Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 30 de junho de 2013

CABALA, COSMOLOGIA, NEUTRINOS E VISUALIZAÇÃO DA AURA

por Mario Sales, FRC,CRC,SI



Terminou ontem a tarde o Curso de Introdução ao Cabala, na Morada do Silêncio. Foi uma forma de homenagear o trabalho de um eminente esoterista e meu amigo, Reginaldo Leite, relembrando em muitos slides os conceitos que ele ensinou com tanto brilho para vários rosacruzes em todo o país e na própria Morada do Silêncio, nas únicas duas vezes que lá compareceu.Percorremos os textos fundamentais, mais como um inventário do que como uma análise aprofundada. Sefer Yetzirah, Bahir e Zohar juntos com a Bíblia, os quatro livros fundamentais para qualquer tipo de discussão sobre este nobre tema. Discutimos os tipos de Cabala: a Hebraica, a Cristã de Picco della Mirandola, verdadeira mistura, a meu ver pouco criteriosa de perspectivas que necessariamente não se harmonizam, e finalmente, a Hermética. Vimos que dentro da Cabala Judaica, podemos ter uma abordagem teórica, mística ou prática. Falamos das correntes dentro do Cabala Judaico, a Obra da Carruagem, Merkhavah; falamos da cidade de Safed, de Moisés de Leon, de Isaac Luria.
Discutimos o Ayn e o Ayn Sof; em Luria, analisamos os conceitos de TzimTzum, Shevira ha-Kelin (a quebra dos vasos) e Tikun Olam (a reparação do Mundo).
Realizamos três meditações orientadas na monografia básica da Grande Loja da Língua Inglesa, por sóror Julie Scot: a primeira, a meditação dos 231 Portais, essencialmente mântrica; em segundo lugar, praticamos meditações sobre as três letras mães hebraicas, desenhando-as, contemplando-as, imaginando-as no contexto do elemento ao qual estão associadas.



Depois assistimos um filme italiano aonde um escultor faz em argila um molde de Alef, uma das propostas de sóror Julie como método de meditação.
Mais a frente, baseando-nos no último capítulo da monografia que fundamentou nosso trabalho e que traduzi do inglês, avançamos pela Cosmologia. Com a ajuda de três filmes didáticos, apresentados por ninguém menos que Stephen Halking, feitos para a BBC em 1996, percorremos as etapas teóricas e práticas da recente história da consolidação da Teoria do Big Bang, discutindo o legado do padre George Lamaitre, do próprio Albert Einstein e de Edward Hubble, este último responsável pela observação e comprovação do movimento de fuga das Galáxias, que comprovou para Einstein que o Universo estava em expansão, como afirmava padre Lemaitre, coisa na qual Einstein não acreditava.



Daniel C. Matt, Ph.D. uma das maiores autoridades do mundo em misticismo judaico, trabalhou como professor de Espiritualidade Judaica na Graduate Theological Union em Berkeley, California, por mais de vinte anos. Ele recebeu seu título de Ph.D. de Brandeis University e também lecionou na Universidade de Stanford e na Universidade Hebraica em Jerusalém.



Estudamos Teoria do Universo Estacionário, Super Novas e Quasares, em um esforço preparatório fundamental para lermos o texto do professor doutor Daniel Matt, da Universidade de Jerusalém e de Stanford. Em uma peça de argumentação brilhante, ele estabelece um paralelo entre a compreensão da Cosmologia Contemporânea e a visão da Origem do Universo no Cabala. Ali, com a mesma tranquilidade que descreve o significado do Tikun e da shevira há-kelin, ele comenta a visão do Big Bang ortodoxa, comentários para os quais os participantes do curso foram preparados pelo trabalho da BBC Inglesa.
Todo o tempo do curso com pequenos intervalos, uma crise de dor ciática me acompanhou, reduzindo minha mobilidade, mas não impedindo que o curso fosse ministrado aos inscritos. Talvez por causa do incômodo da dor, minha impressão era de que podíamos ter feito mais e melhor do que fizemos, mesmo entremeando entre todos estes movimentos slides originais de Reginaldo, apresentados em seu estudo sobre o Misticismo das Letras Hebraicas, em outubro de 2011 e no início do ano passado.
Agora, fazendo este inventário, vejo que mesmo com os meus problemas, foi uma jornada interessante. Ainda mais que, ao ter dificuldade para dormir, na noite de sábado, resolvi continuar a ver a segunda parte dos vídeos da BBC, que não cheguei a dividir com os frateres e sorores que participaram deste trabalho.
Lá o assunto era matéria escura e buracos negros e , lá pelas tantas, cita-se a possível composição da matéria escura como um resultado da combinação de trilhões de micro partículas, resultantes das explosões nucleares estelares, chamadas neutrinos[1]. No vídeo, mostra-se como estas partículas extremamente diminutas e rápidas, passaram a ser objeto de estudo da física com detectores colocados na mina mais profunda da Inglaterra, uma mina de sal, a um km de profundidade, aonde mergulhados no interior do planeta os cientistas esperam captar sinais de neutrinos atravessando o planeta sem a presença comum na superfície de raios cósmicos que poderiam interferir nesta detecção. Pelo fato de que, ao atravessarem o planeta, os neutrinos chocarem-se com outras partículas e, neste encontro, liberarem uma determinada dose de energia, no caso luz, de baixíssima intensidade, parte do trabalho de detecção consiste em amplificar esta muito fraca irradiação luminosa resultante dos choques de partículas e , para isso, usavam, lá em 1996, um dispositivo semelhante ao bulbo de uma enorme lâmpada, chamado fotoamplificador.



Imediatamente me lembrei de minha obsessão em encontrar uma maneira de tornar visível à não videntes, as emanações extremamente sutis da aura humana e, de quebra, dos canais de acupuntura, partindo do pressuposto de que sejam emissões fotônicas, e portanto detectáveis. Se tal aparelho consegue amplificar o sinal débil do choque entre um neutrino e outras partículas, talvez pudesse me ajudar a realizar meus objetivos e criar uma ponte entre pesquisas eminentemente rosacruzes e a física de partículas. 
É pena que físicos membros da AMORC, que consultei sobre o assunto alguns anos atrás, não queiram participar desta empreitada por considerarem a hipótese da aura ser uma emanação fotônica descabida. Digamos que estejam certos. Considerando as implicações de uma tal descoberta acho que deveriam, pelo menos, tentar.
Aproveito para agradecer a sempre simpática acolhida que a Sóror Celi, esta Maga dos Alimentos, e do Frater Avelino, seu marido, administradores da Morada, que em solidariedade e sincronicidade comigo, também nos recebeu com simpatia prestativa e um sorriso, mesmo sofrendo com o desconforto de uma grave crise de dor ciática, igual a minha.
Agradeço também a visita fraterna de Frater Elias, que esteve no sábado na Morada, para nos cumprimentar.
A todos os frateres e sorores que compareceram ao evento e aos funcionários da Grande Loja, incluindo a Sóror Vivian do Museu Egípcio, nosso muito obrigado.



[1] O neutrino é uma partícula subatomica sem carga elétrica e que interage com outras partículas apenas por meio daforça gravitacional e da força nuclear  fraca (duas das quatrointerações fundamentais da Natureza, ao lado da eletromagnéticae da força nuclear forte ) . É conhecido por suas características extremas: é extremamente leve (algumas centenas de vezes mais leve que o elétron), existe com enorme abundância (é a segunda partícula mais abundante do Universo conhecido, depois do fóton ) e interage com a matéria de forma extremamente débil (cerca de 65 bilhões de neutrinos atravessam cada centímetro quadrado da superfície da Terra voltada para o Sol a cada segundo). Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Neutrino