Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 1 de agosto de 2010

SENSIBILIDADE, SAGACIDADE E ERUDIÇÃO, IIa parte

Por Mario Sales, FRC.:, S.:I.:, M.:M.:


No artigo anterior, falei sobre a importância da Sagacidade, e naquela oportunidade, comentei que gostava da palavra Sagacidade ao invés de seu sinônimo, Esperteza, por causa da má conotação que esta última palavra recebeu nos últimos anos.
Podemos acrescentar, no entanto, que a Esperteza, do ponto de vista místico, seria a Sagacidade sem Sensibilidade. Ou seja, o místico Sagaz é o indivíduo que além de ter Discernimento, Viveka em Sânscrito, é ao mesmo tempo capaz de perceber as muitas e variadas vibrações provenientes do ambiente a sua volta, que é capaz de apreciar a boa música, a boa pintura, um gesto de misericórdia, ou a graça de uma criança.
Sensibilidade é uma virtude que aperfeiçoa a Sagacidade, que lhe dá beleza e leveza.
É a manifestação no místico da bondade e da compreensão aplicada à convivência em sociedade. É daí que vem a Tolerância.
Compreendendo, toleramos; aliás, nem necessitamos tolerar, já que compreendemos.
E a Compreensão não é mera aceitação; é um mergulho no outro e nas razões do outro, porque todos os seres humanos que existem acham que têm opiniões corretas sobre o mundo e sobre tudo, e os diferentes pontos de vista se referem a diferentes histórias pessoais, que culminam em diferentes compreensões e posturas.
Se ouvirmos com o coração, conseguiremos entender as razões do outro, entender a história do outro, e compreendê-lo.
Dar realmente atenção ao outro é Sensibilidade, seja este outro um animal, uma obra de arte ou uma pessoa.
Tudo na natureza tem a sua própria fala.
Cabe-nos escutá-la e compreendê-la.
Estamos instrumentalizados para isto, mas é claro, alguma preparação é necessária.
Conviver com o sofrimento alheio, ás vezes, é um bom começo neste preparo. Esta experiência coloca em perspectiva nossas idéias acerca do mundo, sobre a nossa própria existência e sobre seus percalços.
A música também ajuda. Ela penetra todo nosso ser e nos flexibiliza a alma. A música nos educa os sentidos e o espírito, ao mesmo tempo. Nos mostra delicadamente que tudo no universo tem ritmo, precisa do ritmo, para poder se expressar com magnificência. E cada ritmo tem seu tempo, que deve ser respeitado dentro de uma mesma sinfonia.
Aprendemos assim a esperar e compreender que a espera faz parte do ritmo, e que o silêncio dá contraste e completa o som.
O indivíduo sensível não é suscetível. Ele não se sente mal com aquilo que sente. Percebe o que percebe sem dor. Não chora junto com os que choram , nem sente de forma intensa a dor dos que sentem algum tipo de dor.
É um indivíduo equilibrado. Sabe que tal atitude, a susceptibilidade, é uma espécie de manifestação de desequilíbrio, e não de sensibilidade, e que quem precisa ser auxiliado não precisa de outra pessoa gemendo ao seu lado.
O que o indivíduo que sofre precisa realmente é de auxílio, misericórdia e alguma ação misericordiosa a partir desta, de forma a que seu sofrimento seja diminuído ou cesse.
Isto exige Objetividade, como já citamos no ensaio anterior, Objetividade diante da Subjetividade, em uma palavra, antiga, mas sempre útil, Fleugma, Elegância diante do sofrimento.
Nada mais inútil do que um sofredor profissional.
Nada mais útil do que alguém pragmático nas dificuldades, nas suas e nas de outrem.
Nós, que sabemos a importância do Serviço ao Outro, sabemos também a importância de servir bem.
Esta é a atitude Rosacruciana adequada em todos os casos de auxílio ao próximo. E é uma decorrência direta da Sensibilidade equilibrada do Místico Equilibrado.