Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 29 de agosto de 2010

NÃO, NÓS NÃO PRECISAMOS DE TOLERÂNCIA

Por Mario Sales, FRC.:,S.:I.:,M.:M.:



Um dos postulados fundamentais da práxis rosacruz é o conceito de Tolerância.

Segundo este conceito, toda vez que lidamos com a diferença, com o heterogêneo, com o desconforto de natureza física ou psicológica devemos aplicar o princípio da Tolerância e superar estes instantes de constrangimento ou perplexidade com elegância e , para usar uma palavra antiga que gosto muito, com fleugma.

Tolerar significa entender que não existe um padrão repetitivo de pessoas e que todas elas vêm a nós em modelos e cores e tamanhos os mais variados, com os quais devemos conviver de forma equânime, já que uma das normas do Universo é a variedade.

No entanto existe outra maneira de se ver o problema da convivência com o diferente, talvez mais avançada e mais refinada que esta, talvez mesmo uma evolução em relação a esta estratégia.

E esta seria a estratégia da compreensão pelo conhecimento.

Considerando a questão da Tolerância alguns conceitos me vieram a mente:

1°: Tolerar quer dizer suportar alguém ou alguma coisa ; o dicionário Houaiss vai além: diz que tolerar é suportar com indulgência.

2° Tudo que eu suporto ( ou tolero) exige de mim algum tipo de esforço emocional, já que , em circunstâncias normais eu não suportaria (toleraria) aquilo que, por princípio filosófico rosacruciano, eu me proponho a suportar.

3°Por outro lado, o que me causa desconforto naquilo que eu suporto (tolero), causa-me desconforto por ser estranho ao meu modo de vida, ou por outra, por ser desconhecido ao meu modo de entender e vivenciar o mundo.

4° É sabido que aquilo que é desconhecido pode vir a ser conhecido pelo estudo e pela informação, antecipando-me através de meios menos desconfortáveis as características exóticas das coisas que eventualmente me causariam perplexidade.

5° Como exemplo cito certos hábitos de alimentação de povos do extremo oriente, como o consumo de cobras, ou o consumo de pequenos vermes fritos, ou para usar uma imagem já hoje menos estranha, o consumo de alimentos marinhos crus.

6° O conhecimento prévios destes hábitos e costumes pela leitura me torna mais preparado intelectualmente para lidar com estas situações presencialmente, o que explica porque antropólogos conseguem conviver em harmonia com povos previamente estudados, não só por falarem sua língua, mas por compreender seus peculiares costumes.

7° Podemos concluir que o nosso desconforto ou embaraço, em relação à certas experiências ou comportamentos é inversamente proporcional a nosso grau de conhecimento prévio sobre tais práticas através da leitura ou do estudo.

8° Podemos concluir também, portanto, que a nosso desconforto é diretamente proporcional a nossa ignorância do que nos causa desconforto; ou melhor, é o inesperado que nos embaraça não o conhecido.

Assim sendo, podemos inferir o final de nosso raciocínio. Não precisamos suportar com desconforto aquilo que desconhecemos ou que nos seja estranho.

Não, nós não precisamos mesmo de Tolerância, mas de cultura, de leitura, de conhecimento que nos liberte das trevas acerca do heterogêneo ao nosso redor.

Um espírito culto é um espírito elástico e adaptável e convive sem esforço emocional algum, com os sem número de faces que Deus costuma usar para se apresentar a nós.

Estudemos tudo sobre tudo, pois, substituindo a Tolerância pela Compreensão.

Só o ignorante Tolera. O ser Humano culto Compreende, não precisa Tolerar.