Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 30 de setembro de 2012

TEXTO, IDÉIAS E TRANSVERSALIDADES

por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)



Teixeira Coelho, curador do Masp


Em erudito ensaio para o jornal "O Estado de São Paulo" Teixeira Coelho, curador do MASP, comenta o livro "O Chapéu de Vermeer", de Timoty Brook, tradução de Maria Beatriz de Medina, Ed. Record.


Timothy Brook, professor de História da China na Universidade de Oxford


O texto de Coelho é delicioso pela presença das intervenções reflexivas transversais, aquelas que, a partir do tema original, surgem como um jato súbito que brota de um lago tranquilo, causando-nos admiração e encanto.Estas transversalidades do discurso, consequência das inúmeras associações de idéias que fazemos enquanto pensamos, nos faz escrever sobre misticismo enquanto discutimos estética e história da arte, ou interdisciplinaridade e epistemologia, quando o tema é literatura.



Como exemplo destas pérolas (palavra muito usada no ensaio) estão os seguintes trechos: "De arte, o livro fala pouco. E muito. Mas, está bem que seu autor seja um sinólogo, não um especialista em arte: quando o autor vem de outro campo, o que era invisível (porque o especialista vê sempre a mesma coisa) emerge." (O grifo é meu).
Ou em outro trecho: " Um historiador da arte "normal", viciado nos códigos e rumos esotéricos de sua disciplina, não faria o que Brook fez ao oferecer, nas palavras de Descartes sobre a Amsterdã de 1631, um "inventário do possível" em arte, economia, geografia e ilusão humana. 



E o autor revela seu método, sumariado na imagem budista da "Teia de Indra": quando Indra moldou o mundo, o fez na forma de uma teia; e de cada cruzamento da teia fez pender uma pérola. Cada coisa,cada ser, cada idéia é uma pérola na teia de Indra. Cada pérola une-se a outra nesta teia e em cada uma vê-se o reflexo de todas elas...




O deus Ariano Indra

E mais a frente, diz Teixeira: "E assim Brook pinta a globalização, que as almas pequenas insistem em ver como grande trama maliciosa enquanto Brook mostra quanto de acaso & escolha existiu e existe nisso.(A idéia do acaso é simplesmente inaceitável para as almas místicas e as materialistas.) (Novamente o grifo é meu.)Belíssimo.
O artigo em questão pode ser lido na íntegra no endereço:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,de-perolas-e-reflexos,937974,0.htm


Abaixo, alguns exemplos do trabalho do artista holandês Vermeer.
A Leiteira, de Vermeer.

Mulher com jarra de água, 1660-1662
Mulher segurando uma Balança, 1665. Na época, as moedas de prata não tinham o mesmo peso e precisavam então ser pesadas para estabelecer seu valor.

Moça com brinco de pérola, 1665. Talvez o seu mais conhecido trabalho na contemporaneidade, dado o filme de Scarlet Johanson e Colin Firth , de 2003, que o popularizou.