Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

COMPARTILHAR OU NÃO COMPARTILHAR: EIS A QUESTÃO.

por Mario Sales, FRC.:, Gr.:18 - C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD) 



Eu quero dividir com todos uma deliciosa troca de comentários com um leitor desconhecido, anonimo, e por isso, sem violação de privacidade, e que foi um dos motivos de eu ter escrito o post MATÉRIA ESCURA.
O debate é sempre estimulante , quanto mais se é elegante.
Esgrimir com palavras sempre é bom, desde que seja apenas por esporte, sem interesse letal, e desde que com floretes, não espadagões templários.
Idéias podem ser debatidas com paixão, mas sem violência, e o maior objetivo deste espaço é abri-lo à manifestação de todos os esoteristas que o desejarem, mas principalmente, não debater por debater, não esgrimir por esgrimir, na busca por um vencedor, mas procurar aperfeiçoar as habilidades e o conhecimento de cada um ao estudar os problemas e as vicissitudes da prática do esoterismo e do misticismo em nosso momento presente. Pois já não estamos, e eu repito sempre este ponto, no século XVIII e muito menos na Idade Média.
Feliz ou infelizmente, não sei ao certo, ninguém mais se importa com sociedades secretas, a não ser seus membros. Ouço com frequência dentro da maçonaria, como já ouvi dentro da AMORC, que as Ordens antes conhecidas como secretas são atualmente apenas discretas, não fosse o fato de que para funcionar, precisem de licença da prefeitura, do corpo de bombeiros e paguem imposto de renda.
Daí a possibilidade de existir esoterismo via internet, poder debater com frateres de Portugal ou Angola em um clic.
Talvez a mais óbvia consequência deste esforço de globalização do pensamento místico e esotérico, é o rápido desfazer das ilusões de isolamento.
A senda iniciática é solitária, intransferível, do ponto de vista psicológico e espiritual mas não no aspecto social. Nada impede que o conhecimento recolhido ao longo do caminho seja partilhado.
Como em todas as atividades humanas, quando nós pensamos em grupo, quando unimos nosso conhecimento, ele se torna inevitavelmente maior.
É esta a causa primeira e última da fundação de escolas de mistério, desde o antigo Egito. Compartilhar. 




E é isso que faço aqui no blog. Toda vez que publico um post, compartilho opiniões pessoais, não verdades eternas, nem axiomas, mas posições, tão frágeis quanto qualquer idéia humana acerca da verdade ou do que é certo pode ser.
Só que, aqui, não tenho medo de me expor a crítica ou ao julgamento dos que me lêem. Tenho plena confiança de que minha intenção é nobre, que minha causa é justa e que se eu não servir às minhas Ordens pela palavra, fomentando o debate e a reflexão, não cumpro minha obrigação nesta existência.
Precisamos todos sair da caverna, ninguém mais nos persegue, ninguém mais quer nos queimar. Se buscarmos o anonimato, será na prática de um gesto de generosidade, na concepção de que , ao fazer o bem, "a mão esquerda não deve saber o que faz a mão direita", de forma a evitar a vaidade. Compartilhar opiniões no entanto, publicamente, não é vaidade, é serviço, e num ambiente fraterno, que busca o aperfeiçoamento constante, obrigação. 


Conheci muitos intelectuais solitários e reclusos. E entre estes, poucos que publicavam o resultado de seus estudos, que se davam ao trabalho de organizar seu pensamento em pequenos trabalhos, de uma erudição intensa, para deleite de todos que os recebiam.
Ora, acumular dados que não serão transformados em uma síntese conceitual, ler por ler, é como comer e engordar. Eu sou obeso, entendo do assunto. Quem come para garantir a existência e queima as calorias no esforço do dia, dá um sentido às calorias que consumiu. Já o obeso acumula uma energia que não utiliza e que, provavelmente, lhe trará a doença e não a saúde.
Repito, partilhar o que se sabe é prestação de serviço.
Não terei significado nada se não compartilhar o que sei e não aprenderei nada se não revelar minha ignorância através da exposição de meu pensamento imperfeito. Não tenho medo do erro, tenho medo da estagnação, de permanecer no erro, de não encontrar quem me corrija, quem me ajude a ser melhor do que eu sou.
E só poderei ser corrigido se meu erro for revelado, para outros e para mim mesmo.
Por isso escrevi MATERIA ESCURA. O medo de revelar-se é sintomático não de humildade e discrição, em nossa época, mas sim de uma idéia fantasiosa de que possuímos um nível de evolução tão alto que o sigilo é a única alternativa, para que não sejamos perseguidos ou presos ou torturados por pessoas interessadas em obter a força nosso conhecimento.
Deixemos que a troca de comentários fale por si. 


Abaixo transcrevo as interessantes intervenções deste irmão que insiste em permanecer no anonimato em vez de dividir conosco o vinho fraterno da convivência sem receios.
Os comentários foram feitos em relação aos posts "O QUE QUEREMOS DO ROSACRUCIANISMO" e depois sobre "MATÉRIA ESCURA".

Vamos lá.

1° comentário:

"Um Frater" deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O QUE QUEREMOS DO ROSACRUCIANISMO?":
Mestres sempre ensinam de maneira muito simples, direta e por que não? óbvia! Postulantes é que buscam sofisticação e complexidade. A Soror dispensou o mestre em troca de uma fantasia de ensinamentos complexos e magistrais...
Observem com simplicidade e reconhecerão quem sãos os verdadeiros mestres...
Postado por Um Frater no blog IMAGINÁRIO DO MARIO em 1 de janeiro de 2013 12:56

Minha resposta:

Frater, agradeço seu comentário, mas se fosse possível elaborar um pouco mais eu ficaria muito grato. Entendo que na opinião do frater, houve um erro de julgamento por parte de minha sóror e iniciadora, talvez por presunção e orgulho da parte dela. É isso? Poderia por favor se identificar, isto também seria extremamente interessante. Desde já agradeço. 1 de janeiro de 2013 13:38 em O QUE QUEREMOS DO ROSACRUCIANISMO?

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Mario Sales

em 01/01/13


Ao que o irmão respondeu:

"Um Frater" deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O QUE QUEREMOS DO ROSACRUCIANISMO?":

A máxima de Claude de Saint-Martin, "Permanecemos desconhecidos no mundo para que nossas obras sejam duradouras e perenes" é a divisa que deve carregar todo iniciado e fazer uso diário deste preceito. Por isso prefiro o anonimato.
Realmente pensou acertadamente quando afirma "...talvez por presunção e orgulho da parte dela..." e como o assunto é longo gostaria de deixar indicação de duas obras de Paul Sedir que participou da OM do tempo de Papus e era um brilhante ocultista. Porém conheceu um grande místico e espiritualista que em sua simplicidade mudou completamente a forma de ver o mundo espiritual e principalmente a vida de Sedir: Mestre Philippe de Lyon.
A obra onde relata isso e inspirou e inspira misticos por todo o mundo: Iniciaciones
http://pt.scribd.com/doc/100345389/Paul-Sedir-Iniciaciones
E estudo muito proveitoso e inspirador sobre a Historia y doctrina de la Rosa Cruz
http://pt.scribd.com/doc/118649021/Historia-y-doctrina-de-la-Rosa-Cruz-Paul-Sedir
obra onde encontramos o belíssimo trecho:
Os Rosacruzes Essenciais
http://porentreospilares.blogspot.com.br/2012/09/os-rosacruzes-essenciais.html
Postado por Um Frater no blog IMAGINÁRIO DO MARIO em 2 de janeiro de 2013 07:30


Pela data e hora do comentário, deduzo que o irmão não havia lido ainda "MATERIA ESCURA" quando fez o segundo comentário ao post " O QUE DESEJAMOS...".
Leu, e reagiu a provocação com essa resposta eloquente, deliciosamente brava, embora elegante, e mesmo provocado, não se revelou. Chamo a atenção para a estocada sutil no meio do comentário, sobre a maneira como costumo assinar meus posts:

"Um Frater" deixou um novo comentário sobre a sua postagem "MATÉRIA ESCURA":

Estimado Irmão, acertou na mosca quando escreveu:
"O que faz de um homem ou mulher rosacruz realmente especial não é a quantidade de cursos ou de títulos que possui, mas sua sensibilidade, sua bondade e sua capacidade de empatia com o drama alheio."
Então, não necessito usar um nome pessoal e apor a ele frc, si, mm, etc; como fazem alguns que querem ser reconhecidos pelo seu nome e títulos e não por suas ideias.
O foco é a ideia e a mensagem transmitida e não o transmissor. Porém, sois livres para pensar o que quiser e como quiser...
Outro ponto digno de nota é que usa o termo rosacruzes de forma geral denotando tanto os que iniciam a jornada como aqueles que já alcançaram a maestria e vem aqui para ensinar. Ser mestre não é ter poderes fantásticos ou realizar "milagres". É poder auxiliar o próximo e com seu exemplo mostrar o caminho da verdadeira espiritualidade. Inclusive quão mais adiantado no caminho, menos poderes usa e menos interfere nos eventos a sua volta de forma "pessoal".
Algumas obras de ficção nos ensinam nas entrelinhas se soubermos aproveitar sua leitura.
Em determinado trecho d'O Mago de Terramar Gavião ainda jovem observa perplexo o Arquimago que é o chefe da escola de magos e o que tem mais poderes de todos e afirma desalentado ao ver que não usa seus poderes mágicos: "de que adianta ter tantos poderes se você é sábio demais para usá-los?"
Esta é a reflexão que deixo. Onde houver mais sabedoria, menos uso de poderes haverá...
Postado por Um Frater no blog IMAGINÁRIO DO MARIO em 2 de janeiro de 2013 08:03


O que me chamou a atenção é que trata-se de um erudito em Esoterismo, alguém que conhece o assunto já faz bastante tempo, que aparentemente leu Saint Martin, Sedir e que contribuiria em muito se quisesse partilhar seu conhecimento, mas usando o discurso martinista, insiste em disfarçar sua timidez em vestes esotéricas.
Pessoas com essa elaboração são cada vez mais raras em nossas Ordens e,  toda vez que alguém que tem conhecimento se afasta do convívio só pode haver prejuízo para todos. 
Às vêzes, concedo, é difícil o relacionamento humano.
Até eu passei por essa experiência.
Minha estratégia foi ficar escrevendo de casa, no conforto do meu lar, mas ainda assim, mantendo um contato permanente com meus irmãos através destes novos meios tecnológicos. Sempre é possível partilhar, compartilhar, se assim o desejarmos.
Ou ficarmos trancados em casa reclamando do quanto somos incompreendidos.
É um opção psicológica, não mística, procurar o convívio.
A exposição é desconfortável? Sim, muitas vezes, mas ficar na zona de conforto cria o vício do isolamento e precisamos dar o próximo passo, todos nós, em busca de resgatar um espaço que é nosso, nós os esoteristas modernos, reforçando nossos laços e trocando idéias, sem receio, sem preconceito, sem medo.
Só esta troca pode nos tornar melhor. 
É nisto que acredito no mais fundo do meu coração.