Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A VIDA MÍSTICA NÃO REFLETE UMA VIRTUDE.


por Mario Sales, FRC,SI,CRC



Porque tu acenderás a minha candeia; o Senhor meu Deus iluminará as minhas trevas.
O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; é um escudo para todos os que nele confiam.
Porque quem é Deus senão o Senhor? E quem é rochedo senão o nosso Deus?
Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho

Salmos 18:vers 28-32

21 Ó humanos, adorai o vosso Senhor, Que vos criou, bem como aos vossos antepassados, 
quiçá assim tornar-vos-íeis virtuosos.
22 Ele fez-vos da terra um leito, e do céu um teto, e envia do céu a água, com a qual faz brotar os frutos para o vosso sustento. 

Corão, Al Bácara, 2a surata, vers 21 e 22





Quando nos elevamos a Deus, nós místicos, em prece, tomados pela Fé, não o fazemos por crer em alguma coisa improvável e indemonstrável que nos ensinaram a adorar.
Fazê-mo-lo para intensificar nossa conexão com a Fonte de Todas as Coisas, com  o intuito de fortalecer esta ligação, esta frequência de contato com Aquilo que nos Dá Vida e Existência, e do qual sentimos a presença em todos os instantes de nossa vida.
Quando amamos a Vida e aos outros seres humanos, não o fazemos para mostrar virtude ou para sermos objeto da aprovação dos moralistas e dos vigilantes dos costumes sociais, mas porque precisamos deste estado de bem que só o Amor desencadeia em nosso organismo, no batimento de nosso coração, na serenidade de nossa respiração e mente, na qualidade de nossos pensamentos.
Amar para o místico não é uma virtude: é necessidade, algo físico e palpável em nossa pele, em nossos órgãos, da mesma forma que o Ódio destrói nossa saúde ou o Ressentimento nos envenena.
Quando o místico é sincero, e sua boca reflete o que vai no seu espírito, ele manda sinais aos seus interlocutores através de odores e de trejeitos indescritíveis, mas perceptíveis da máscara facial, ou do ritmo de sua respiração, que dão ao outro que o ouve uma forte sensação de segurança e confiança em suas palavras. A sinceridade cria um ambiente amigável a sua volta e fortalece os laços de amizade entre os que percebem a honestidade de sua voz. Esta atmosfera amistosa e confiante não é de cunho moral apenas , mas essencialmente fisiológica.
Quando o místico, enfim, é generoso, atendendo os impulsos de seu espírito ou uma intuição que lhe vai na alma, apenas exercita a mesma conexão de que falava antes, através da qual recebe e obedece as orientações que o comandarão em missões na sociedade humana de socorro aos verdadeiramente necessitados, e não aqueles que são lamentadores profissionais. Esta distinção, este discernimento entre os que foram ouvidos em suas súplicas, pela sinceridade de seu pedido e pela Fé que demonstraram em sua demanda, os torna parte da conexão com a Fonte de Toda a Vida que, através dos mais sensíveis, seus agentes na Terra e na sociedade, respondem aquele apelo, com o auxílio necessário e merecido.
Os atos do místico, portanto, não são atos de virtude ou de bondade; são apenas reações automáticas ao jogo de forças presentes nesta imensa rede de consciência aonde todos nós estamos imersos, mesmo que a maioria não se aperceba, atos pragmáticos e práticos, certas vêzes absolutamente inevitáveis, comandos de uma Autoridade Maior, os quais não podem ser desobedecidos ou negligenciados.
A Vida Mística não reflete uma virtude.
Misticismo não é crença, mas conexão perceptível, corpórea, mental e física.

Qualquer coisa em misticismo fora disso, são falácias e fantasias baseadas em pressupostos inúteis e improdutivos.