Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 7 de maio de 2011

A ALQUIMIA DA PEDRA 2

Uma estratégia possível para consolidação das Lojas Maçônicas

Por Mario Sales, FRC.:;S.:I.:;M.:M.:


Vimos no ensaio anterior que os maçons, historicamente, têm um perfil operacional, não reflexivo.
Entediam-se com discussões teóricas, mas gostam da convivência social e da beneficência.
Lojas não podem, portanto, ser locais de reflexão essencialmente abstrata.
A debandada de membros entediados e desmotivados tem certa razão de ser. Falta-lhes um objetivo maçônico para continuar, falta-lhes, digamos assim, uma maçonaria objetiva.
Se as raízes de uma árvore são verdes, seus frutos serão verdes. Não vermelhos.
A maçonaria nasce com um grupo de construtores, de operários da pedra e da arquitetura material.
É isso que somos. Frutos verdes de uma raiz verdes.
Frutos de pedra de uma árvore cujas raízes são também de pedra.
Frutos de pedra precisam de uma catedral para construir senão perdem sua razão de ser.
Porque insisto tanto nisso?
Para concluir que Lojas maçônicas que não possuam um projeto atrelado à Loja, estão fadadas a inexpressividade operacional.


Alguns supõem que as Lojas da Ordem Maçônica são clubes de serviço. Não são. São muito mais do que isso. São núcleos de liderança espiritual e humanística.
E é preciso o envolvimento coletivo em projetos objetivos para que a noção de solidariedade e camaradagem se aprofundem e se solidifiquem. Para que os maçons modernos entendam o que os maçons primitivos aprenderam: que o trabalho em conjunto fortalece vínculos, que o objetivo comum torna a amizade forte como a pedra, e que em mentes ocupadas pelos problemas ligados à construção da estrutura material de Catedrais, como de Hospitais, de Creches ou de Asilos para Idosos não tem espaço para o orgulho, para a vaidade e para o tédio.
O veneno que corrói todas as Ordens de passado operativo tem um nome: o ócio.
Precisamos de metas, objetivos com início, meio e fim, planejados para consumir esforços de todos por anos, e que ao fim e ao cabo, ainda necessitem do trabalho de todos para se manter ao longo dos anos seguintes.
Esta é uma diretriz para estancar a sangria que as Lojas em todo o Mundo tem sofrido; mais: é a única maneira, na minha humilde opinião, para aumentar a qualidade dos quadros de cada Loja, de forma que os graus na Ordem sejam associados a maior competência e participação no projeto externo da Loja, e não apenas números às vezes destituídos de um significado maior.

Estamos em paz faz tanto tempo que estamos nos tornando fracos e sem reflexos, que estamos nos esquecendo dos perigos que geraram nosso amor ao segredo e nossos cuidados e palavras de passe.
Precisamos pelo menos recuperar a memória do que somos, de onde viemos, para que possamos fortalecer nosso presente e garantir nosso futuro.

Peço a todos que considerem estas palavras como prova de carinho e preocupação por uma Ordem que possui uma nobre história e que merece de todos as outras nobres e tradicionais Ordens a mesma atenção que quatrocentos anos atrás tiveram com os Rosacruzes, muitos dos quais foram abrigados em suas fileiras e protegidos da intolerância política e religiosa de outros tempos.
Os Rosacruzes são os zeladores da tradição.
Por isso, como rosacruz, acredito que aqueles que nos protegeram da Guerra não devem ser vítimas da Paz.