Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A IMPORTÂNCIA DOS COMENTÁRIOS


por Mario Sales, FRC.:, Gr.:18 - C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD) 


Não me iludo.
Dos 5000 acessos em média por mês que o blog recebe, provavelmente metade são de caçadores de imagens como eu, que ficam googando idéias para representá-las nesta sociedade absolutamente visual.


Vamos imaginar que metade deste número, 25% do total de acessos, 1250, sejam de pessoas que realmente leem os posts, inteiros, e que pensam sobre o que está escrito.
É bastante gente.
Mesmo assim, momentos como este do post "Ainda Conversando com Julio", que gerou 19 comentários, não são comuns.



O tema tem o seu apelo e se meu interesse fosse apenas aumentar minha audiência perceptível, que é esta dos comentários, bastaria postar todo dia algum tópico polêmico, batendo forte em alguma tecla sensível, e deixando o som ecoar por toda a rede. 

Não é para isso que abri este espaço, pseudo solitário como analisei em outro artigo. A polêmica pela polêmica não interessa a ninguém que seja sincero e equilibrado em suas intenções.
Eventualmente as polêmicas aparecerão, mas não como rotina ou intenção proposital, como o jornalista de uma mídia marrom, que lucraria mais quanto mais expusesse os dramas alheios.


Como eu disse em um email dois dias atrás a José Sobral, lá de Recife, eu me contenho em nome do bom senso e dos valores que regem a vida do iniciado.
Iniciados sabem que a qualidade dos debates não são medidas pela intensidade de emoções fortes que eles desencadeiam mas pela qualidade de soluções que emergem deles. É esta a função do bom debate, gerar sugestões factíveis para o administrador, discutir aonde o sistema pode ser acelerado no seu desempenho, melhorado como instrumento de serviço e como auxiliar de difusão da luz.
Mesmo assim, frateres apaixonados e dispostos a transformar sua paixão em palavras, palavras escritas, são poucos.


Luciano Pires, o diretor do meu podcast preferido, o Café Brasil, sempre reclama dos seus ouvintes que não mandam comentários, e muitos mandam.
Eu não posso dizer que muitos comentem, não é o habitual.
Escrever para o espaço virtual é conversar com o aparente vazio, conversar com um muro iluminado, a tela do meu computador que não fala comigo, não dialoga, não me contesta, palavra que se em português significa opor-se a um argumento, em espanhol significa simplesmente responder.


A tela do computador não me responde.
Minhas respostas são bits que aparecem no meu globinho, à direita dos posts, onde aparecem bandeiras da Inglaterra, muitas do Brasil, Canadá, Portugal e hoje, até mesmo da Suíça, com um nome de uma cidade da qual nunca ouvi falar. 

Uma cidade inteira em um ponto anonimo, aonde está uma pessoa, também anônima, desta cidade, que pode estar apenas roubando uma imagem bonita do blog, como em tantos blogs que passamos ao longo da navegação, mas que pode ser um brasileiro, e quem sabe, um maçon ou um rosacruz, de AMORC ou não, lendo sobre assuntos pertinentes.



É apenas um ponto, uma bandeira e o nome de uma cidade. Mais nada.
O que consolida mesmo a existência de alguém interessado do outro lado deste muro iluminado da minha tela é o comentário.
É nele que o leitor do blog se apresenta e requer sua participação no jogo das idéias e das emoções de um texto.
É nele que o leitor oculto torna-se um ser humano revelado e é por isso que eu fico tão contrariado com gente que assina com pseudônimos, já que tudo que faço aqui é um esforço para encontrar pessoas afins, pessoas como eu, de carne e osso e não bits ou pontos em um globo terrestre virtual.
Uma fraternidade é feita de seres humanos reais, todos diferentes, todos cheios de desejos, idéias de mundo, concepções de certo e errado, facetas as quais eu tenho uma genuína curiosidade de conhecer.
É frustrante não receber retornos desse esforço, e mais frustrante ainda, convenhamos, quando este retorno vem oculto, disfarçado, escondido.
Como eu já disse antes, a finalidade das escolas de mistério era e sempre foi compartilhar um conhecimento, que é herança de toda a humanidade, e que é dirigido a todos aqueles que quiserem e puderem recebê-lo.
A primeira e mais simples forma de compartilhar conceitos e idéias é pelo diálogo e nestes tempos de internet, comentários aos posts de um blog são, também, uma forma de diálogo.
Comentem pois, comentem qualquer coisa, transformem suas impressões em texto, deixem que seu coração escorra por seus dedos para dentro de uma frase, de uma oração, oração no sentido literário.
O autor do blog, na sua pseudo solidão, agradece, penhorado.