sábado, 8 de julho de 2017

FIGURA DIVINA, UM SÍMBOLO ALQUÍMICO: XIa PARTE

por Mario Sales

O “PULMÃO” DIREITO

ESQUEMA XXI


A imagem acima é clara. Trata-se de elencar elementos mais densos e materiais do Universo. Concede-se que mesmo o Mundo Etéreo, colocado na parte mais externa dos círculos seja uma entidade partícipe, na mentalidade alquímica, da criação hodierna.
Os símbolos, como a confirmar a materialidade que se deseja aqui, não são mais os astrológicos, mas aqueles que representam elementos.
Na linha horizontal temos, Mercúrio, Enxofre e Sal, a tríade fundamental, a esquerda do Sol. À direita um símbolo discordante, já que representa o planeta terra, ao lado do Antimônio (que em Grego significa “oposto à solidão”) e do Potássio.
ESQUEMA XXII



A IMPORTÂNCIA DOS ELEMENTOS

É indiscutível a importância dos elementos químicos para a materialidade. Hoje conhecemos 118 elementos, 92 disponíveis na natureza e os outros artificiais.




MERCÚRIO

São as letras do alfabeto de constituição de tudo que existe. Esta talvez seja a maior contribuição dos exercícios alquímicos a ciência moderna, o conceito de que alguns elementos combinados podem gerar milhares de manifestações sólidas, ou efeitos no ambiente e na manutenção da própria vida como acontece com os gases que garantem nossa atmosfera.




ENXOFRE

O “pulmão” direito é a representação do caráter material, pois fala dos elementos constituintes da natureza que conhecemos.



SAL

A simbologia da materialidade prossegue, agora no eixo vertical.

ESQUEMA XXIII



Chumbo em cima, depois Estanho e Ferro, acima do Sol. Abaixo Cobre, Mercúrio e Prata, simbolizado pela Lua, o astro prateado do céu.
A área central do símbolo confirma que estamos no plano da Natureza. O Sol está circundado pelos símbolos dos quatro elementos, Terra, Água, abaixo, e Fogo e Ar acima.

ESQUEMA XXIV


Não só identificamos os símbolos.
O Simbolista reforça a materialidade escrevendo o nome dos elementos, identificando-os.


                         
ANTIMONIO 


POTÁSSIO


É essa materialidade da Terra que vai encontrar a celestialidade das influências astrais presentes no “pulmão” esquerdo, através do “coração” estrelado ao centro.
Todas as coisas da criação manifestam-se graças a uma conjunção dual, do encontro de dois polos, que, seja na horizontalidade, seja na verticalidade, devem estar contemplados para que uma manifestação equilibrada ocorra.
“A Natureza é dual em essência e trina em manifestação” dizem os rosacruzes. No tempo que éramos alquimistas dizíamos a mesma coisa, só que através de nossos símbolos.





ESTANHO

                                     
FERRO

                          
          PRATA

domingo, 2 de julho de 2017

FIGURA DIVINA, UM SÍMBOLO ALQUIMICO Xa PARTE

O CORAÇÃO É UMA ESTRELA

por Mario Sales




ESQUEMA XX





A primeira coisa a dizer sobre este novo trecho é: sua forma já apareceu aqui. Talvez porque o papel mais importante da estrela de seis pontas seja promover a transição, um triângulo que aponta para cima e outro para baixo, entrelaçados.
Arrisco-me, entretanto, a dizer que, se a primeira vez que esta estrela apareceu fazia a transição do alto para o mais baixo, desta vez ela faz a transição do lado direito para o esquerdo e vice-versa. A cruz se forma.
A disposição dos textos e símbolos oculta este detalhe.
Existem dois triângulos acima, ladeando a espícula superior, um com o vértice para baixo, outro com o vértice para cima, a água que cai e o fogo, que sobe. Dentro da estrela, em cada ponta, uma letra da palavra Natura (Natureza). E para completar, acima e abaixo, como a reforçar a ideia de verticalidade, as palavras superius e inferius, o alto e o baixo, o plano superior e inferior. Então por que pensar numa função de ligação horizontal com todos estes indicativos de verticalidade?
Primeiro, é um símbolo esmagado entre outros dois, o que faz dele necessariamente uma área de transição; segundo, toca em mais pontos (quatro, sempre quatro) dos círculos à direita e a esquerda, enquanto que acima tem apenas uma interseção com o losango ao alto, e abaixo não toca em nada, mesmo que no símbolo Renes-AMORC toque (no símbolo em alemão e em um outro símbolo em inglês não toca, nem mesmo encosta).
Dentro do símbolo, encontramos ainda as seguintes palavras: acima, “unius” e abaixo, “substantia” (uma substância) e à esquerda, a palavra “tria”, tendo à direita a palavra “principia” (três princípios), grafada do seguinte modo: “prin------c.” em mais uma tentativa primária de dificultar a interpretação. É provável que para aquela época fosse mesmo um muro intransponível para a maioria dos intelectos.
Esses três princípios, a mim me parece, não são de natureza espiritual, mas tanto quanto podemos usar este termo na visão alquímica, a expressão refere-se aos 3 princípios materiais da criação conhecidos como Sal, Mercúrio e Enxofre.
Ao centro, encontramos a palavra CHAOS, tendo a adorná-lo os símbolos dos quatro (sempre quatro) elementos: Fogo e Ar, acima; Água e Terra, abaixo.
CHAOS, neste contexto, não deve ter o sentido de confusão e desordem, mas de potencial criativo, ou melhor, aqui surge a Criação material, espremida entre as influências do céu, à esquerda, como acabamos de ver, e as da terra, como veremos a frente, no estudo do 6° sub-símbolo, o “pulmão” direito.
Por isso, como o coração que fica entre os pulmões em um corpo normal, e dialoga com eles através do sangue que flui de um para os outros, indo e voltando ao coração, revigorado, energizado, da mesma forma esta estrela dialoga não com o alto e o baixo, mas com seus símbolos laterais justapostos, representando a consecução da fusão entre os recursos de um e de outro, céu e terra. Estamos já na Criação, não no mundo de Deus, mas no mundo dos homens e dos animais. O que era semente antes agora se esparramará pela criação e amadurecerá. O que era apenas um potencial, agora será manifestado.
A espessura de suas linhas é menor, mostrando mais leveza que a Estrela idêntica superior, quase uma transparência. Trata-se, de fato, de uma área de transição.
Não deveríamos, vejo agora, ter feito o inventário deste símbolo antes daquele à sua direita, chamado por mim “pulmão” direito, pois ele só faz sentido, como veremos, quando se mostra transição e crase central entre ambos os extremos laterais.
Isto agora não importa. Seu segredo está revelado. É esta a função deste exercício.