Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 23 de julho de 2011

POR QUE SER ROSACRUZ


Por Mario Sales, FRC.:,S.:I.:,M.:M.:





Já comentei, talvez para espanto de alguns, que o misticismo não traz felicidade, pelo menos não aquela dos sorrisos de propagandas de creme dental, tão comuns em nossos televisores.
O fato de nos tornarmos místicos e de nos filiarmos à uma Ordem Tradicional Esotérica e Mística tem, como expliquei, muito mais a ver com uma tendência pessoal, um chamado, um atender a uma convocação íntima, do que com uma escolha particular em busca de sucesso no cotidiano.
A pergunta que ficou foi se não haverá nenhuma vantagem em tal filiação. Se ela é apenas conseqüência de uma atração irresistível na qual seremos absorvidos como em um tufão, perdendo o controle de nossos atos, de nosso destino.
Não é bem assim.
Existe um lucro importante na prática rosacruz como em todas as práticas que visam dar ao indivíduo um subsídio para lidar com sua existência e seus problemas, mundanos ou não.



E o nome desta pequena coisa fundamental ao equilíbrio e ao progresso pessoal, seja material ou espiritual, aquilo que nos distingue entre nós mesmos, que nos faz vencedores e realizados, independente de termos tudo o que achamos necessário, resume-se em uma simples e singela palavra.
Serenidade.
Se para Descartes tudo o que fazíamos era em busca da felicidade, tudo o que o místico faz, na minha opinião, o faz em busca da Serenidade.
Sem Serenidade os problemas humanos tomam uma dimensão descabida, assustadora.
Sem Serenidade, o medo invade nossa existência e nos transforma em reféns dos acontecimentos e um joguete nas mãos das emoções.
Sem Serenidade, nossas emoções deixam de ser nossas e, ao contrário, nós passamos a ser seus servos.



Não é o tempo que gera Serenidade, nem a idade avançada que gera sabedoria. A Serenidade é conseqüência direta da educação.
E Escolas Místicas, como o nome diz, são Escolas, visam ensinar alguma coisa, e a mais importante dessas coisas é, sem dúvida, a Serenidade ao encarar as vicissitudes cotidianas.
Muitos supõem que Escolas como a AMORC são secretas ou discretas, como prefiram, por que tem algo a esconder.
Na verdade melhor seria se pudéssemos contar o que sabemos para o maior número de pessoas em toda a parte.
E é isto que fazemos diariamente recebendo graciosamente milhares de pessoas em nossos portais de iniciação, pessoas que nos procuram por vários motivos, muitas vezes motivos totalmente equivocados.



Um deles é imaginar que tornando-se membro de AMORC terá acesso a informações prontas e acabadas que tornarão sua vida, em um passe de mágica súbita e simples, um paraíso na Terra.
Ou que nosso segredo tem a ver com uma Magia Fantástica que guardamos em nossas monografias e que, se revelada, tornaria seu conhecedor um semideus.
Tais tolices ocultam o verdadeiro tesouro que a AMORC, como todas as escolas esotéricas tradicionais e religiões de profundidade espiritual guardam para transformar cada um que os consegue descobrir.



O mais curioso é que os Rosacruzes não dão nada a ninguém. Tudo o que fazemos é abrir corações e mentes para o poder já presente dentro deles mesmos, revelar-lhes seu poder pessoal, adormecido ou esquecido por uma educação materialista e perversamente enganadora, que os aprisiona a valores limitantes, a convicções inadequadas na busca da plenitude.
Tudo que escondemos é o quanto de Sagrado vemos neste poder interior de todos os homens e mulheres que nos procuram têm dentro de si.





Para nós na AMORC, esta característica, esta pequena centelha de luz interna é o que nos diferencia das bestas ou das coisas inertes: a consciência, a centelha divina que nos aquece e sustenta, dia após dia.
Sabemos que esta pequenina luz é a manifestação de uma intensa energia e que é preciso muito cuidado ao manifestá-la.
E que acima de tudo, só através da Serenidade podemos percebê-la e manifestá-la, da mesma maneira que só após silenciarmos nossa própria voz somos capazes de ouvir uma canção suave ao longe.



Ao ouvi-la, podemos procurar nos aproximarmos dela, lentamente, até que seu som se torne alto o bastante para orientar nosso próprio ritmo interno, harmonizando-nos, colocando-nos em fase com a Canção Universal.
É ou não algo para se preservar com carinho, zelo e discrição?
Justifica ou não o Mistério?
Não há, com certeza , tesouro mais precioso.
Que a Serenidade, que os rosacruzes chamam de Paz Profunda, esteja em todos que lerem estas palavras e reconhecerem sua própria história pessoal.
Assim Seja, e se for da vontade dos Mestres e do Cósmico, Assim É.