Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 16 de março de 2014

DIRETRIZES FILOSÓFICAS


por Mario Sales, FRC,SI,CRC


"Lembrem-se que as primitivas escolas de filosofia mística deram origem aos filósofos conhecidos como Gnósticos, cuja organização cresceu muito rapidamente e mais tarde tornou-se um grave obstáculo a rápida expansão das especulações cristãs, porque os gnósticos procuraram exemplificar o que o nome gnosticismo significava, qual seja conhecimento e sabedoria. Os gnósticos eram pessoas que se pautavam pelo conhecimento, que não afirmavam nem ensinavam nada que não conhecessem absolutamente. Eliminaram de seus ensinamentos toda possível dúvida ou crença que não fossem corroboradas pelo conhecimento autêntico ou que fosse baseada (apenas) em fé. Vocês podem compreender, portanto, que os ensinamentos dos gnósticos, durante a vida de Jesus ou logo depois, tornaram-se um real empecilho a expansão das doutrinas cristãs, que então passavam por uma mudança rápida e contínua baseada em especulações dos líderes eclesiásticos e autoridades da igreja, cuja única intenção era a de criar e promulgar ensinamentos doutrinários que apoiassem e constituíssem uma igreja. Esses líderes gnósticos dividiram-se em várias escolas, mas jamais perderam de vista o objetivo de não se afastarem do conhecimento; e nesse sentido os Rosacruzes eram iguais aos gnósticos;  aliás, muitos dos Rosacruzes pertenceram a escola do Gnosticismo."
De uma monografia rosacruz do 11° grau

Anos atrás, li estas linhas com a mesma devoção que as leio agora. Entre velas, respeitosamente, eu estudava a história de minha ordem, e relembrava, ao mesmo tempo, seus princípios, seus valores mais preciosos, seu respeito ao pensamento fundamentado e ao conhecimento que nos deu civilização, educação, preceitos de dignidade mental que tanto orgulho nos causam, a nós seres humanos, rosacruzes ou não.
Sim, porque a escola rosacruciana está inserida na Humanidade, não é outra coisa senão parte integrante desta mesma humanidade, e gosto de pensar que seja uma de suas melhores partes.
Os rosacruzes tem princípios nobres a norteá-los e estes princípios foram tornados compreensíveis aos contemporâneos pelo trabalho impressionante e sempre subestimado de Harvey Spencer Lewis.
Destes princípios, talvez o mais importante seja o amor ao conhecimento, ou como diz o texto em epígrafe, um trabalho educacional "que não afirme nem ensine nada que não se conheça absolutamente". De forma que se elimine "de seus ensinamentos toda possível dúvida ou crença que não sejam corroboradas pelo conhecimento autêntico ou que sejam baseadas (apenas) em fé".
Foi isso que eu aprendi e que estudei em muitas monografias de AMORC. É isto que tento passar para fratres e sorores em exposições em locais os mais variados, em conversas em organismos afiliados que visito, em contatos pelo skipe.
Rosacruzes devem, apenas por ser rosacruzes, ler sobre tudo que possa fazer a sua vida tornar-se mais rica e produtiva, e sua mente e pensamento com horizontes mais largos. Portanto, um verdadeiro estudante de AMORC não estuda apenas os assuntos relacionados a AMORC, mas também sobre Arte, Ciência e Filosofia. Procura conhecer a História da raça humana, o grupo a que pertence, as mudanças de perspectiva do real que se sucederam século após século; procura entender as dificuldades encaradas por astrônomos e astrofísicos ao longo dos anos para compreender a natureza do Universo; dos biólogos, na tentativa de compreender o funcionamento da Vida e os comportamentos dos animais com os quais dividimos este planeta.



Rosacruzes não tem forma, ou cor de pele, ou credo que os iguale, mas todos , sem exceção, são pessoas curiosas e interessadas em ampliar seu conhecimento, e a partir daí, sua sensibilidade. E para que um conhecimento seja ampliado de modo sólido e sustentável ele não pode, repito, não pode ser produto apenas de crenças e suposições; não pode enfim ser baseado apenas na fé.
Fé é crer em algo sem fundamentação. Esta não é, repito, não é uma atitude mental rosacruciana, como citado no trecho em epígrafe. Rosacruzes se comportam e sempre se comportaram como membros do gnosticismo, movimento que nada tem a ver com a chamada Escola Gnóstica Moderna.



Hoje a Escola Gnóstica Primitiva não existe mais porque seu lugar foi ocupado pela Ciência.
É o método científico que norteia, hoje, a busca por conhecimento fundamentado. E embora nem todos os rosacruzes sejam cientistas, o espírito científico pode e deve estar presente em seus corações e mentes.
Um bom e autêntico rosacruz não zomba ou desconfia da ciência ortodoxa. Pelo contrário, procura estar a par dos avanços, dentro do possível, porque sabe que as limitações da ciência são o sinal de sua prudência ao construir um saber realmente demonstrável e fundamentado.
Quanto ao aspecto místico, característico dos rosacruzes, mesmo aí o método científico também pode auxiliar, já que para o místico, ao contrário do religioso, o Divino é uma experiência e não uma crença.
O verdadeiro Rosacruz sente Deus em si mesmo e em sua vida, experimenta Sua Sagrada Presença, e portanto, não precisa acreditar em algo que faz parte de seu cotidiano, como o Sol ou a Lua.
Isto é conhecimento fundamentado.
Isto é misticismo verdadeiro.
Nós não somos membros de nenhuma seita, de nenhuma religião e nossos líderes não são líderes religiosos que exigem de nós devoção e adoração.
São seres humanos e fratres e sorores como todos nós e precisam de nosso auxílio para manter a qualidade desta que é a mais profunda e nobre Ordem Esotérica do planeta.
E nesse sentido, todos os membros de AMORC precisam desenvolver cultura e capacidade de reflexão, de forma que sejam um exemplo de cultura e discernimento para todos com quem conversarem, demonstrando e exemplificando com seu conhecimento e sabedoria sua inteligência e sensibilidades diferenciadas.
Esta é a única e a melhor propaganda que podemos fazer de nossa amada Ordem; essas são as diretrizes filosóficas que nos norteiam como membros e das quais jamais devemos nos afastar.