Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

AINDA CONVERSANDO COM JULIO


Organizado e Compilado por Mario Sales

Este debate está longe de se encerrar, por isso continuo a publicar as repercussões dos últimos posts.



JuLio deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CONVERSANDO COM JULIO":
Olá Mario, fiquei muito feliz e lisonjeado por receber uma resposta tão interessante quanto a sua em forma de um novo post em seu blog.
Do fundo do coração eu agradeço as palavras de incentivo e de motivação que me foram direcionadas.
Minha considerações:
Quando você diz: "é triste, muito triste é que em nome de manter a autoridade, perca-se a noção de fraternidade." De fato, é muito triste que em nome da autoridade, cada vez menos podemos manter um ambiente fraterno e questionador (que é a base da filosofia... o ato de questionar, encontrar respostas, ponderar e aplicar).
Quanto a não julgar os frutos pela plantação: Com apenas dois anos de ordem, minha vontade é cada vez mais ir apenas nas convocações e nem ficar para o ágape. Felizmente conheci alguns frateres (dá pra contar em uma única mão) com que posso conversar, questionar, debater acaloradamente sabendo que meu nome não irá parar na mesa do Grande Mestre. Ainda assim, soube hoje de um episódio MEDÍOCRE devido a uma interpretação errônea e descabida de algo que disse em frente a outros frateres e sorores, a cerca de dois meses que me faz pensar muito na convivência (se vale ou não a pena... é um misto de hipocrisia + dor de cotovelo + ego inflado [não generalizando, estou comentando de um fato local e relacionado a minha pessoa]).
Quanto ao participar: Acredito que é muito mais enriquecedor estar entre as colunas do templo, participar dos conventículos e tudo mais. No entanto, quando você diz que "Difícil é assumir responsabilidades com a AMORC, tornar-se um oficial templário ou administrativo, cuidar dos pequenos detalhes cotidianos da manutenção do capítulo ou loja, assumir uma monitoria ou a condição de Grande Conselheiro." eu discordo parcialmente.
Realmente, fazer o negócio acontecer e colocar a mão na massa não é para todos, MAS, aonde está a abertura para os novos trabalharem? Aonde estão as pessoas dispostas a ensinar aqueles que querem aprender a ser um oficial? a ser um monitor? a ser um conselheiro? - Aliás, existe um passo-a-passo de onde se começa e onde se pode chegar?
Estou perguntando isso não por ego ou por interesse em cargos e patentes, digo isso simplesmente porque não está claro em nenhum lugar se há uma estrutura de cargos, funções e tarefas e o que é preciso para dar o próximo passo.
Explico: SE a GLP disse que um ano vc seria guardião, no seguinte seria cantor, no seguinte sonoplasta e assim por diante até ser Mestre, ficaria mais simples compreender o funcionamento de uma loja (cargos, funções e tarefas), os membros aprenderiam muito mais e teriam a oportunidade de servir por tempo determinado como oficiais. Ou seja, teria um começo, meio e fim e daria lugar para outros membros interessados.
Pois bem, o mesmo aconteceria com as outras áreas: suprimentos, ordem juvenil, ritualística, etc. Isso facilitaria e organizariam as coisas (essa é a MINHA visão).

Postado por JuLio no blog IMAGINÁRIO DO MARIO em 3 de janeiro de 2013 18:33

Comentário do Mario: dos três pontos que voce comenta, o que achei mais interessante foi aquele em que voce sugere um plano de carreira no oficialato de pronaoi, capítulos e lojas. Já tivemos esta discussão várias vezes e mereceria ser analisado, para inclusive fazer disso um protocolo. É que, vendo o problema de maneira mais realista, falta pessoal; a irregularidade da frequência, a flutuação irritante da frequência ( voce mesmo diz que está se afastando) impossibilita este interessante método, aliás platônico  sugerido na República, um livro clássico, aonde antes de ser governante alguém deveria atravessar por anos todas as etapas da vida da cidade, da prática da agricultura até a vida militar para só depois poder tornar-se um dirigente político. Caso em uma das etapas ele descobrisse sua vocação verdadeira ou demonstrasse incompetência para ir a frente seria acalmado pela musica, a musicoterapia. Interessante não? Mas este é o mundo ideal. Falta pessoal, Julinho. Todo o nosso trabalho como voce diz é voluntário, não podemos obrigar as pessoas a permanecer na Ordem e como voce disse não estamos criando um ambiente acolhedor e atraente o suficiente para mantê-las na Ordem.

Outro comentário de outro leitor:
"Um Frater" deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CONVERSANDO COM JULIO":

Frater, é temerosa sua afirmação de que a AMORC é de todos os rosacruzes e ela é a maior fonte de decepção para pessoas que se dedicaram muitos anos a AMORC. O poder não está nas mãos dos membros e quando eles questionam demais ou querem contribuir de uma forma "não oficial" ele constatará quem realmente tem o poder e pode decidir o que será feito... Quando dizes: "Para participar de maneira ativa de AMORC é preciso ser do tipo que lava pratos, que varre chão, que tira o excesso da vela, sem que ninguém peça.
A ORDEM é nossa, nós somos seus donos, a Rosacruz é o que os rosacruzes são. É como voce lembrou muito bem, alguns são rosacruzes e outros estão rosacruzes. Para quem é rosacruz e não está rosacruz não existem duas rosacruzes, a minha e a dos outros que eu não gosto."
Veio-me imediatamente o questionamento que vi nos comentários de uma postagem mais antiga sobre a Loja Brasília que teve todos seus oficiais expulsos da AMORC e todos os membros que apoiaram os questionamentos judiciais quanto ao estatuto que a Grande Loja envia as Loja como modelo. Alguém sabe como terminou o processo na justiça brasileira? Retomando o assunto, a AMORC é uma instituição jurídica e ela não é nossa. Podemos doar toda uma vida a ela, porém ela não será nossa. Sua estrutura jurídica garante que sempre seus templos serão dela e não das pessoas que os doaram ou os mantém. Tudo que fazemos para AMORC devemos entender que estamos fazendo para uma instituição jurídica. A rosacruz nunca será uma organização física como bem demonstra o texto Rosacruzes Essenciais. A rosacruz é algo espiritual e como tal pode estar em qualquer lugar e qualquer pessoa espiritual pode ser parte da irmandade rosacruz, mesmo que nunca tenha sido iniciada em nenhuma ordem rosacrucianista. Estejam muito conscientes deste ponto...

Postado por Um Frater no blog IMAGINÁRIO DO MARIO em 3 de janeiro de 2013 17:07


Comentário do Mario: Esse comentário eu deixo para comentar no final.



JuLio deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CONVERSANDO COM JULIO":

Em relação ao que você disse da Ordem ser nossa... concordo 100% com o comentário do Frater acima "a AMORC é uma instituição jurídica e ela não é nossa. Podemos doar toda uma vida a ela, porém ela não será nossa. Sua estrutura jurídica garante que sempre seus templos serão dela e não das pessoas que os doaram ou os mantém. Tudo que fazemos para AMORC devemos entender que estamos fazendo para uma instituição jurídica. Será sempre um trabalho voluntário para uma instituição jurídica que possui muitas posses (doações e mais doações dos rosacruzes do passado + arrecadação anual com trimestralidades). No mais, se pagarmos a trimestralidade seremos rosacruzes e se não pagarmos, não seremos (nos vetam o acesso ao conhecimento com a cessando os envios de monografias, é vetada a nossa participação nas convocações ritualísticas é vetada a participação nos pronaoi, etc).
No mais, agradeço novamente todas as palavras fraternais e de incentivo que proferiu.
Finalizando, como consultor de empresas, percebo um erro estratégico e de gestão, onde o foco é muito maior em sistema, processos, financeiro, autoridade, hierarquia e estrutura e estão esquecendo substancialmente do cliente (nós, os rosacruzes que pagam suas trimestralidades), ou seja, perde-se tanto tempo no operacional que a Ordem esquece de ser estratégica. O que há de mais novo em termos de business, marketing, etc, é o foco no cliente e no relacionamento com o cliente, agregar valor de todas as formas possíveis, dar algo a mais (além daquilo que o cliente paga), ter bons canais de comunicação e distribuição e um preço justo que faça com que o cliente enxergue mais o VALOR do que o PREÇO em si. Se olharmos por essa ótica, não há foco no cliente (paga é rosacruz; se não paga, não é rosacruz), esperar relatórios via correio em pleno ano de 2013 é mais do que ultrapassado, há pouco valor agregado para quem busca mais a fundo (para os que se contentam com pouco, o conteúdo das monografias e dos livros já é mais do que o suficiente), a Ordem vai ter que se reinventar quase que por completo nos próximos oito anos devido as inovações tecnológicas e questões ambientais (quantidade gigantesca de papel), quanto aos canais de comunicação, ainda há o que melhorar (mas em geral é muito bom), no quesito distribuição a Ordem é refém dos correios e seus prazos horríveis e por último e não menos importante, há a parte financeira que daria uma análise gigantesca (que fiz recentemente comparando a quantidade de lotes x monografias recebidas tanto da AMORC quanto da TOM e constatando que o investimento financeiro é quase que o dobro comparado à 10 anos atrás... ainda mais na TOM que foi alterada recentemente e lembrando que é uma ordem fundada por PAPUS com o intuito de não haver a parte financeira envolvida (tanto que os oficiais arcavam com suas próprias despesas, mas isso é outro papo). Acredito que se a Ordem partir para essa visão administrativa com cara de negócio, ela precisa melhorar URGENTE a sua estratégia, caso contrário, ela enfrentará sérios problemas num futuro muito próximo.

Postado por JuLio no blog IMAGINÁRIO DO MARIO em 3 de janeiro de 2013 18:34


Comentário do Mario: É verdade. Principalmente as observações gerenciais, com as quais concordo plenamente. Mas embora eu não tenha uma procuração para defender a Ordem, como Rosacruz eu insisto que a Ordem somos nós, sim. Que existe um estrutura jurídica? Tem que haver, não haveria como publicar e distribuir uma informação tão densa se não houvesse a mínima organização administrativa. Isso inclui uma burocracia que precisa ser modernizada, concordo, mas que não pode ser extinta. Se no final do século XIX Papus queria uma Ordem Martinista sem envolvimento do financeiro eu compreendo , mas nenhum de nós, em sã consciência, de forma adulta, poderia supor que uma estrutura gigantesca como é AMORC vivesse de doações. É preciso que haja algum tipo de financiamento da operação mundial, e isso, como administrador, voce deverá concordar; no entanto, concordo com a importância e urgência da mudança do viés administrativo para foco no cliente. É preciso mais carinho e atenção, eu tenho repetido isto aqui inúmeras vezes, não se deve deixar um irmão sem uma resposta, sem um retorno, é preciso ter apoio didático via skipe e não por email ou papel. É preciso usar as tecnologias atuais como aliadas e não como potenciais destruidoras da luz.
A mesma tocha que incendeia a casa ilumina nosso caminho. Precisamos todos parar de ter medo do fogo em si, mas ter cuidado com seu uso, não proibindo-o, mas usando-o de forma estratégica, como temos feito com tudo ao longo dos séculos neste mundo de dualidades, onde qualquer objeto ou ferramenta pode ser usada de dois modos, pelo menos, para o bem ou para o mal.
Agora, citando o outro comentário que permeia suas duas intervenções, eu sinto uma certa amargura nesta visão de que não, a Ordem não é nossa, a Ordem é de quem está nos postos de comando. O mais óbvio raciocínio é de que sem membros, não há o que comandar. A não ser que os rosacruzes sejam um bando de carneiros estúpidos que seguem um pastor, e pela sua eloquência ao fazer suas ponderações eu sei que, graças aos céus não somos, ou que tenhamos virado uma religião e eu não tenha sido informado, pensar que a Ordem é apenas uma organização administrativa é pensar de maneira incompleta. Por isso eu insisti na visão do coração, sim porque a senda rosacruz também é uma senda cardíaca. Tem que ser. Quem pensa com a cabeça só pode ver a parte material e os problemas materiais. Mas temos obrigação de como iniciados ir além da visão material, olharmos o que nos cerca com os olhos do coração. Ou não teremos entendido nada do que lemos e estudamos. Misticismo é o exercício da sensibilidade e da perspectiva cardíaca da realidade, é a mudança do olhar sobre tudo e sobre todos, inclusive sobre nós mesmos.
Para ser monótono, não é preciso apenas entrar na Ordem, é preciso que a Ordem entre em nós. Isto só acontece quando nos rendemos a mensagem do nosso interior, que não foi criada pela Ordem Rosacruz, mas que foi divulgada por ela , e como muita eficiência, a meu ver.
Outros grupos conhecem essa mensagem, o som do que Blavatsky chama "A Voz do Silêncio". Quando ouvimos essa voz, ela nos preenche, nos encanta, e os aspectos mesquinhos da vida perdem importância. Não há má intenção em nossos dirigentes, tudo o que fazem fazem pelo bem da Ordem, na sua compreensão. Todos são tão sinceros em sua vontade de fazer o que fazem bem e de modo o mais correto quanto voce ou eu aqui comentando as possíveis falhas gerenciais. Precisamos ter paciência. Precisamos dar um voto de confiança ao Universo, sob a direção e vontade do qual tudo que acontece na criação, ocorre.
Acredite Julio, a AMORC não é apenas uma empresa mesmo que precise de uma estrutura material para exercer seu papel na sociedade, de modo internacional. E se nós que somos rosacruzes não vestirmos a camisa da Ordem, não dos dirigentes, veja bem, mas a camisa do espírito rosacruciano de participação positiva, ativa, sem mágoas, sem ressentimentos, sem medo, não chegaremos a um porto seguro. Nem na Ordem, nem nas nossas próprias vidas.
A mágoa que eu vejo em alguns comentários que recebo, não o seu, esconde uma tristeza imensa, esconde a ira, a decepção. Estes são sentimentos ruins e deletérios. Devemos como místicos, afastá-los de nossos corações, não porque sejamos ingênuos, mas para que nosso poder aumente. O poder verdadeiro, não sobre alguém ou alguma coisa, mas sobre nós mesmos.
Confiar no Universo e em sua sabedoria que ele nos comunica pela intuição é fundamental para superar nossas próprias limitações.
Tenha certeza, se as coisas ainda não se resolveram é porque esse processo ainda não terminou.
Grande abraço