sábado, 9 de junho de 2012

O CACHECOL PRETO


por Mario Sales, FRC.:, M.:M.:,S.:I.:(FD)



Tento não pensar no meu amigo mas tudo ainda é muito recente e basta eu virar a esquina para ouvir sua gargalhada, ou um dos seus comentários irônicos.
Recentemente, mês passado, ele foi a Morada dar um curso sobre A Mística das Letras Hebraicas, que lhe foi solicitado pelo Grande Mestre Helio de Morais em pessoa.
Era o segundo curso, para as pessoas que não conseguiram participar do primeiro, que teve sua lotação esgotada.
O "Rabino Genérico" apelido que Amadeu lhe colocara, era diabético, e embora fosse forte, tinha 65 anos.
Voltou do outro curso com uma sinusite extremamente incômoda. Não queria que passasse por isso de novo e antes que deixasse Recife, insisti para que conseguisse um bom cachecol, explicando sobre os baroreceptores nas carótidas, a necessidade de evitar outro choque térmico, já que Pernambuco é, via de regra, quente, e ele ia para o Paraná encontrar 12, 11 graus talvez, em um vôo na madrugada.
Tanto insisti que aquiesceu.
Agora, vejo aqui na Internet uma foto de uma sóror de Santa Catarina, muito simpática, lamentando sua transição e publicando a foto do momento em que recebeu de suas mãos o certificado do curso de Maio de 2012.
Ao seu lado, um Reginaldo sorridente lhe entrega o certificado, protegido por um enorme cachecol preto.
Toda essa preocupação com uma simples sinusite agora parece tão idiota e mesquinha que não merece comentários.
De qualquer forma o cachecol preto mostra que ele escutava os amigos, que os levava a sério, e era isso que o diferenciava de outros sumidades de nossa Ordem, às vêzes tão inacessíveis, tão distantes em suas torres de Marfim, que é difícil acreditar que rezem pelo mesmo catecismo.
Se alguém algum dia perguntar quem ele era, não falarei da sua erudição ou de sua sabedoria mística.
Direi apenas que foi e é meu amigo.
Esta será uma bigrafia curta mas muito mais fiel à nossa história e à história de tantos que como eu tiveram o privilégio de compartilhar esses anos com ele.

AINDA SOBRE A ESTANCIA IV: A PÁGINA 144 E AS CORREÇÕES GEMÁTRICAS



por Mario Sales, FRC.:, M.:M.:, S.:I.:(FD)



Graças ao auxílio providencial de Flavio, lançando mão do Glossario Teosófico para fazer uma confrontação entre textos, percebi o que destoava na linha da analise gematrica da palavra ALHIM, decodificada como Alef(1), Lamed(30), Mem(40), Yod(10) e Pei(80), no texto do volume da COSMOGENESE da Ed. Pensamento. No Glossário, ALHIM, na página 28 remete a ELOHIM, na página 167. Lá a sequência de letras hebraicas proposta para a tradução é outra: Alef, Lamed, Hé, e não Mem, Yod e aí sim, Mem, numericamente 1,30,5,10 e 40. Uma coisa que eu não tinha atinado e que altera este verbete do Glossário é que certas letras hebraicas mudam seu valor gemátrico de acordo com a sua posição na palavra.
Assim, no exemplo de ALHIM ou ELOHIM, o Mem que normalmente valeria 40, como é um Mem no final passa ao valor de 600. A soma então, ao contrário do que está no Glossário, 1+30+5+10+40=86, seria na verdade 1+30+5+10+600= 646. O curioso é que a soma dos algarismos do valor gematrico da palavra ALHIM, corrigida, passa a ser 7 e não 5, considerando que 86 é 8+6= 14, 1+4= 5; enquanto 646 é 6+4+6= 16 que é 1+6= 7.
E o 7 é o número consagrado nesta página que tanto insiste nas condições septenárias das Hierarquias, título da Estância. Isto não está no texto original publicado da COSMOGENESE, nem no GLOSSARIO TEOSOFICO, aonde Flavio me ajudou a buscar o confronto.
A questão da mudança de valor gematrico das letras, quando no final do nome, que Mestre Reginaldo tanto insistia em ressaltar, tem um papel importante na compreensão numérico-simbólica do que está por trás do nome, não de Deus, mas já que , como ele também sempre ressaltava, IM é um indicativo de plural, e a palavra é ELOHIM, falamos aqui do nome dos Deuses, ou Dhyans-Chohans, os Senhores Contemplativos, os Senhores do número 7.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A MINHA ÚLTIMA AULA: A GEMATRIA NA COSMOGENESE DA DOUTRINA SECRETA


por Mario Sales, FRC.:, M.:M.:,S.:I.:





Eu e Flavio atingimos em nosso trabalho de revisão da Doutrina Secreta uma página de profundo hermetismo. Trata-se da 140, da Edição da Doutrina Secreta da Ed.Pensamento, meu volume de 1980. Lá entramos na ESTÂNCIA IV, As Hierarquias Setenárias, que se inicia desta forma:"1....Escutai, ó filhos da Terra. Escutai os vossos instrutores, os Filhos do Fogo(a). Sabei: não há nem primeiro nem último; porque tudo é Um Número que procede do Não-Número(b)." O texto prossegue com uma enorme quantidade de explicações que agora não detalharei.
 É na terceira parte que precisamos do socorro de Mestre Reginaldo, já que tinha tudo a ver com sua especialidade.
 E mais uma vez Suzano buscou o Recife na tentativa de esclarecer o texto abaixo.

"3. Do resplendor da Luz - o Raio das Trevas Eternas - surgem no espaço as Energias despertadas de novo; o Um do Ovo, o Seis e o Cinco (a). Depois o Três, o Um, o Quatro, o Um, o Cinco, o duplo Sete, a Soma Total (b).
 E essas são as Essências, as Chamas, os Construtores, os Números (c), os Arûpa, os Rûpa, e a Força ou o Homem Divino, a Soma Total. E do Homem Divino emanaram as Formas, as Centelhas, os Animais Sagrados(d) os Mensageiros dos Sagrados Pais dentro do Santo Quatro." Ao final deste parágrafo, embora nenhum dos dois admitisse, tanto eu como Flavio, tenho certeza já estávamos em prantos, desesperados. O texto é de um hermetismo Bohemiano. E aí começam as infindáveis explicações de HPB.
 Na primeira delas estuda a primeira linha (Do resplendor da Luz - o Raio das Trevas Eternas - surgem no espaço as Energias despertadas de novo; o Um do Ovo, o Seis e o Cinco (a)) da seguinte forma:
"A primeira frase entende[-se] com a Ciência Sagrada dos Números; ciência realmente tão sagrada e tão importante que dificilmente se pode dar uma idéia do assunto, mesmo em uma obra extensa como a presente." E continua:"Sobre as Hierarquias e os números exatos daqueles seres, invisíveis para nós (exceto em raríssimas ocasiões), repousa o mistério da estrutura do Universo inteiro."
"Os Kumâras, por exemplo, são chamados os "Quatro", embora em verdade sejam Sete;(??? a interrogação é minha) isto porque Sanaka, Sananda, Sanatana, e Sanatkumara são os principais Vaidhâtra (é o seu nome patronímico) que surgiram do quádruplo mistério(???)"
 Pausa: o que ou quem são os "Kumâras"? E "Sanaka, Sananda, Sanatana e Sanatkumara"?
 Blavatsky ou Morya ou Ku-thu-Mi,nunca se sabe ao certo, falam desses nomes como se esses nomes exóticos explicassem outros nomes exóticos, quando na verdade apenas enlouquecem que os estuda pela segunda ou terceira vez, quando mais na primeira delas. Comecemos pelo termo "Kumaras", que significa "jovens virgens e solteiros". Recorri a um blog teosófico português para desenvolver este tema: http://sebua.blogs.sapo.pt/88822.html
 Kumâras : Jovens virgens ou solteiros. Os primeiros Kumâras foram os sete filhos de Brahmã, nascidos dos membros do deus da chamada nona criação. Diz-se que lhes foi dado tal nome por se terem negado formalmente a "procriar suas espécies". Deste modo permaneceram yogîs, segundo a lenda. [ Kumâra significa, literalmente menino ou adolescente que não passa do quinze anos e, em sentido figurado, equivale a "puro", "inocente".



Os Kumâras (os sete sábios místicos) são deuses solares e também pitris; são os "Filhos do Fogo", porque são os primeiros seres , denominados de "Mentes" na Doutrina Secreta, saídos do Fogo primordial, filhos nascidos da mente de Brahmã-Rudra, ou Shiva, o grande yogi e excelso patrono de todos os yogîs e místicos da India; são os Dhyanis derivados directamente do Princípio supremo, muito imprópria e imprudentemente chamados "Anjos Caídos" pela teologia cristã, um vez que Sanaka, chefe dos Kumaras, é o protótipo de São Miguel e dos demais arcanjos. Nos Puranas, seu número é variável, segundo as exigências da alegoria. Geralmente se diz os "quatro Kumaras" (embora na realidade sejam em número de sete), porque Sanaka, Sananda, Sanatana e Sanatkumara são os principais Vaidhatras (ou "Filhos do Criador"), que surgiram do "mistério quádruplo" (Doutrina Secreta, I, 116).



Nos textos exotéricos mencionam-se quatro e as vezes cinco Kumâras. Três deles, designados respectivamente pelos nomes de Sana, Kapila, e Sanatsujata, são ocultos e esotéricos. Nos ensinamentos exotéricos foram aplicadas as seguintes denominações: Sanaka, Sananda, Sanatana, Sanatkumara, Jata, Vodhu e Panchachikha e também alguns deles são designados por nomes diferentes, tais como Sanandana e Ribbu. Exotericamentte, os Kumâras são a "criação de Rudra ou Nilalohita (uma forma de Shiva) por Brahmã... e de certos outros filhos nascidos da mente de Brahmã", porém, segundo o ensinamentos esotéricos, são os progenitores do homem interior, do verdadeiro Eu espiritual do homem físico, os Prajapatis superiores, enquanto que os os pitris ou Prajapatis inferiores são apenas pais do modelo ou tipo de sua forma física, "feita a sua imagem". Os Kumâras haviam recebido ordem de criar, porém como ascetas virgens que eram, negaram-se a faze-lo, sacrificando-se deste modo em prol da humanidade, para acelerar su evolução; recusaram-se a criar o ser humano material, porém favorecem sempre o desenvolvimento das precepções espirituais superiores e o progresso do homem enterno interior (Doutrina Secreta, I, 495). Esta classe de Dhyan Choans merece atenção especial , porque encerra o mitério da geração e herança a que se alude no Comentário Estancia VII, ao tratar das quatro ordens de seres angélicos. ( Doutrina Secreta)[ in Glossário Teosófico de Helena Blavatsky]
Outro nome que causou espécie foi Patronímico. Na verdade, refere-se ao hábito de aplicar o nome do pai ao nome do filho para que este fosse reconhecido e diferenciado entre homônimos como explica o comentário abaixo, da WiKipedia: " O patronímico (do grego πατρωνυμικός, πατήρ "pai" e ὄνομα, "nome") é um nome ou apelido de família (sobrenome) cuja origem encontra-se no nome do pai ou de um ascendente masculino. O uso do patronímico foi um procedimento muito comum em todas as comunidades humanas para distinguir um indivíduo dentro de seu grupo, no qual havia inúmeras pessoas com o mesmo prenome ("nome de batismo"). Assim, "José o filho de João" ou "Antônio o filho de André". Por economia de palavras, passou-se a usar "José de João" e "Antônio de André" e, muitas vezes, suprimiu-se também a preposição "de". Desta forma se explicam os números sobrenomes cuja origem imediata e evidente é um prenome, como "Anes" ou "Eanes" (filho de João), "Fernandes" (filho de Fernão/Fernando), "Dias" (filho de Diogo), "Rodrigues" (filho de Rui/Rodrigo), "Gonçalves" (filho de Gonçalo), "Tomás", "Caetano", "Jorge", "Simão", etc. De fato, o patronímico, ou seja, o apelido de família cuja origem onomástica é o prenome do pai ou de um ancestral masculino configura o caso mais freqüente na formação dos sobrenomes."Por isso, Vaidâthra é o nome patronímico dos Filhos de Bhraman, ou Bhramã, como escrito no comentário transcrito, já que Vaidhatri já significa "filho do Criador", sendo Vaidhâtra seu plural. Todos estes comentários estão na primeira metade da página 146. Na segunda metade, percebendo a dificuldade que o tem encerra, HPB continua a esmiuçar detalhes da tradição hinduística e vedântica de onde brota o texto da Doutrina Secreta. Descreve o mito de Hiranyagarbha, ou Brahman (Brahmã, em outra grafia) " o primeiro ente masculino formado pela incompreensível Causa sem Efeito, em um "Ovo de Ouro resplandecente como o Sol"; a palavra Hiranyagarbha significa literalmente Matriz de Ouro, ou melhor Matriz Resplandecente, ou Ovo.






Todos na Índia conhecem o conceito da Matriz Resplandecente e muitos místicos hindus demonstram sua capacidade mística materializando Ovos Dourados , Hiranyagarbhas, que representam para seus seguidores que a Matriz está em suas mãos, o que o torna, seja ele quem for, um descendente direto de Bhraman. Blavatsky desce a detalhes: comenta que a noção de Ovo não se coaduna com a noção de Masculino mas cita o Rig Veda para esclarecer:
"AQUILO, o Senhor único de todos os seres...o princípio que anima os deuses e os homens", teve sua origem na Matriz de Ouro, Hiranyagarbha, que é o Ovo do Mundo, a Esfera do nosso Universo. Aquele Ser é - continua ela - seguramente andrógino, e a alegoria de Bhraman separando-se em dois e recriando-se como Viraj em uma das suas metades (a fêmea Vach) é a prova disso." Ela refere-se a outro aspecto da lenda de Bhraman. O fato de ser originalmente composto de uma parte feminina(Vach) e outra masculina(Viraj). E aí começa a parte mais importante deste trecho da revisão, aquela que demandou o auxílio de Reginaldo, a última aula que ele me deu em vida, e que aconteceu na quinta feira a noite, pouco antes do início da reunião de nossa confraria do Vinho, a GOI (Grande Oriente Interior). Fernando mais uma vez havia faltado e eu esperava a chegada de Carlos Yamashita. Neste intervalo coloquei para Reginaldo minhas questões gemátricas. Elas começam na linha seguinte: "O Um do Ovo, o Seis e o Cinco", que Blavatsky traduziu por 1065, onde 0 era "o Ovo", e que ela definiu como "o número do Primogênito (depois o Brahmâ-Prajapati, macho e fêmea). Pausa. A expressão Prajapâti em sânscrito significa "senhor das criaturas, deidade da procriação e protetor da vida", a deidade máxima do panteão hindu. Da mesma maneira , esta deidade multiplica-se em onze outras entidades, onze senhores da criação, os onze primeiros seres criados por Brahma, os quais cuidarão de toda a obra. São eles os Prajapatis: Daksha, Prachetas Pulaha, Bhrigu, Atri, Marichi, Angiras, Pulastya, Kratu, Vaisishtha, Narada.



Em 5 de maio de 1991 Satya Baba materializou um Ovo de Ouro como demonstração de seus poderes sobre a essência da matéria, além de usar um símbolo mítico do Hinduísmo, o Ovo de onde tudo provém.

Continuemos: HPB fala em "O Um do Ovo, o Seis e o Cinco", que traduziu por 1065 , o valor do Primogênito (depois o Brahmâ-Prajapati, macho e fêmea) que corresponde aos números 7, 14 e 21." Pausa. De onde ela tirou esta correlação? Reginaldo estranhou. Voltei a ler o texto e vi que era apenas uma dedução da própria leitura que narrava mais a frente o seguinte: "O Um do Ovo, o Seis e o Cinco"(aqui temos 1+6+5 que dá 12, e não 7; então ela continua " Depois o Três, o Um, o Quatro, o Um, o Cinco, o duplo Sete , a Soma Total."Aqui temos 3+1+4+1+5+ (2 x 7) = 14 + (14). Ainda não fazia sentido. Nem eu, nem Reginaldo, entendíamos de onde tinha surgido esta clareza para Blavatsky de uma sequência 7-14-21. (Só agora há pouco, conversando com Flavio é que percebi a vírgula do trecho " o Um do Ovo, o Seis e o Cinco. Depois o Três, o Um, o Quatro, o Um, o Cinco (,) o duplo Sete, a Soma Total. Portanto, a expressão duplo sete, depois da vírgula, significa a síntese da soma teosófica de 3+1+4+1+5 que dá 14, o duplo sete, que é a Soma Total, como o texto diz.)
Diz ela no último parágrafo da página 143:
"Os Prajapati, tal como os Sephirot, são unicamente Sete, incluindo a Sephira que representa a Tríade de onde eles emanam." Reginaldo então ficou mais animado. O texto tornava-se subitamente cabalistico. Referia-se a aspectos da estrutura da Árvore da Vida, onde uma Tríade Superior (Kether , Hochmah e Binah) representam o além de tudo, o mundo de Deus, enquanto sete sefiroth (plural de sephira) ficam abaixo e iniciam a caminhada para o Mundo da Criação, lá embaixo, chamado Malkut. Apenas para relembrar, as Sefirot emanados são, na sequência: Kether - Coroa, Chokmah - Sabedoria, Binah - Entendimento, (as três superiores); depois Chesed - Misericórdia, Geburah - Julgamento, Tipheret - Beleza, Netzach - Vitória, Hod - Esplendor, Yesod - Fundamento, Malkuth - Reino.
Entramos assim no reino da Cabala e Reginaldo estava mais à vontade do que com aqueles termos hinduístas aos quais eu estava mais acostumado. No texto, no entanto, Blavatsky insistia em explicações baseadas nos Vedas. Diz ela: "Assim, de Hiranyagarbha ou Prajapati, o Trino e Uno, (a Trimurti Védica Primitiva, Agni [o Fogo],Vayu [o Vento], e Sûrya [o Sol]) ( da mesma maneira que a Trindade Cristã, onde se diz que Deus é três em um, Pai, Filho e Espírito Santo) emanam os outros sete ou ainda dez, se separarmos os três primeiros, que são três em um ou um em três." Aí estacamos os dois, eu e Reginaldo. A palavra "separarmos" não fazia sentido no contexto. Deveria ser "acrescentarmos" para que fizesse sentido. Sete mais Três igual a Dez. Relevamos este deslize do tradutor ( Raymundo Mendes Sobral) e seguimos em frente. Continua ela, com as devidas correções: "Assim, de Hiranyagarbha ou Prajapati, o Trino e Uno, (a Trimurti Védica Primitiva, Agni [o Fogo],Vayu [o Vento], e Sûrya [o Sol]) emanam os outros sete ou ainda dez, se separarmos acrescentarmos os três primeiros, que são três em um ou um em três; todos, aliás, compreendidos dentro daquele Um e Supremo "Parama", chamado Ghuya ou "Arcano", e Sarvâtman, a Super Alma.( Esses comentários, falamos então, por sinal, muito eruditos, são terrivelmente redundantes e pouco objetivos). E aí ela concede em didatismo com a frase:"Os Sete Senhores do Ser permanecem ocultos em Sarvâtman como os pensamentos no cérebro". E continua, voltando ao Cabala:"O mesmo sucede com as Sephirot. São sete quando se contam da tríade superior , presidida por Kether, ou dez exotericamente. Eu perguntei a Reginaldo: está correto? Ele comentou que a formação da Árvore tem vários triângulos que se relacionam, mas são três pontas de um triangulo acima (Kether, Hochmah e Binah) e dois triângulos para baixo, não fazendo sentido falar em sete a partir dos três do triangulo superior, mas sim sete excluindo-se as três sephirot superiores. Relevamos mais esta imprecisão do texto e fomos em frente.





















"No Mahabharata", continua o texto, "os Prajapati são em número de 21, ou dez, seis e cinco (10 6 5), três vezes 7".
É verdade. Enquanto originalmente sejam 10 e não sete os Prajapati derivados de Bhraman, no Mahabharata, o poema épico que narra a História da Índia na Era de Ouro, de dez mil versos, fala-se em outro número, 14, e não 21 como vem no texto da Doutrina Secreta. São eles: Daksha, Prachetas, Pulaha, Bhrigu, Atri, Marichi, Angiras, Pulastya, Kratu, Vaisishtha, Prahlada, Kardama, Gautama e Kasyapa (14)
Compare com os anteriores listados: Daksha, Prachetas Pulaha, Bhrigu, Atri, Marichi, Angiras, Pulastya, Kratu, Vaisishtha, Narada.(11) HPB fala em 21. Não conheço as outras sete. Seguimos em frente. Foi então que eu compreendi e dividi com Reginaldo minha compreensão: 1065 são 1+0+6+5= 21 na soma teosófica. Porque nesta soma não são os algarismos que se somam 6+5= 11 +1 =12, mas somam-se as quantidades de modo estranho, então 1+0= 10 (o Um do Ovo), 5+6= 11 então, 10+11= 21, ou 3 x 7. Curioso. No item seguinte, (b), já na página 144, ela vai se deliciar falando do trecho " o Três, o Um, o Quatro, o Um, o Cinco, o duplo Sete, a Soma Total" ou duas vezes sete, no total, representam 31415, a Hierarquia Numérica dos Dhyân Cohans de diversas ordens. Pausa. Vejamos os Dhyans Cohans. " Dhyan-Chohans (do sânscrito, dhyani, contemplação; e do tibetano, chohan, senhor) é uma expressão usada na Teosofia para designar uma hierarquia de seres divinos. Os Dhyan-Chohans incluem desde seres espirituais de classes mais altas, com auto-consciência, que são os arquitetos do Universo, descendo até seres com semi-consciência que seguem a ideação transmitida a eles pelo espírito cósmico. Segundo a Teosofia, os Dhyan-Chohans são, em certo sentido, os próprios homens, pois foram eles que forneceram a Mônada, a Essência divina do Homem.
Há sete classes de Dhyan-Chohans, associados aos sete planetas sagrados do nosso sistema solar." Esta última frase, sete planetas sagrados, não se refere verdadeiramente a sete planetas, mas a sete astros, entre eles um satélite natural da Terra, a Lua , e a uma Estrela de 5a grandeza, que mantém nosso sistema, o Sol. Os outros, verdadeiros planetas, são Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Esta classificação é oriunda do século XVIII, onde informações astronômicas eram poucas e predominava a visão astrológica das coisas do céu e dos astros, sidera em latim, portanto coisas siderais.
Feita esta digressão, continuemos o texto. Ela fala agora do número 31415, dizendo que não importa em que direção se faça a soma sempre o valor será 14. Depois comenta que é o número do círculo já que representa o misterioso número Pi, razão entre a circunferência do círculo e seu diâmetro. E aí chegamos a palavra hebraica grafada estranhamente no texto como ALHIM. Com o auxílio de Reginaldo, entendo que ALHIM é uma outra forma de escrever ELOHIM. A referencia de Blavatsky é um erudito chamado Ralston Skinner, autor de A Fonte das Medidas (The Source of Measures). É ele que faz a análise gematrica da palavra, lendo a palavra ALHIM com seus valores numéricos, gemátricos, omitindo os zeros, e que Reginaldo comenta. Assim: aleph (a) é 1 ; lamed (l) é 3 (30); Mem (m) e não (h) como se vê no texto, que vale 40 e não 5 como está descrito, sem o zero, 4. Este detalhe, meu querido mestre não viu. Eu mesmo só percebi agora. Seguimos interpretando o texto como se o texto estivesse correto. Depois Iod, que vale 10, sem o zero 1, e finalmente Pei, que vem denominado como correspondente a letra M e na verdade corresponde a letra P, valendo gematricamente 80 e não 4 (40) que seria o valor correto da letra Mem, essa sim correspondente a M. Nada disso percebemos naquela noite. Depois Carlos chegou e a conversa enveredou por outras coisas. Jamais podia supor que seria nosso último estudo juntos. A última aula. É a vida.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

RÉQUIEM PARA UM MESTRE


pelo discípulo Mario Sales

Frater Reginaldo Leite

É difícil escrever esse texto. Não fosse por ser um elogio póstumo, seria pelo fato de ser um elogio póstumo de meu Mestre pessoal e amigo, que nos deixou de forma súbita.
Místicos não morrem, apenas saem de seus corpos e retornam a plenitude de Deus temporariamente.
Transitam entre planos de manifestação e assim, os rosacruzes usam o termo Transição para descrever estes eventos.





Tudo isso funciona muito bem quando nossas reflexões são filosóficas e impessoais.
Quando se trata, no entanto,  de um grande amigo, que estava conosco até poucas horas antes, que não apresentava aparentemente nenhuma patologia que antecipasse um desfecho fatal, uma doença qualquer que nos permitisse a frase consoladora de "não tinha mais jeito", tudo muda.
Devemos lamentar a partida dos amigos como lamentaríamos aquele companheiro de todas as horas, aquele maravilhoso papo noite adentro, que de repente é calado por uma viajem inesperada a um país distante e do qual não tivemos oportunidade de nos despedir e abraçar.



Sim, são manifestações de apego, indignas de iniciados que sabem das limitações do tempo na carne, mas absolutamente condizentes com aqueles que exatamente por serem iniciados nos mistérios da existência descobriram a mais poderosa das energias, o mais poderoso dos fenômenos, a amizade.


A nossa confraria do vinho, reunida em São Paulo para um jantar na Biblioteca. Eu, Fernando, irmão de Maçonaria, Reginaldo e Carlos Yamashita, rosacruz e maçon, 2011

Antes de tudo, lamentar-se pelo amigo que já não está mais conosco nada tem a ver com aquele que se foi.
Não se trata dele quando choramos a sua ausência.
Trata-se de nossos próprios interesses egoístas, de nossa própria felicidade pessoal, que se vê diminuída na privação dos que nos traziam a camaradagem fundamental para atravessar os dias de cada encarnação.

Sóror Maria de Lourdes Lescano, Frater Reginaldo e Frater Felipe Lozano, em Curitiba, na palestra de Reginaldo para a reunião nacional dos Artesãos. Lourdes e Felipe são respevtivamente ex mestra e o atual mestre da Heptada Guarulhos, São Paulo.

Foram três anos intensos pelos quais sou grato ao Cósmico.
Neste aspecto nada tenho a lamentar.
E o que me consola é que o bem, como a Fênix, sempre renasce depois de fenecer, e reaparece em nossa porta, já que nenhum de nós, felizmente, nem mesmo mestres como Reginaldo são insubstituíveis.
Outro Reginaldo surgirá para diminuir a minha solidão e ignorância, isto é certo. E até que esta troca de bastões ocorra, terei pelo menos comigo a lembrança da alegria e do convívio com este poderoso esoterista que me deu algumas das minhas mais interessantes aulas e que transformou a Cabala para mim em algo corriqueiro e acessível, sem mistérios, como todo especialista em mistério deseja.

Amadeu Xavier, frater de Uberaba, Eu e frater Reginaldo na Convenção Mundial, ano em 2011, Curitiba.


Que o cósmico o acompanhe nesta nova jornada e já que o Tempo não existe, até breve, nas próximas vidas que nos aguardam neste sonho de Maya.
Reginaldo e Eu almoçando em Curitiba, na Convenção Mundial, 2011

sábado, 2 de junho de 2012

A ANSIA PELOS FENÔMENOS PARANORMAIS COMO IMPEDIMENTO AO DESENVOLVIMENTO MÍSTICO DOS INICIADOS


por Mario Sales, FRC.:, M.:M.:,S.:I.:



Num artigo publicado originalmente na revista "The Mystic Triangle" em maio de 1929, e republicado em O Rosacruz do primeiro trimestre de 2005, em tradução de Cecilia Erthal, SRC, Spencer Lewis discute alguns aspectos ligados a vida e a obra de Madame Blavatsky e seu relacionamento pessoal com dois dos mais importantes mestres da Fraternidade Branca.


Blavatsky

Quase ao final do artigo, Lewis comenta:
"Numa das cartas famosas dos grandes mestres, endereçada a um companheiro de Mme Blavatsky, que constantemente exigia demonstrações e manifestações, nos deparamos com o grande Mestre Morya repreendendo esse cético nas seguintes palavras:
"Sim, e atualmente estamos no meio de um povo conflituoso, de um povo obstinado e ignorante;podemos exigir a verdade e, no entanto, não sabermos como encontrá-la, pois cada um a busca para seu próprio benefício e gratificação particulares sem pensar nem um pouco nos outros."
Morya

Em outra carta -  continua Lewis -  o Mestre Morya repreendeu o mesmo homem por causa de seus desejos de demonstração, com as seguintes palavras:
"Também tente romper essa ilusão contra a qual os estudantes de ocultismo, pelo mundo todo, sempre foram advertidos pelos seus professores - o desejo ardente pelos fenômenos. Como a sede pela bebida e pelo ópio, ela cresce de forma gratificante. Se você não consegue ser feliz sem os fenômenos, nunca vai aprender nossa filosofia. Se você quiser pensamento filosófico saudável, e consegue se satisfazer com isso, vamos nos corresponder. Vou lhe contar uma verdade profunda dizendo que se você não escolher nada mais do que a sabedoria, todas as outras coisas vão lhe ser dadas por acréscimo - quando chegar a hora. Força alguma é acrescentada às nossas verdades metafísicas pelo fato de nossas cartas caírem do espaço e aterrissarem sobre o seu travesseiro. Se nossa filosofia estiver errada não é um milagre que vai corrigi-la. Ponha essa convicção na sua consciência e vamos conversar como homens sensíveis. Porque deveríamos brincar de caixa de surpresa?"

Transcrevo essas linhas para embasar mais uma vez meus argumentos a favor de uma visão mais moderna do esoterismo, onde os rituais e os objetos destes rituais não sejam mais importantes do que as verdades e conceitos que eles buscam representar.
Existem pessoas, não iniciadas e mesmo iniciados que não aprenderam esta simples lição: magia não é pirotecnia, luzes e cores como num show de rock. A verdadeira herança dos Mestres é mais profunda do que isso, alquímica pela delicadeza  e lentidão com que se instala em nosso ser e em nosso espírito, um tempo precioso que não deve ser acelerado, o que acarretaria uma produção menos sólida, menos estável, da mesma maneira que um prédio, sem os devidos cuidados de fundação e engenharia tende a desabar depois de pronto.


Blavatsky cercada por seus mentores

Iniciados verdadeiros vão entender o que vou dizer.
O fluxo de força que atravessa o verdadeiro mago é tão poderoso que é preciso e absolutamente necessário que não haja nele, neste mago, nenhum tipo de obstrução a este fluxo, como aquela causada pelo ego e pelo apego às coisas materiais. Nenhum poder existe em nós que não tenha sido dado pelo alto. Nenhuma força possuímos que não seja parte da grande força universal que a tudo e a todos alimenta.
Esse Nous não pode e não deve ser subestimado. Se o canal por onde flui a força não está apto a suportar a pressão deste fluxo, será destruído por ele, da mesma maneira que o filamento frágil se rompe quando a energia elétrica que o percorre é superior a sua capacidade de resistência.
É isto que Morya diz em sua carta, é esta a advertência que faz aos tolos que querem colocar o carro na frente dos bois.
Lembremos Lucas 12:31:"-Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."
Por isso a intolerância com um misticismo de autoaperfeiçoamento e a obsessão por um Ocultismo de efeitos especiais.
Todos querem ver Anjos, mas ninguém quer ter o trabalho de ser um deles.
Isto não leva a bom termo. Só ao sofrimento e a decepção. Segundo Saint Martin, muitos membros da Ordem de Martinez de Pasqually perderam a razão. E mais atrás, antes de Sir Francis Bacon, a história de John Dee mostra como um homem inteligente e erudito pode se transformar num tolo e escravo de outro tolo, Edward Kelley, cínico e charlatão.
Como diz o ditado, sábio é aquele que aprende com o erro dos outros, não com os seus.
Sejamos sábios.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

PATRULHAS


por Mario Sales, FRC.:, M.:M.:,S.:I.:




Como todos os místicos rosacruzes sabem, somos , todos nós, senhores de todas as energias e coisas, capazes de feitos extraordinários, pessoas, em uma palavra incomuns.
Todos os membros de nossa Ordem, bem como os Maçons, de qualquer potência nacional ou internacional, e ainda os Martinistas, são capazes , apenas por serem membros, de atravessar paredes, desaparecer com facilidade diante dos olhos de outros, ou flutuar.
Nenhum de nós atravessa nenhum problema material, seja com relação a nossa saúde, seja de natureza financeiro, sendo notório que rosacruzes, maçons ou martinistas são pessoas ricas e abastadas, não precisando trabalhar para gozar de conforto material incomum.
Através de misteriosos rituais, com invocações de seres invisíveis e forças esotéricas, vestidos com mantos de seda e com cajados mágicos, materializamos ouro puro todos os dias, sempre que necessário.
Como somos magos poderosos, jamais envelhecemos, não temos dor ou cansaço, e por isso, não precisamos dormir.
Como não trabalhamos, nem temos obrigações sociais, às vêzes o único problema que enfrentamos é o tédio, já que tamanho conforto e prosperidade pode deixar a vida sem objetivo.
Só que como lemos muitos documentos e livros empoeirados e grossos em línguas muito estranhas, fora os pergaminhos de 1000 anos que todos precisamos decorar de mês em mês, o tédio se dissipa com rapidez.
Desde que necessário, caso estejamos expostos a algum perigo, podemos lançar mão de um expediente ímpar que aprendemos logo no início de nossas afiliações a estas nobres ordens, que se chama "raios de luz", que paralisam nossos inimigos pelo tempo que for necessário para que possamos escapar da ameaça.



Claro que, como somos muito evoluídos, não temos problemas de relacionamento em família, sendo que se homens, temos esposas dóceis e carinhosas, e se mulheres, temos sempre um companheiro leal e dedicado que nos acompanha por toda a nossa vida, já que com nossa capacidade telepática e poderosa intuição, sabemos ler o coração e mentes de todas as pessoas e somos imunes ao erro de julgamento de seres humanos.
Nossos filhos são tocados por nosso poder, e via de regra são crianças, adolescentes e mais tarde adultos nobres , educados e compreensivos, não nos causando quaisquer transtornos psicológicos ao longo de sua existência.
Portanto, todos nós, rosacruzes, martinistas e maçons , somos absolutamente felizes e graças a nossos poderes mágicos e rituais secretos repito, temos total domínio sobre todas as vicissitudes da vida social.
Ah! Já ia me esquecendo: todos nós esoteristas, gozamos da juventude eterna e somos imortais, claro.
Se voce achou este relato surpreendente, iverossímil ou delirante, acredite, eu também.
Só que os emails que eu recebo de alguns leitores, graças a Deus raramente, criticando um texto que escrevi alguns meses atrás, O OCULTISMO E A TEURGIA ESTÃO FORA DE MODA 1, de 8 de março de 2011, me fazem supor que eles acreditam nisso, em cada palavra, em cada linha deste monte de bobagens escritas acima.
Bom senso sempre foi e sempre será um artigo raro e valioso. É pena.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

AGRADECIMENTO

Provavelmente ao longo do dia de hoje, com mais 17 acessos, o blog imaginariodomario alcançará a marca de 6000 acessos/ mês. É mais um recorde.
Pela sua presença aqui neste espaço dedicado aos rosacruzes, martinistas e maçons, meus agradecimentos.