Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 27 de outubro de 2012

O QUE SÃO E O QUE ESTUDAM OS ROSACRUZES

por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD) 


Boa noite Ir.'., como está?


Por email é bem mais tranquilo que o Facebook para conversar!
Eu já há algum tempo tenho tido minha atenção despertada para a Rosacruz. Pesquisei algumas coisas, especialmente seu blog por ser uma fonte confiável.
Gostaria de, quando o irmão puder e tiver um tempinho, aprender mais sobre o tema e entender melhor em um bate papo informal.
Obrigado meu Ir.'.,
Aproveito também para parabenizá-lo pela qualidade dos textos em seu blog.
TFA!

William.


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Boa Noite Willian



Já que muitos tem a mesma dúvida que voce, eu achei melhor usar o blog para uma resposta mais geral, quem sabe motive outros interessados a buscarem os portais de nossa Ordem.
Primeiro, é importante esclarecer que existem duas manifestações do rosacrucianismo, uma institucional e outra organizacional.
Como instituição, o rosacrucianismo é a fusão entre a ciência e a religião. É a construção da sociedade a partir de um referencial inverso ao que domina a ciência atual.
Porque para a ciência positivista, é importante conhecer as coisas através de seu funcionamento, o "como" de cada coisa. Busca-se entender o funcionamento de tudo através da compreensão de seus aspectos visíveis, palpáveis, ou pelo menos mensuráveis. Assim também o homem é estudado, como corpo e mente, através de seus aspectos detectáveis aos aparelhos ou a percepção de seus cinco sentidos externos.
Para a ciência com viés rosacruciano, no entanto, a busca segue a máxima de Delfos: "Homem, conhece-te a ti mesmo, e conhecerás o Universo e os Deuses." 
E para tal empreendimento, os rosacruzes elegeram a autopercepção como seu único e mais precioso instrumento de investigação, se bem que usando do mesmo positivismo que a ciência ortodoxa. Estudantes rosacruzes não são obrigados a crer naquilo que não experimentaram, mas sim a experimentar até conseguir indubitavelmente realizar e sentir aquilo no que acreditam. E quando falo "autopercepção", refiro-me ao ato de olhar para dentro.
Sem aparelhos, sem recursos externos, mas de forma sistemática, buscando o que Schopenhauer, se bem que em outro sentido, chamava "dar atenção ao interno".
Por que da mesma maneira que, à nossa mente, chegam as informações do que está fora, através dos cinco sentidos, através desta mesma mente somos informados de coisas que estão dentro de nós, a começar por coisas muito fisiológicas e compreensíveis, como a necessidade de água, a necessidade do alimento, a necessidade do ar e do afeto.
O interior, no entanto, dialoga conosco acerca de outras necessidades, não tão orgânicas, aspectos que Schopenhauer, salvo engano meu, não elencou.
Existe em nós a necessidade do transcendente, algo que está para além da descrição das palavras, mas que grita em nosso interior.
O transcendente, aquilo que vai além de nós, está presente dentro de nós.
Inconsciente da real natureza deste estado de transcendência que a todo momento se manifesta em nós, com pensamentos dificilmente sustentados em fatos, mas que nos induzem a confiar, a ter esperança de sucesso ou a acreditar que existe algo mais além daquilo que podemos perceber, o homem comum classificou-o de muitas formas e inclusive organizou a sua volta uma estrutura hierarquizada e material para lhe dar um aspecto visível, tal qual o tabernáculo, a tenda aonde os hebreus guardavam a Arca da Aliança e sobre a qual a Nuvem de Deus descia, como descrito no Velho Testamento.
Esta sensação interna e poderosa da presença da Transcendência em nós, também chamou-se a Presença do Sagrado, e para dar forma e organizar as buscas e as tentativas de compreensão deste fenômeno interno, inventaram-se as Religiões. E foram centenas delas ao longo da história da humanidade.
Os rosacruzes seguiram, entretanto, outra estratégia. Reconheceram esta presença da Transcendência como uma característica humana, não apenas divina, e elaboraram esforços e métodos para estudar esta curiosa natureza interior.
Assim, podemos dizer que os rosacruzes são os arqueólogos da alma humana, buscando os mais antigos traços e características de funcionamento deste estranho universo dentro do homem.
Se os cientistas ortodoxos dirigem suas pesquisas para fora, os rosacruzes fazem as suas para dentro.
Se os cientistas ortodoxos pesquisam a imensidão do infinito exterior, em busca da compreensão dos planetas, das estrelas, os rosacruzes pesquisam o infinito interior, em busca da compreensão dos sonhos, da habilidade telepática, da capacidade de projeção astral, da telecinese, da intuição.
Não há um real interesse, pela ciência ortodoxa em geral, ou pela religião, de estudar tais aspectos.
Isto por que ambas trabalham o externo, o visível, o palpável.
Os rosacruzes estudam o interno, o invisível, o impalpável, porém, da mesma forma, perceptível.
Estudar não significa dominar tais técnicas. Estudar é apenas reconhecer a existência destas capacidades em todos os seres humanos e tentar desenvolvê-las dentro de nós mesmos, como manifestações daquela Transcendência detectada pela mente em nosso íntimo, sem lhe dar qualquer caráter especial, sem rotulá-la de modo peculiar.
Da mesma forma que não faz sentido uma religião para a Audição, uma religião para o Tato ou para a Visão, para os rosacruzes não existe sentido em criar-se uma religião em torno da Telepatia, da Intuição ou da Projeção do Espírito através do espaço, de forma consciente e voluntária.
São habilidades presentes em todos os seres humanos, estejam ou não conscientes disso, tenham sido ou não educados para duvidar ou crer na existência desses atributos.
Muitas pessoas possuem estas habilidades sem ser rosacruzes, da mesma forma que muitos estudantes rosacruzes não são capazes de realizar tais coisas, embora reconheçam sua existência.
O mais importante fator do trabalho rosacruz, portanto, é a educação e o descondicionamento, o qual é um fator importantíssimo na prática do rosacrucianismo.
Pois a percepção rosacruciana depende muito mais de uma deseducação, um descondicionamento, do que de uma educação.
Quando eu me descondiciono de certas compreensões para as quais fui educado toda a minha existência, começo a perceber coisas que antes não perceberia.
Por isso, já dizia Goethe "aquilo que supomos ser a coisa mais simples, ver, é a mais difícil de todas". 
Entender e compreender certas habilidades internas no homem, qualquer homem ou mulher da face da terra, de qualquer país, não é tão simples por causa de séculos e séculos de pregação e doutrinação quanto a não existência de tais coisas.
E considerando que não enxergamos com os olhos , mas com a região posterior do cérebro, vemos aquilo que podemos, como mostram as chamadas ilusões de ótica. 



Compreendemos e aceitamos aquilo que podemos, pela mesma razão. 
Rosacruzes trabalham com a pesquisa interna, portanto.
Temos já alguma experiência neste campo. Este é o espírito do rosacrucianismo, como entendido em todas as suas manifestações.
É óbvio, a partir disso, que não se trata de uma religião, mas de uma escola científica de autopercepção. Acontece que exatamente em função desta forma peculiar de trabalho, o foco no transcendente, naquilo que chamaríamos a vida sem fio, sem ligações visíveis embora existentes, a vida wi-fi, passamos, enquanto rosacruzes, a nos dar conta de uma vasta rede de conexão entre todas as coisas. O que nos transcende, nos ultrapassa, vai além de nós. Assim, este estudo da Transcendência que o rosacrucianismo empreende nos leva a perceber que estamos em conexão com todas as coisas que existem, mergulhadas também na mesma rede invisível de conexões. Este estudo lida com coisas misteriosas e profundas e por isso recebe o nome de estudo das coisas misteriosas ou misticismo.
Ora, é impossível, tendo-se um espírito religioso ou não, não ser tocado por um senso de propósito na criação, não perceber ao entrar nesta rede a existência de uma Inteligência que a tudo dirige e mantém.
Uma Consciência, que ordena e sustenta a existência de modo harmonioso e equilibrado, mesmo considerando os cataclismas e convulsões sociais que estamos habituados a testemunhar em nossa chamada vida real.
Os Rosacruzes chamam esta Consciência de Consciência Cósmica.
Existe aparentemente um propósito e uma razão para todos os acontecimentos e o que chamamos Caos, percebemos, é apenas uma forma altamente complexa de organização, ordem esta cuja mecanismo interno nos escapa, mas que os rosacruzes chamam, usando um termo do Egito Antigo, aonde começaram seus trabalhos, de Lei de Anra, a lei do Dar e Receber. Na Índia, este princípio de organização da existência também foi reconhecido e recebeu o nome de Lei de Karma.
Todo o processo de reeducação rosacruciano, portanto, é lento. Implica a compreensão de vários e importantes aspectos contrários a compreensão ordinária do mundo, mas mais que isso, implica a prática de exercícios para dominar e manifestar estes dons internos, às vezes profundamente adormecidos e acanhados dentro de nós mesmos.
Os rosacruzes propõem que, modificado o homem, modifica-se, automaticamente a sua percepção do mundo e que a idéia que fazemos do mundo é tão falsa e incompleta como aquela que um míope tem antes de colocar os óculos.
A Utopia Rosacruz é que todos os homens e mulheres do mundo coloquem seus óculos espirituais para que possam perceber a grandiosidade do que os cerca de maneira como nunca antes puderam perceber.
Para concluir, gostaria de dizer que como se viu, entrar para a Ordem Rosacruz não torna ninguém, automática e magicamente, rosacruciano. É preciso esforço solitário, persistente e demorado para se conseguir algum tipo de sucesso na sua filiação. Os testes serão muitos, e silenciosos. O estudante será tentado a se afastar de seu trabalho, a abandonar sua busca, a desistir deste empreendimento. Muitos se perdem pelo caminho, primeiro, por que entram na Ordem, como de resto em outras Ordens, atrás de idéias pré concebidas em suas próprias mentes, e quando a realidade não condiz com a fantasia, com a ilusão, surge a desilusão.
Segundo, porque não tem a mais útil e importante virtude para qualquer ser humano: determinação. Buscam os portais de quaisquer empreendimentos como se comessem um hamburguer, ou como se tomassem uma pílula de resultados. Claro que após alguns anos, abandonam também a Rosacruz, como já devem ter abandonado outros projetos de vida antes deste.
A vida, a verdadeira vida, não é retilínea; é tortuosa e sujeita a chuvas e trovoadas, de manhã ou de tarde. É preciso contarmos com os imprevistos em nossos planos, mas muitos problemas podem ser evitados com o guarda chuva da disciplina e do planejamento.
Não podemos planejar tudo em nossa vida, mas podemos planejar quase tudo. A isto os modernos rosacruzes se referem como sistema e ordem, e são estas as únicas duas exigências para se tornar membro de uma escola rosacruz, ou melhor, de qualquer escola. Vida sem plano, sem metas, sem uma organização, está fadada ao fracasso e ao desalento.
De resto, Willians, se voce quiser tornar-se um estudante rosacruz, a AMORC, a Antiga e Mística Ordem Rosacruz é uma boa escolha. Dentre todas as manifestações organizacionais e denominações rosacruzes que voce encontrará, esta é a mais completa e estruturada forma de acesso aos conhecimentos rosacruzes. O link está do lado direito da página de rosto do blog, logo abaixo do meu retrato, com o título "Torne-se um Rosacruz". Basta clicar e seguir as orientações de afiliação.
E como costumamos dizer ao nos cumprimentarmos, nós rosacruzes, que sua filiação, se consumada, ajude voce a encontrar o mais precioso dos tesouros da existência na terra, a paz profunda.

Um tríplice e fraternal abraço.