Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 1 de outubro de 2016

GRUPO DE ESTUDOS MARTINISTAS: CABALA LEITURA DO SEPHER YETZIRAH O LIVRO DA CRIAÇÃO - A ORAÇÃO


(Flavio Bazzeggio FRC , MM e SI; Wilson Hackmey FRC e SI; e Mario Sales FRC e SI)

por Mario Sales


 


“Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço”

"Cartomante", de Ivan Lins e Vitor Martins,
imortalizada na voz de Elis Regina

A discussão começou no terceiro parágrafo da página 200 da Edição comentada pelo rabino Arieh Kaplan, do Sepher Yetzirah (Editora e Livraria Sepher, 3ª edição revisada de 2005).
Lá está dito por Kaplan que “de grande importância são as relações entre as letras, os dias da semana, os planetas e as sete características primárias: Sabedoria, Riqueza, Semente [fertilidade], Vida, Domínio, Paz e Graça.”
Comentei que esta última virtude, a Graça, tanto pode ser entendida como Beleza física quanto como espiritual, (principalmente lembrando do eixo central da Árvore, Malkuth, Yesod, Tifereth, Daat, Kether), e que a Oração Verdadeira, Cardíaca, a que vem do interior e se aprofunda ainda mais em nós chega assim direto ao altíssimo, sem intermediários.
Flavio ponderou que existem limites para a expansão da consciência e que tinha dúvidas sobre a possibilidade desse contato ser assim, transcendente a todos os portais e níveis que nos separam do Alto da Criação.
Do meu ponto de vista este é o único momento em que os portais são atravessados sem necessidade de parada, sem alfândega espiritual, já que, a meu ver, o que sobe degraus é a Consciência e não a Prece.
A prece, quando sincera e às vezes desesperada, mobiliza energias de contato muito poderosas, que evidenciam a conexão nunca ausente entre nós e a Fonte de Toda a Vida.
Flavio alegou que existem muitos níveis até para a própria manifestação da árvore e que talvez esta conexão de que eu falava não seria Malkuth – Kether mas sim Malkuth de (Assiah) com Kether de Assiah e não Kether de Atziluth, dada a inexorável limitação de nossa consciência. (Ver esquema abaixo)


Slide de Reginaldo Leite no Curso que ele deu na Morada intitulado a Mística das Letras Hebraicas


Contra argumentei novamente que a Oração é conexão com a fonte e que sim, existem níveis e véus e portais a serem atravessados, mas que a conexão em todo esse trajeto em direção a Luz é a mesma e que só existem portais para a Consciência espiritual e não para a Conexão que a Oração possibilita.
Depois que desligamos o Skipe, me veio à mente a seguinte imagem: consciência é como a visão, que pode ser bloqueada por anteparos e véus, ao contrário de um sinal de rádio, que atravessa as mesmas paredes e obstáculos e chega aos nossos ouvidos ou, ao contrário, pode levar nossa voz espiritual ao Altíssimo, como na Oração.
Existe bom senso em expor-se a visão aos poucos à Luz de Deus, já que a visão direta de Deus seria, com certeza, não maravilhosa, mas devastadora. É prudente que como Ícaro, em nossas asas de cêra, não voemos muito perto do Sol.
Quanto a ouvir Suas divinas orientações, isto o fazemos em nosso coração todos os dias, aqui, aonde dizem estamos no mais baixo dos níveis da evolução, afirmação com a qual, já disse, não concordo.
Foi com isso na cabeça que, antes de deitar, abri o Zohar preto, página 145, (Edição da Polar, 2006), com passagens escolhidas pelo rabino Ariel Bension. Fui direto no capítulo 13, que fala sobre as “Revelações sobre a Oração" e lá li este trecho primoroso que sintetizava meu pensamento:
“Todas as portas do céu estão fechadas, menos a Porta das Lágrimas”.
Perfeito.
Era isso que eu tentava argumentar.
A Oração feita com o coração, principalmente aquela feita altruisticamente, procurando a bênção para os que amamos, algumas vezes é marcada pelo desespero.
É ele que dá o tom de profundidade da prece.
O texto do Zohar citado continua:
“Os que guardam as portas do Céu abrem-nas para admitir as lágrimas derramadas durante a Oração e coloca-las diante do Santo Rei, já que Deus participa das penas do homem.”
Este trecho é particularmente comovente e profundo.
Foi então que lembrei do trecho da canção em epígrafe.
O artista é sem dúvida a antena da raça.
E continua o Zohar:
“Os mundos de cima sentem pela região das lágrimas o mesmo desejo que o macho sente pela fêmea. Quando o Rei se aproxima da Senhora e a encontra triste, Ele lhe concede tudo que ela deseja. E como sua tristeza é o reflexo da do homem, Deus se compadece.”
E conclui:
“Feliz o homem que chora enquanto está orando! Cada uma das portas do Céu se abre para a Oração: ‘Oh Senhor, abre Tu meus lábios e minha boca declarará Teu louvor!’

Consciência gradualmente mais clara sim, mas conexão permanente sempre direta, sem intermediários: este é o conceito.