Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 27 de março de 2011

TERCEIRA PARTE DO ESTUDO SOBRE OS SÍMBOLOS ESTÁTICOS E DINÂMICOS: AS OBEDIÊNCIAS PRECISAM RESPIRAR

por Mario Sales FRC.:,S.:I.:,M.:M.:

Existe um consenso entre os símbolos maçônicos, portanto: eles são símbolos excessivamente estáticos e geométricos, frutos de uma época em que simbolizar era uma arte tributária de valores rígidos: retidão, estabilidade, regularidade.Os símbolos que escapam a estes protocolos são geralmente quadros complexos cheios de detalhes, como o símbolo abaixo.


Gostaria de destacar apenas um detalhe deste maravilhoso símbolo rosacruz do século XVII, o Collegium Fraternitatis, que está do lado esquerdo do quadro, exatamente na metade da altura lateral.




Trata-se de uma representação da Arca de Noé, pousada sobre o Monte Ararat, hoje em território turco.





Provavelmente, seu papel é representar a preservação de uma herança para além das catástrofes e rupturas na linha evolutiva da humanidade, tais como a destruição de Lemúria, de Atlântida, e quaisquer outras que possam ocorrer e que provocam um estranho recomeçar da cultura humana, esquecida de seu passado, transformando-o em lenda. Este tem sido o papel dos rosacruzes ao longo de milênios: preservar as lembranças e as técnicas de outras eras, um tempo em que a ética e a técnica eram parte de um mesmo conhecimento e religião e ciência não eram coisas separadas e antagônicas, mas parte de uma mesma sabedoria.
Símbolos complexos que guardam em si muitas informações e que precisam ser decifrados em detalhes não envelhecem, nem enrijecem com o passar do tempo.
Preservam sua estética e sua força e não se rendem aos aspectos simplistas da simbologia geométrica.
Já aqueles que são simples em demasia podem trazer em si o vírus da imobilidade, ou mesmo do erro, na suposição de que representam a vida e, como vimos em outro ensaio (Os símbolos estáticos os dinâmicos e os pré-dinâmicos ou suavizados), falarem, de fato, de coisas mortas.
Uma linha reta, uma pedra, um ângulo, nos propõem conceitos rígidos demais, militares demais, e por isso, incompatíveis com a vida, falsos ideais de perfeição matemática que não dizem respeito à realidade instável da Biologia e da Psicologia humanas.
As Lojas Maçônicas sofrem com esta, digamos assim, nefasta herança estética. Talvez na época em que foi idealizado, este conjunto simbólico tivesse um arrojo e um significado avançado para sua época. Hoje, no entanto, o mundo é extremamente mais veloz em suas modificações e tornam-se necessários símbolos mais adequados, que açambarquem a gama variada de possibilidades da existência.



Pedras e cinzéis são de pouca expressividade hoje em dia.
Nós maçons precisamos de outros símbolos, ou pelo menos de novas estratégias na utilização de nossos símbolos.
Só posso ir até aqui, porque como rosacruz aprendi a respeitar juramentos secretos de uma iniciação e como maçon jurei não discutir aspectos internos da ordem ou de uma reunião em Loja publicamente.
Entretanto, respeitando este segredo, posso dizer a quem me compreender que os rituais maçônicos estão enrijecidos como os símbolos da própria Ordem. Seu rigor formal, sua incapacidade operacional de permitir o livre fluxo de posições e idéias, a não ser em situações absolutamente bem delimitadas, pode ser um excelente método de disciplina do comportamento em um debate elegante, mas carecem do dinamismo que o fluxo das idéias possui.


Que quero dizer com isso? Que nenhuma Ordem está acima de seus símbolos e, se estes símbolos são excessivamente estáticos, eles desencadeiam comportamentos com forte tendência ao mesmo tipo de imobilidade que eles possuem, e, óbvio, lentidão.
Ora, nos primeiros graus pode ser que isto até seja necessário. Ultrapassando o terceiro grau, no entanto, é preciso liberar os maçons de amarras ritualísticas excessivamente rígidas e permitir-lhes um espaço de debates dentro da realidade de seu grau. Não se trata de indisciplina ou perda de ritualismo. O ritual poderá permanecer como envoltório do trabalho em Loja, como introdução e como encerramento da reunião, mas o coração do encontro deve ser pleno de liberdade e velocidade para que as pessoas presentes possam transformar este congraçamento fraterno na prática mais dinâmica possível de troca de idéias.
Os IIr.: me compreenderão.
Monte Ararat, Turquia