Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

PORQUE OS MÍSTICOS ROSACRUZES DE AMORC PRECISAM ABRAÇAR A CIÊNCIA ORTODOXA

por Mario Sales,FRC,SI,CRC



A AMORC foi reaberta para os trabalhos deste período de atividade na América do Norte, sob a égide de um visionário que sempre foi, além de um homem de seu tempo, um homem de todas as épocas.
Sedimentou sua maior contribuição ao misticismo mundial retirando seu aspecto religioso e esoterista e desenvolvendo um sistema de educação a distância composto de textos didáticos e acessíveis aos membros da sociedade contemporânea. Desfez os véus desnecessários, manteve em sigilo temporário as informações fundamentais mas buscou, de todas as maneiras, dividir as informações que alcançou com todos que podia captar com seu magnetismo pessoal.
Propôs mais do que isto: sugeriu que os membros de AMORC e sua Universidade buscassem dar um caráter científico ao seu trabalho, criando padrões metodológicos reprodutíveis, construindo máquinas, laboratórios, e até um planetário, dezenas de anos antes do Hubble.
Não sei se ele explicitou isso, mas para mim, salvo melhor juízo, a mensagem mais importante de Harvey Spencer Lewis foi: o misticismo de AMORC deveria servir como modelo de pragmatismo e como tal, deveria ter, logo que pudesse, um encontro com a ciência ortodoxa, em um mesmo plano de igualdade.
Este encontro, se a morte não o tivesse colhido tão precocemente, teria sua mão e sua liderança.
Não era pois, infelizmente, a vontade do Altíssimo, que tal fenômeno acontecesse naquela época, tamanha a magnitude e importância deste encontro, aonde os valores espirituais e os valores da racionalidade científica se abraçariam, como irmãos, e não mais como adversários.
Lewis tinha uma opção quando recebeu sua missão como restaurador do movimento rosacruciano: ou mantinha os padrões e o estilo esotérico que literalmente proibia o acesso de muitos ao legado de conhecimento da tradição, ou realizava o up-grade deste conhecimento, ou melhor, dos modos de reeducar a sociedade humana, que em função de rupturas bruscas do processo de civilização, viu conquistas científicas e informações poderosas de outras ciências, de outras épocas se tornarem ocultas na poeira da história.
O grande segredo, que não podia ser revelado era este: o misticismo e o esoterismo eram apenas os disfarces da antiga sabedoria científica, que foi conseguida com tanta dificuldade e trabalho quanto a que temos hoje. Esta antiga sabedoria científica não era e nunca foi inimiga da ciência. Ela era apenas uma outra forma de ciência, diferente em concepção e modus operandi.
Fontes de energia e tecnologia diferente, mas ciência , como outra qualquer. Ciência das estrelas e da Terra. Ciência do Homem.
Spencer tinha pressa, sabia que seu tempo era curto para recuperar o tempo que separava estas duas linhas de trabalho, isoladas uma da outra por diferentes paradigmas de constituição.
O paradigma da antiga sabedoria, calcado no Som, na Luz e no reequilíbrio de uma energia sutil chamada Nous, base da vitalidade e da saúde, elemento fundamental na utilização dos dons; e o paradigma da ciência contemporânea, fundamentado na trilogia mecânica-eletro-química.
Agora, décadas após a transição de Lewis, vemos a Ordem paralisada por um comportamento interno que lembra, muitas das vêzes, não um movimento esotérico que busca cada vez maior cientificidade com religiosidade, mas sim algo semelhante a um viés religioso, exatamente o tipo de coisa da qual todos os místicos procuram se afastar.
O rosacrucianismo não é uma religião, e apenas por isso abriga em seu seio diversas pessoas de orientação religiosa diversa, que encontraram entre nós a tolerância e os valores comuns a todas as religiões, a busca por mais espiritualidade e de sensatez baseada em racionalidade e prudência.
Não é por bondade que nós, rosacruzes, nos preocupamos com a prática do bem: somos o que somos por causa de nossa ciência que nos diz que não há outra maneira de preservar e desenvolver nossa espécie e nosso mundo, o único que temos. Tal qual os cientistas, não encaramos os homens e mulheres do planeta Terra como franceses, estado-unidenses, canadenses, brasileiros ou espanhóis. Todos nós, seres humanos, somos terrestres, e precisamos da ciência, produto da razão, e de Deus, base da espiritualidade.
A AMORC, com Lewis, recebeu um legado, uma mensagem, que precisa ser retransmitida às gerações modernas. E a mensagem é esta: existem informações preciosas em nosso arca que podem enriquecer a ciência contemporânea, informações que farão com que Ciência e Religiosidade se tornem mais próximas e caminhem lado a lado como já andaram em eras distantes.
É por isso que os místicos rosacruzes de AMORC precisam abraçar a ciência ortodoxa e encontrar, o mais rápido possível, um meio de ligação entre estes dois saberes, entre estas duas sabedorias. 
Era este o desejo de Lewis. 
Esta é a minha intuição.