Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 2 de setembro de 2012

A ILUMINAÇÃO NÃO ESTÁ TÃO LONGE


um trabalho antigo perdido no disco rígido

Suzano, 11 de novembro de 2007 

por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD) 


“Se eu quiser falar com Deus 
Tenho que ficar a sós 
Tenho que apagar a luz 
Tenho que calar a voz 
Tenho que encontrar a paz 
Tenho que folgar os nós 
Dos sapatos, da gravata 
Dos desejos, dos receios 
Tenho que esquecer a data 
Tenho que perder a conta 
Tenho que ter mãos vazias 
Ter a alma e o corpo nus 
Se eu quiser falar com Deus 
Tenho que aceitar a dor 
Tenho que comer o pão 
Que o diabo amassou 
Tenho que virar um cão 
Tenho que lamber o chão 
Dos palácios, dos castelos 
Suntuosos do meu sonho 
Tenho que me ver tristonho 
Tenho que me achar medonho 
E apesar de um mal tamanho 
Alegrar meu coração” 
Gilberto Gil

O massacre dos Cátaros


Escrever sobre as coisas não é o mesmo que experimentá-las. Isto é um truísmo. Mas sempre é bom começar por obviedades para chegar a conclusões heterodoxas. Assim, ao descrever os passos e as etapas que levam a Iluminação ,( “Caminhando para a Luz”, outubro / 2007 ) jamais tive a impressão de que vivenciava estes mesmos passos, mas queria, e muito, mostrar que a iluminação é uma coisa, ao mesmo tempo, extremamente importante e nem por isso inalcançável ou incompreensível para o iniciado mediano. 
Não é assunto para gurus e mestres, mas para o homem comum preocupado com sua alma imortal e minimamente interessado em melhorar como ser humano e como membro de uma sociedade tão criticada, mas que, queiramos ou não, é a nossa sociedade, nosso meio ambiente, nosso sustento psicológico, espiritual e material como a água é para o peixe. Iluminação não é algo excepcional que necessariamente leva ao descolamento social, mas obrigação de todo ser que busca superar a mediocridade do cotidiano e dar sentido a sua existência, partindo do princípio de que para aqueles que crêem, será um passo decisivo na aproximação do todo poderoso e de tudo que ele representa e significa: mais consciência, mais felicidade, mais realização. 



E por que escrever ou discutir este assunto? Por que a maioria das pessoas que o discutiram fora do ambiente das escolas esotéricas, deram-lhes coloridos absolutamente exagerados, provocando a impressão de que a iluminação é tão inalcançável quanto a santidade do Cristo ou de outro iniciado. Religiões foram criadas para confirmar isto: nós todos somos pessoas incapazes de sermos melhores, segundo elas, e só o Cristo e outros Iluminados conseguiram este estado por causa de dons ou circunstâncias absolutamente excepcionais e com certeza irreprodutíveis. Foram dogmas defendidos com uma violência e uma fúria dita cristã durante séculos, fúria esta que varreu da França os Cátaros, provocou a perseguição e morte de filósofos, artistas, e místicos em geral. E tudo em busca de que objetivo? Manter a impressão de que somos todos retardados espirituais que necessitam de um guia espiritual ou pelo menos de um intermediário no contato com o Todo poderoso e, garantir com isso o papel social de um sem número de padres, sacerdotes, pastores, ou o nome que possam ter estes representantes deste sistema. Não, este não é um trabalho guiado ou passível de ser transferido. O encontro entre nós e o eterno é solitário e nada nos impede mesmo assim de conseguir realizar este contato íntimo e profundo.
E o nome deste encontro é Iluminação. Apenas isto. Iluminar-se é mergulhar em Deus e embora este mergulho pareça algo essencialmente religioso, não é. Para o místico, a compreensão do divino segue uma ótica panteísta. Deus está em todas as coisas e todas as coisas são Deus. Logo mergulhar no Divino (Iluminar-se) é mergulhar em todas as coisas ao mesmo tempo, harmonizar-se com a criação por inteiro, em sua totalidade. E quanto falo Totalidade, é exatamente isto de que estou falando, Vida, do jeito que ela parece ser ou é, não importa muito. E já que descrever não é desfrutar nem experienciar, em que um texto sobre iluminação pode auxiliar a quem busca esta iluminação? Simples, pode abrir o debate sobre a impossibilidade do processo em si: podemos fazê-lo ou não? É realmente proibido melhorar nossa espiritualidade? Precisamos mesmo de um intermediário ou esta bobagem que custou a vida de milhares de pessoas só interessava a um grupo que queria manter uma reserva de mercado profissional em uma época sem direitos trabalhistas ou férias remuneradas? Sim, o texto não é a coisa, palavras são apenas palavras, mas são capazes de ridicularizar certezas, gerar dúvidas, tirar pelo menos o Tabu da discussão sobre o tema, tão cercado de mistificação, no mau sentido da palavra. Mais que isto: podemos assim perceber que a iluminação não está tão longe assim, mas que tudo acontece com naturalidade, aos poucos, a cada gesto de bondade do nosso cotidiano, a cada palavra de consolo ou atitude digna que tomamos em relação ao nosso próximo. Este é um processo cumulativo. E a contagem nunca falha. 



Expulsão dos Cátaros de Carcassonne em 1209 


O melhor a fazer é trabalharmos dia a dia pela melhoria de nossa condição humana e buscarmos com isto melhorar nossa sociedade. Dia após dia. No lugar aonde estivermos, fazendo o que estivermos fazendo, não importa o quão simples achemos nosso trabalho ou nossa função. Um dia, quando acordarmos poderemos ser surpreendidos por um estado de bem estar indescritível. Sem nenhuma música de fundo, sem nenhum tipo de sinal, estaremos despertos. E aí sim, iniciaremos a parte mais divertida da jornada quando evoluir deixa de ser um esforço, mas um deleite.


       
Glossário:
Catarismo vs. Catolicismo Romano

A doutrina cátara diferenciava-se da doutrina romana em alguns dos principais "pilares" da doutrina católica:
A criação do mundo
Os cátaros acreditavam que o mundo não havia sido criado diretamente por Deus, mas que era uma materialização do Mal e que, portanto, os que aqui viviam estavam destinados à expiação até que, após uma vida destinada ao bem, voltassem ao Paraíso perdido. Enquanto não conseguissem isso teriam que reencarnar em sucessivas vidas na Terra.

A salvação é uma responsabilidade individual
Outra diferença fundamental da então doutrina romana era que os cátaros acreditavam na salvação pela ação pessoal, e que cada indivíduo era responsável por sua própria salvação através de seus atos. Isso implicava a salvação irrestrita (todos teriam direito à salvação, tudo dependia de suas ações), e na crença de que a relação Deus-homem não necessitava de intermediários; todos os homens teriam o direito e a capacidade de vivenciar a experiência do êxtase espiritual, o que, na doutrina romana era intermediado pelos ritos e sacerdotes da Igreja.
Algumas idéias do catarismo reapareceriam mais tarde em diversos momentos, como no Movimento da Reforma Protestante e naquelas doutrinas que visam resgatar o Cristianismo primitivo, como o Gnosticismo e a Doutrina Espírita.

Cátaros: Os cátaros e o Santo Graal
Rezam as lendas que o Santo Graal (supostamente, o cálice onde Jesus teria bebido vinho na Santa Ceia) teria sido possuído pelos cátaros. Porém, os templários, cavaleiros cruzados encarregados pela Igreja Medieval de resgatar o Santo Graal teriam capturado os cátaros. Mesmo sendo o objetivo central dos templários resgatar o cálice de Jesus, o maior objetivo de todos os cruzados era impor o Catolicismo aos outros povos (por meio bastante violento). Então, os templários submeteram o cristianismo católico aos cátaros, que recusaram-se a abandonar sua fé. Quase todos foram queimados vivos, mas os poucos que sobreviveram levaram o Santo Graal consigo na sua fuga.
A heresia cátara - ou Albigense, da localidade de Albi- provocou a Cruzada Albigense, onde vários que eram considerados "Hereges Medievais", e habitavam as cidades e seus arredores, sofreram agressões e mortes violentas no século XIII. Toda a região de Rennes-le- Chateau carrega o estigma dos resíduos dessa história de amargura e sangue até hoje. Berenger Sauniére , um sacerdote de Rennes-le-Château, se viu envolvido nessa história de sua terra natal, e entrou em contato com as tradições cátaras, ouviu sobre as lendas do cálice sagrado, e encontrou muitos pergaminhos que remetiam a essa seita, e assim as investigações sobre os mitos e a verdadeira história tiveram início.
A Cruzada Albigense durou cerca de 40 anos, comandada pelo Papa Inocêncio III, e seus enviados estampavam a cruz em suas túnicas e tinham como meta e recompensas a absolvição de todos os pecados, remissão das penas, um lugar à salvo no céu e, como recompensa material, o produto de todos os saques.
Os cátaros eram dualistas, acreditavam no conflito, portanto, entre o bem e o mal, o espírito e a carne, o superior e o inferior. Para eles, toda a Criação estava imersa em uma guerra eterna entre os dois princípios irreconciliáveis: A luz - ou seja, o espírito - e a escuridão, ou matéria; sendo os primeiros obra e origem Divina do Bem, e o segundo obra e criação do Mal.
Dois deuses: um sendo o Princípio, o Puro Espírito, a Energia livre das manchas da matéria. O Deus do Amor, considerado incompatível com o poder. Sendo a carne uma manifestação do poder, toda criação material portanto seria obra do segundo deus, um deus usurpador, mau em seu interior, chamado pelos cátaros de Deus do Mundo

Fonte:  Catarismo, Wikipédia, a enciclopédia livre.