Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 29 de agosto de 2010

O GRANDE MESTRE, O FÓRUM E A PALAVRA PERDIDA

Por Mario Sales FRC.:, S.:I.:, M.:M.:




Assisti neste fim de semana o nosso querido Frater Helio de Moraes, aqui na Loja Rosacruz Guarulhos, em São Paulo, enquanto respondia aos membros presentes em um fórum da Ordem, antes de uma ritualística da qual ele participou.
Desde que entrei na Ordem, Frater Helio é o meu terceiro Grande Mestre, meu e da Rosacruz Brasileira, por sinal.
Já na primeira pergunta, uma muito querida e reflexiva soror bombardeou-o com algumas questões contundentes, 5 na verdade, das quais a primeira consumiu quase 30 minutos de resposta.
Referia-se a questão do dogma e que, na opinião da soror, a Ordem deveria assumir que possuía alguns, e exemplificava com conceitos como a existência de Deus, o fato de que a Ordem afirma que todas as religiões inspiradas derivam da mesma tradição, etc.
Pacientemente, como deve ser um Grande Mestre, frater Hélio tentou explicar que a Ordem, ao contrário da opinião da sóror, não tinha dogmas, e disse que dogmas implicariam em verdades inquestionáveis as quais se fossem questionadas implicariam em algum tipo de sanção, já que com esta contestação caracterizar-se-ia uma heresia, e que no caso das afirmações da Ordem nada disso aconteceria com quem discordasse de suas premissas.
Notei que ele enquanto respondia procurava uma palavra que não conseguia expressar que sintetizava seu raciocínio e esclareceria a soror em sua dúvida.
Os Fóruns são reuniões coletivas (havia 102 assinaturas no livro de presença) e precisam de certo protocolo para que possam transcorrer com um mínimo de racionalidade. Assim sendo, Frater Helio estabeleceu logo ao princípio que, por esse motivo, só responderia perguntas feitas por escrito.
Por isso abstive-me de comentar em voz alta que a palavra que ele procurava e que não pronunciou, a qual, uma vez pronunciada, traria paz ao espírito da nossa inquiridora sóror, no mais legítimo espírito rosacruz e martinista, diga-se de passagem, era a palavra POSTULADO.
Parece bizantina a minha preocupação, mas não é. Clareza de pensamento anda paripasso com clareza de expressão lingüística e quando usamos a palavra certa, no momento certo, podemos economizar 30 ou mais minutos de resposta e nos dedicarmos a um número maior de respostas e a um número maior de pessoas.
Fazendo um trocadilho, foi por causa de uma Palavra Perdida que levamos meia hora para responder a esta soror uma simples questão de definição: quem postula não dogmatiza, apenas estabelece um princípio básico de raciocínio para embasar seu processo de investigação.
Podemos todos partir de postulados pessoais baseados em crenças pessoais, mas a forma mais comum de postular é na ciência, que o faz embasada por observações experimentais e pelo estudo dos fenômenos do Universo. Isto é o mais simples pensamento lógico conhecido, herança dos Jônicos, Thales , Anaximandro, Anaxímenes, e o nosso interessantíssimo Empédocles de Agrigento, o médico que postulou pela primeira vez que a realidade como um todo era composta de 4 elementos básicos: a água, o fogo, a terra e o ar.
E desde o tempo dos Jônios, que representaram 6 séculos antes de Cristo uma inexplicável e súbita ruptura entre o Mito e a Razão, o Logos, a palavra, tem sido o instrumento de trabalho dos pensadores, dos educadores e dos cientistas.
Por isso a minha angústia ao ver sem poder interferir, por respeito ao protocolo, meu querido frater Hélio em busca da palavra perdida, que, naquela longa resposta, não conseguiu encontrar.