Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

QUESTÕES DE FAMÍLIA


por Mario Sales, FRC.:, Gr.:18 - C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)


K-H

Como é de conhecimento de todos que lêem este blog, após 37 anos de filiação a AMORC, ainda não tive nenhum contato transcendental, seja de um secretário de um mestre ou de um mestre em pessoa. Tenho a impressão inclusive que não é coisa para esta encarnação.
Só que segundos relatos de minha primeira e mais antiga mestra, Angelica Stenghel Colle, a sua Mestra Olga Pedrário, tinha já o grau de discípula de um Mestre. 
Angelica era antiga membra de AMORC, lá dos primordios, e foi a doadora de parte dos terrenos em Curitiba, na Rua Nicarágua, aonde está localizada a sede da GLP. Tinha admiração e amizade pela ex mestre da Loja Rio, a pianista brasileira Olga Pedrário, na Tijuca, Rio de Janeiro, antiga sede da Grande Loja do Brasil, como se chamava, de onde saíram Sóror Maria Moura, Frater Paulo seu secretário, Pedro Freire, o ator Carlos Alberto, ex orador oficial da GLP, e outros.
Aliás, minha frustração é que não consigo uma foto nem de Angélica, nem de Olga nas milhões de fotos espalhadas pela Internet. A última vez que estive com Angélica, (Olga jamais encontrei) foi em janeiro de 1977, ano em que comecei meu curso de Medicina em Campos dos Goytacazes, Norte do Estado do Rio de Janeiro, quando fui me despedir. Ela já estava bem idosa e doente, e deve ter morrido poucos anos depois.
Olga era uma pianista conhecida nos anos 50. Compositora prolífica, pode-se ter acesso a uma lista de seus trabalhos em um site de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, no link   https://www.grude.ufmg.br/musica/cancaobrasileira.nsf/vwDocsAtivos/53DDD1945CF8509683256E99000ADA9A?OpenDocument
Angélica, por sua vez, era uma pessoa muito reservada. Morava sozinha em Copacabana, num pequeno apartamento, com um secretário, que fazia o papel de motorista e uma cozinheira, em uma de 2 torres imensas conhecidas como Torres Gemini, com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas. Vivia algo reclusa e triste já que tinha sido afastada da Ordem por Maria Moura, por ter comentado assuntos sigilosos em um programa de televisão. 



Herbert Victor Speer, diretor do Círculo da Paz, entidade acredito espírita, em Berlin, Alemanha

Era conhecida apenas por ter traduzido do italiano a obra de um médium alemão Hebert Victor Speer, de 1958, que tinha sido republicada na Itália por uma editora chamada Alaya, La Anima Universale, que narrava detalhes da vida e missão de um extraterrestre chamado Ashtar Sheran. O livro ainda pode ser encontrado em sebos pelo Brasil afora.



Com o auxílio de uma sóror da Loja Rio, a sóror Solange, ex participante de um dos cursos que facilitei na Morada, consegui levantar uma foto de Olga dos seus registros como membra da Loja Rio e ex mestra, mas ainda não tive acesso a foto porque, mesmo hoje, anos após a sua morte, consideram seus dados e sua imagem de caráter reservado e a sóror não pôde escanear para me mandar.
Continuando o racicínio, Angelica afirmava, como eu disse, que Olga Pedrário era uma rosacruz de nível avançado, tendo inclusive alcançado o nível de discípula pessoal de um dos Mestre da Fraternidade Branca, Ku-Thu-Mi.
Ela sempre falava de um episódio em que Olga descrevera a maneira de dar aulas que caracterizava o mestre. Uma vez, não tendo alcançado o significado de um conceito ela fez menção de interrompê-lo. Rapidamente, com um gesto de mãos, ele a impediu, dizendo: "Sem perguntas, sem perguntas."
Interessante. A tomar-se como fatos tais relatos, já que são apenas relatos, K-H não é ou era muito adepto (desculpem o trocadilho mas foi irresistível) de diálogos explicativos, ou porque não visse como útil tal coisa naquele momento, ou porque achasse que a dúvida, muitas vezes nasce da preguiça de pensar.
Ora, na tradição hinduísta, sempre existem pares, um Mestre e um discípulo. Ao mestre dá-se o nome o nome de gúru, assim, com a primeira sílaba tônica, já que gurú é o mesmo que cachorro em sânscrito. E ao discípulo, chama-se chela, aquele que está atrelado ao Gúru.
Todo Gúru tem um Gúru, e este também tem o seu, como o pai tem pai, nosso avô, e este por sua vez também tem um pai, nosso bisavô.
O Gúru de nosso Gúru é nosso Param Gúru, na Índia, nosso avô espiritual. E o  Gúru de nosso Param Gúru é o nosso Param param Gúru, nosso bisavô espiritual.
Portanto, seguindo o raciocínio, e partindo ainda do pressuposto de que os relatos sejam fidedignos, meu Param param Gúru é K-H , já que ele foi mestre de Olga Pedrário ,que foi Orientadora e Mestra de Angélica Stenghel Colle que, por sua vez , foi minha Mestra.
Conhecendo minha personalidade, minha enorme curiosidade, e, preguiça ou não, minha vontade de perguntar infinita, acho que eu e meu bisavô K-H não teríamos, se nos encontrássemos pessoalmente, um relacionamento muito produtivo.