
Mas eu escrevo para rosacruzes.
Por isso eles entenderão o significado destas palavras.
E agradeço a Fernando Monteiro pela cobrança e pela motivação para escrever.