por Mario Sales, FRC.:, M.:M.:,S.:I.:(FD)
Tento não pensar no meu amigo mas tudo ainda é muito recente
e basta eu virar a esquina para ouvir sua gargalhada, ou um dos seus
comentários irônicos.
Recentemente, mês passado, ele foi a Morada dar um curso
sobre A Mística das Letras Hebraicas, que lhe foi solicitado pelo Grande Mestre
Helio de Morais em pessoa.
Era o segundo curso, para as pessoas que não conseguiram
participar do primeiro, que teve sua lotação esgotada.
O "Rabino Genérico" apelido que Amadeu lhe
colocara, era diabético, e embora fosse forte, tinha 65 anos.
Voltou do outro curso com uma sinusite extremamente
incômoda. Não queria que passasse por isso de novo e antes que deixasse Recife,
insisti para que conseguisse um bom cachecol, explicando sobre os
baroreceptores nas carótidas, a necessidade de evitar outro choque térmico, já
que Pernambuco é, via de regra, quente, e ele ia para o Paraná encontrar 12, 11
graus talvez, em um vôo na madrugada.
Tanto insisti que aquiesceu.
Agora, vejo aqui na Internet uma foto de uma sóror de Santa
Catarina, muito simpática, lamentando sua transição e publicando a foto do
momento em que recebeu de suas mãos o certificado do curso de Maio de 2012.
Ao seu lado, um Reginaldo sorridente lhe entrega o
certificado, protegido por um enorme cachecol preto.
Toda essa preocupação com uma simples sinusite agora parece
tão idiota e mesquinha que não merece comentários.
De qualquer forma o cachecol preto mostra que ele escutava
os amigos, que os levava a sério, e era isso que o diferenciava de outros
sumidades de nossa Ordem, às vêzes tão inacessíveis, tão distantes em suas
torres de Marfim, que é difícil acreditar que rezem pelo mesmo catecismo.
Se alguém algum dia perguntar quem ele era, não falarei da
sua erudição ou de sua sabedoria mística.
Direi apenas que foi e é meu amigo.
Esta será uma bigrafia curta mas muito mais fiel à nossa
história e à história de tantos que como eu tiveram o privilégio de compartilhar
esses anos com ele.
























