Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O PERIGO DA INGENUIDADE SIMBÓLICA

UM TRABALHO MAÇÔNICO PARA A GLÓRIA DO GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO
Por Mario Sales, FRC,S.:I.:,M.:M.:



Algumas pessoas supõem que a linguagem hermética através de símbolos foi desenvolvida pela necessidade de ocultar certas verdades.
Outras, que os símbolos só foram usados em certas épocas por que não haviam meios mais adequados de expressar idéias.
Nem uma coisa, nem outra.
Vejamos o que nos mostra Antoine de Saussure, lingüista fundamental neste capítulo.
Chamamos de signo a qualquer elemento, ou conjunto de elementos ou nome, que represente um som ou uma idéia.
Os signos mais conhecidos são as letras de um alfabeto, que representam sons, os fonemas, que estabelecem as bases de uma linguagem oral regional ou nacional.
Existem, para Saussure, dois tipos de signos: os símbolos e os sinais.
Os sinais indicam uma ação, como os sinais de transito, as setas que indicam direções de rua, que avisam sobre cruzamentos, etc. Ao vê-los, temos uma atitude imediata, seja pela sua força de representação, seja pelo conhecimento de consenso entre a sociedade acerca dele.
Por outro lado, existem signos que representam idéias complexas, geralmente compostos de outros símbolos, como a Tábua de Esmeralda sobre a qual já discutimos aqui em loja, composta de inúmeros símbolos distribuídos em um círculo, este também em si, simbólico, cercado pelo dístico “VISITA INTERIORA TERRAE RETIFICANDO INVENIES OCCULTUM LAPIDEM” (VITRIOL).
Nada há ali de indicativo de uma ação, pois não se trata de sinais, não são setas apontando para algum sentido, dentro de determinada direção; nada há também ali de fácil interpretação, já que a Tábua não vem com um manual explicativo, e mesmo, não há um saber consensual entre todos do significado daqueles símbolos ali presentes.
Ao contrário. Ao procurarmos o texto correspondente ao símbolo, encontramos o mesmo escrito em latim, o Inglês da Idade média, por João de Sevilha, (Johannes Hispaniensis), o qual, traduzido, é apresentado abaixo:


(1) É verdade, certo e muito verdadeiro:
(2) O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está em baixo, para realizar os milagres de uma única coisa.
(3) E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.
(4) O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua alma;
(5) O Pai de toda Telesma do mundo está nisto.
(6) Seu poder é pleno, se é convertido em Terra.
(7) Separarás a Terra do Fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.
(8) Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
(9) Desse modo obterás a glória do mundo.
(10) E se afastarão de ti todas as trevas.
(11) Nisso consiste o poder poderoso de todo poder:
Vencerás todas as coisas sutis e penetrarás em tudo o que é sólido.
(12) Assim o mundo foi criado.
(13) Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.
(14) Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, pois possuo as três partes da filosofia universal.
(15) O que eu disse da Obra Solar é completo.


Sem entrar no mérito do significado destas palavras, que poderemos desenvolver em outra oportunidade, gostaria de deixar claro que, para aquele que lê estas palavras seria impossível compreendê-las pelo menos de forma correta, sem a ajuda de algum orientador. Alguém deverá chamar a si a responsabilidade de Iniciar o curioso no verdadeiro significado das palavras e símbolos presentes na Tábua, como de resto em qualquer símbolo esotérico.
Mas é preciso manter em mente que embora o símbolo seja hermético, secreto, de difícil interpretação, não foi feito para não ser decifrado, nem para ocultar qualquer de suas informações, mas para revelá-las de um modo todo especial, que implica testar a determinação daquele que o interpreta.
Símbolos herméticos não são sinais banais: são jogos de quebra cabeça, que devem ser montados corretamente para que, ao final, tenha-se um quadro claro da imagem antes recortada e embaralhada.
Sua finalidade não é esconder-se, mas revelar-se, lenta e gradualmente, permitindo que o noviço naquele tipo de exercício participe ativamente da elaboração do sentido da coisa ou da imagem e sinta-se parte dela. Uma palavra não seria tão rica em possibilidades nem tão divertida quanto um símbolo embora ambos, símbolo e palavra, simbolizem algo.
Portanto, não devemos supor como óbvio o significado de qualquer símbolo, mesmo os aparentemente menos complexos, como Galos, Crânios, Ampulhetas e outros de natureza alquímica.
Nós, membros de sociedades esotéricas, Guardiões do Significado desses símbolos, não devemos permitir que quem os contemple tenha impressões errôneas sobre aquilo que querem dizer, pois a mensagem deve ser transmitida de modo fiel àquilo que aqueles que elaboraram o símbolo queriam transmitir, ou seja, o símbolo foi enviado do passado para que revelasse alguma coisa a alguém e não para ficar oculto. Devemos ter cuidado de explicar os símbolos àqueles que queremos que nos substituam, pois em alguns anos todos nós estaremos mortos, mas os símbolos que deixarmos permanecerão, enriquecendo outras almas como enriqueceram as nossas.
Que eles sejam preservados de falsas significações ou da ininterpretabilidade artificial, conseqüência de um mistério excessivo e descabido sobre seu significado, pela explicação clara deste significado àqueles que elegermos dignos disto, de forma a evitar a deturpação do signo e da mensagem que ele transmite.