Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O CONCEITO DE EGRÉGORA


por Mario Sales



Como responsável por dois anos pela monitoria cultural de minha região da AMORC, elegi como tema prioritário a discussão do fenômeno da superstição.
Como místicos, para lembrar uma frase de um livro de Somerset Maugham, andam no fio da navalha, entre um mundo invisível e outro visível, manter um atitude equilibrada e uma mente clara, livre da superstição, é na maioria das vêzes muito difícil.
O conceito de Egrégora sofre com este fenômeno e mais de uma vez senti no tom de voz de alguns irmãos um pressuposto de que "uma vez que estamos envolvidos na egrégora estaremos protegidos de todo mal".
Lembremos que informações históricas dão conta de que nosso imperator entre os séculos XVI/XVII, Francis Bacon, após uma vida de glória, acabou seus dias, não com serenidade, mas na masmorra da torre de Londres, ou que nosso irmão, o sublime mago e alquimista Cagliostro, Giusepe Bálsamo, terminou seus dias, da mesma maneira, na prisão da Bastilha. Lembremos ainda Lavoisier, irmão da rosacruz, barbaramente decapitado na Revolução Francesa.
Estes eram rosacruzes da elite, irmãos que encarnavam em si o espírito da Ordem em suas épocas.
Não podemos negar que estes homens estava mergulhados na egrégora da Ordem, a qual não os protegeu de destinos trágicos.
Para ficarmos em exemplos mais próximos, lembremos meus cursos na Morada do Silêncio, de revisão do sexto grau de Templo, o grau da Terapia Rosacruz.
Lá, em ambiente absolutamente tranquilo e propicio, discutimos aspectos da aplicação da técnica de cura dos rosacruzes, baseada na harmonização interna das energias do corpo e da mente.
Pois é exatamente lá que recebo, não todos, mas muitos rosacruzes altamente debilitados, com histórias pessoais de dificuldades graves de sua saúde, ou em andamento, ou pela qual teriam passado recentemente.
Já li na revista O Rosacruz, faz algum tempo um artigo cujo título era sugestivo: "Porque tantos rosacruzes adoecem?", como a questionar que os portadores de um conhecimento milenar de domínio sobre os elementos básicos de uma vida equilibrada, fossem, ao mesmo tempo, incapazes de aplicá-lo. Neste caso a Egrégora não teve um papel de escudo contra o mal, se é que podemos usar esta expressão, a qual implica em uma compreensão supersticiosa do papel do fenômeno energético da egrégora ( do grego egrêgorein, velar, vigiar) em si. A egrégora é um campo que interliga uma assembléia focada em objetivos comuns.Como o pensamento é energia e cada pensamento tem um padrão vibracional próprio, se muitas mentes comungarem pensamentos iguais, valores iguais, acabarão harmonizando-se umas com as outras e este somatório de mentes harmonizadas será conhecida como a egrégora. Quando acontece tal harmonização, não estabelecemos um campo de proteção, mas um campo de vibração comum, aonde compartilharemos um único padrão mental só se a qualidade dos pensamentos for muito, muito semelhante. Na maioria das vezes, como os padrões mentais dos envolvidos nesta egrégora são muito heterogêneos, o campo é a resultante do encontro destes padrões mentais individuais diversificados, podendo em alguns casos elevar o padrão vibratório de um indivíduo, mas, da mesma forma, rebaixar o padrão vibratório de outro. Neste sentido, um sadhu e gúru da Índia moderna, Ramana Maharishi, dizia que a ignomínia de um único homem rebaixa toda a humanidade, da mesma forma que o gesto de bondade de um único ser humano eleva toda a Humanidade. Assim, na verdade o que uma egrégora faz é partilhar o karma de uma determinada Organização ou grupo e não proteger este grupo, indivíduo por indivíduo, de algum mal físico ou mental. A Lei do Karma funciona para todos nós e cada um de nós é responsável por seu próprio karma. O fato de pertencer a esta ou aquela escola esotérica não nos torna isentos de responsabilidades pessoais seja perante o Universo, seja perante nossa própria história pessoal. Egrégora é comunhão, não proteção, é o encontro de mentes, que a partir disso, começam a ser alimentadas com informações ligadas aquele tipo específico de comunhão, como inspiração para compreensão de determinados conceitos místicos mais elevados. Proteção verdadeira é aquela que advém de uma vida física e mental serena e da colocação de nossa existência totalmente nas mãos do Altíssimo, ou pela oração ou pelo estado devocional semelhante ao dos bakhtis yogues. Isto sim gera um bom karma.