sábado, 8 de março de 2014

ESOTERISMO E POESIA (ainda sob a influência de Lisboa)

por Mario Sales, FRC,SI,CRC



Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Eros e Psiquê, Fernando Pessoa





...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade. 

(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)[1]


Existem duas formas para descrever um evento testemunhado: o primeiro é a narração objetiva, que se transforma em História; a outra é a poesia, que se transforma em Mito.
A Narrativa Histórica se assemelha a uma montagem feita a partir de pequenos cubos, que se superpõem em uma estrutura regular.
O Mito, por outro lado, desenha no espaço uma imagem mais biológica, de traços menos rígidos, vivos mesmo, com movimento interno e externo, movimento este que se fundamenta no ato de interpretação, do mesmo modo que a bandeira só balança quando é tocada pelo vento.
Se a Narrativa Histórica for tocada pelo vento, nada acontecerá já que um muro de pedras não balança. 
Já o Mito ganha vida quando tocado pela mente humana, que nesse caso, sopra o espírito em suas narinas da mesma forma que Deus soprou o espírito da Vida em nós.
O Mito é sempre poético, já que a poesia é o recurso do discurso para transcender a si mesmo. Nem a retórica mais elaborada tem o alcance do poético para narrar com profundidade fatos que serão melhor descritos se mantivermos, na sua descrição, o mesmo dinamismo e movimento próprio das coisas vivas.
A Narrativa Histórica é como a dissecação do cadáver: estuda e descreve pedaços de um organismo morto.
A Poesia e o Mito, ao contrário, permitem dialogar com seres vivos, eternizando-os e preservando-os para além da degeneração material.
Por isso, ao descrever os estados profundos da alma, encontraremos textos extremamente poéticos, não por outra razão a não ser aquela de serem os mais adequados ao tema e os únicos capazes de preservar a vida destes ensinamentos que, embora antigos, pulsam com força em nossa imaginação e podem transformar, se compreendidos, se sentidos com o coração, a qualidade de vida daqueles que os lêem.




[1] http://www.insite.com.br/art/pessoa/cancioneiro/182.php

sexta-feira, 7 de março de 2014

O VERDADEIRO GRAAL


por Mario Sales, FRC, SI, CRC



Não existe rosacrucianismo teórico.
Só é possível ser um rosacruz por experiência direta dos ensinamentos e técnicas.
Textos esotéricos nos tornam esoteristas eruditos, mas não melhores místicos e nem melhores rosacruzes.
Como já falei antes, a erudição pode inclusive afastar o místico do caminho de Deus.
Existe um equilíbrio a ser encontrado entre o acúmulo de informações e a devocionalidade e o senso de conexão com a Fonte de Todas as Coisas.
Um pouco a direita e nos tornamos vaidosos; um pouco a esquerda, obtusos e supersticiosos.
E todos nós, buscadores, caminhamos no fio da navalha.
Só quem é um buscador entende.
O rosacruz é um buscador. 




O místico rosacruz crê que pode alcançar o "Hole Graal", o simbólico Cálice Sagrado do Cristo, com o Sangue da Vida dentro dele, Aquele Cálice do qual se bebermos nunca mais teremos sede nem de justiça, nem de serenidade, nem de paz.
Mas este evento só ocorre após um esforço diferenciado. Conquistar esta Consciência Crística só é possível se o buscador para de buscar, se abandona a errônea concepção de que aquilo que ele busca está distante ou fora dele.
É um caminho para dentro, um movimento na imobilidade, um ruído no silencio.
Tempo sem espaço, o segundo nível da Árvore da Vida, Briah.
Nosso tempo interno vai se modificar, mas isto acontecerá na meditação, na quietude, na mudança íntima de perspectiva, de percepção.
Este é o rosacrucianismo prático, rolar o globo ocular na direção contrária, até contemplarmos nosso próprio crânio, por dentro.
Rosacruzes são buscadores de Briah, movimentam-se sem se movimentar, modificam-se sem se mexer.
Os dias se sucedem a nossa volta, a vida se desenrola a nossa frente, sem que haja muito que este vai e vém das ondas da existência façam por nós, a não ser se tornar um foco de meditação móvel, como a chama de uma vela.
Sim, creio agora que é possível acalmar-se contemplando sem ansiedade o movimento cotidiano e aparentemente banal da própria existência.
É nesta contemplação do banal e do corriqueiro, sereno, que nos abstraimos da mesma ansiedade que alguns julgam ser causada pelo burburinho do mundo e da sociedade.
Olhar o mundo com serenidade, usar o mundo como foco de concentração, é um artifício semelhante a meditar a beira do mar, e olhar os movimentos da água, caótico, às vêzes violentos, mas sempre fascinantes e hipnóticos.
Não, a tensão e a ansiedade não vem daquilo que contemplamos; só o contemplador é doador de sentido ao contemplado.
O rosacruz deve ser senhor de seu exercício de contemplação, ele deve estar no comando do ato de contemplar, e este controle não advém da força,mas da ausência de esforço, da tranquilidade íntima ao contemplar.
Rosacrucianismo prático é a busca deste estado, deste Graal Interno, o único verdadeiramente real.

Todo o resto pode ser e é, na maioria das vêzes, distração da meta, inimiga declarada da luz.
Sejamos intransigentes em preservar nossa paz interior, para que nosso olhar seja sempre claro, nítido e sereno.
Nada mais importa.

terça-feira, 4 de março de 2014

DE VOLTA: TODOS SOMOS PEREGRINOS

por Mario Sales, FRC,SI,CRC


Portugal é um país encantador, lúdico, transpirando tradição e história, principalmente a medieval.
Quando pensamos em contos de cavalaria, são os ingleses que nos vêm a mente, com a Lenda do Rei Artur, a qual foi narrada originalmente por um trovador francês.
A península ibérica tem também, no entanto, seu histórico de lutas e conflitos, seus heróis e cavaleiros, seus reis e rainhas, com dramas Shakespearianos, como a história (real em dois sentidos) de Inês de Castro e Pedro, príncipe e depois rei de Portugal, cujos túmulos visitei no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

Como tudo o mais, até seus esquifes contam e narram suas histórias, em pequenas e preciosas esculturas em alto relevo.


Comprei em Lisboa, exatamente por isso, um livro de Lendas de Portugal, Ancora Editora, escrito por Gentil Marques. Urge desfazer tanta ignorância sobre meus antepassados; sim, meus, seus, ou, como eles adoram falar, vossos antepassados, já que não há aqui ninguém que não tenha em suas veias um pouco ou muito do sangue de aventura português.


Óbidos, Alcobaça (dos rios Alcoa e Baça, que dão origem ao nome), Nazareth, na praia, Fátima, Sintra com o Castelo da Pena, que está na capa do blog esta semana e no qual é inevitável a sensação de mergulho em um passado estranhamente familiar. Mais ainda quando se ouve dizer de um esoterista português, na verdade nascido no Rio de Janeiro e filho de pais portugueses, António Augusto Carvalho Monteiro, interessado em Cabala, e ligado aos Maçons e aos Rosacruzes, que vivia em Sintra e que mandou construir um rico palácio, o "Palácio das Regaleiras" ou "Quinta da Regaleira" cheio de referências ocultistas. Isto é o mais fascinante, o reencontro de um semelhante em tão distantes paragens.



Neste mesmo local, encontra-se um estranho sítio conhecido como "poço iniciático", usado, segundo consta, em rituais de iniciação à maçonaria.
"A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é o útero materno de onde provém a vida, mas também a sepultura para onde voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento. A existência de 23 nichos localizados por debaixo dos degraus do poço iniciático representava um dos muitos mistérios da referida construção. No dia 29 de Dezembro de 2010, o professor Gabriel Fernández Calvo da Escola Técnica Superior de Engenheiros de Caminhos, Canais e Portos da Universidad de Castilla - La Mancha em Ciudad Real, quando visitava o poço acompanhado de outros professores da UCLM, observou que os 23 nichos não estão colocados por acaso, pois encontram-se agrupados em três conjuntos de 17, 1 e 5 nichos separados entre si à medida que se desce ao fundo do poço. Esta organização não é aleatória e provavelmente se refere ao ano 1715 em que Francisco Albertino Guimarães de Castro comprou a propriedade (conhecida como Quinta da Torre ou do Castro) em leilão público."[1]



Em sua arquitetura de nove níveis, relembra os nove círculos do inferno de Dante. No endereço https://www.youtube.com/watch?v=mhdItKFdC-E é possível fazer uma visita virtual ao interior desta interessante construção.
Estivemos ainda no Cabo da Roca, o local mais ocidental de Portugal Continental, bem como da Europa Continental, local, segundo Camões, onde " a terra se acaba e o mar começa".



Com um farol belíssimo, o Cabo tem um charme indiscutível.



Mas o cenário mais impressionante não foi uma paisagem ou algo da natureza, mais um templo e um ritual, como é adequado a um místico e esoterista.
Curiosamente, não por minha vontade, mas por insistência de minha esposa, fomos do Porto a Santiago de Compostela, (São Tiago do Campo de Estrelas) aonde passamos um dia inteiro, e além de tudo, assistimos a Missa do Peregrino.
Esta por sinal, foi caracterizada pelo incensamento característico, que hoje ocorre aleatoriamente, em ocasiões especiais. Fomos agraciados com a sorte de estar em visita ao templo, naquele ritual, um grupo de adolescentes da Escola de Padre de Alicante, e , em sua homenagem, o incensamento peculiar do templo se deu.
E eu que não sou católico, ajoelhei e rezei , dada a beleza do altar e a emoção do momento.
Já que não há como descrever, eu fiz um vídeo, que coloco aqui para que vocês vejam um pequeno trecho daquilo que presenciei e julguem por vocês mesmo se é ou não uma experiência marcante.
Ao final desta missa, eu tinha firmado a convicção de que, mesmo jamais tendo feito o Caminho de Santiago, pelo fato de estar vivo eu tinha direito de estar naquela missa e me sentir abençoado pelo sermão do sacerdote, que lembrava, em função da presença dos estudantes, a importância da educação no crescimento de todos nós, e a fala do Cristo de que devemos almejar sempre a perfeição ou pelo menos o estado de constante aperfeiçoamento, já que "devemos ser perfeitos como é perfeito nosso Pai que está nos céus" (Mateus, 5:48).
Se não fiz o caminho de Santiago, fiz o caminho da Vida, em busca de constante aperfeiçoamento. Como tal, sou também um peregrino, como de resto todos nós que estamos aqui neste mundo.
Esta viagem me relembrou esta obviedade que é importante jamais esquecer, já que o que importa é exatamente este buscar, este peregrinar e não necessariamente o fim da jornada, se é que existe tal coisa.
Volto para casa sob as bênçãos de São Tiago, irmão do Cristo, e da Santidade de dois lugares santos, Compostela e Fátima, que espero, me ajudem a manter em mente apenas o que é digno e justo.



[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_da_Regaleira#Po.C3.A7o_Inici.C3.A1tico

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A CAMINHO DE PORTUGAL ( "A "TÁBULA ÁUREA" DE LARMENIUS, OU CARTA DE TRANSMISSÃO DOS TEMPLÁRIOS)

por Mario Sales, FRC,SI,CRC



Estamos Eu e Sol embarcando em algumas horas pra Lisboa, aonde chego amanhã de manhã, de onde, se der, continuarei a publicar, pelo menos fotos. Não vou levar o notebook, e por isso não tenho certeza se conseguirei produzir conteúdo.
Se eu sumir por duas semanas é porque estou incapacitado pela falta de recursos de publicação.
Flavio e Roseli, sua esposa, estiveram aqui em casa. Vieram ambos gentilmente me trazer conselhos e orientações sobre a viagem.
Portugal, aliás, é o terceiro país entre os leitores do blog, mês que vem.
Flavio conhece bem o país, turista profissional que é, além de ser a terra natal de sua esposa e muitos de seus parentes.
Falou-me das armadilhas da língua, o nome da pimenta por lá (piri-piri), a importância de conhecer certos locais, principalmente na Leiria; os melhores meios de transporte em Lisboa e Porto além de cálculos de distância entre Porto e Santiago de Compostela, se bem que nosso especialista em Compostela, como de resto em toda a Espanha em si, é o Ir.: Felipe.
Nunca estive em Portugal.
Exatamente por isso vejo esta viagem com muito entusiasmo e uma boa expectativa.
A quase ausência de barreira linguística promete uma estadia interessante. Não sei se conseguirei visitar os castelos construídos para os cavaleiros templários pelos maçons portugueses, mas espero que consiga, pelo significado histórico que possuem.
E é sobre isso que andei refletindo. É curioso que pessoas sensatas confundam o fato de, só por que esses castelos terem sido construídos por maçons e por que seus contratantes fossem da Ordem dos Cavaleiros de Cristo, nome adotado pelos templários depois que tiveram que fugir da França, haja uma relacionamento esotérico e não apenas profissional, entre ambas as organizações.
Maçons viviam de construir castelos e igrejas. Templários, mesmo desterrados, ainda tinhas reservas financeiras suficientes para contratar a construção de seus castelos.
Nada mais natural que requisitassem os especialistas daquela época para fazê-lo. E fim da história. O resto, na minha opinião, é pura especulação, claro, regada com uma dose generosa de criatividade e oratória do Cavaleiro de Ramsay, o criador desta idéia, no dia 21 de março de 1737.
Várias empresas profanas de construção tem o hábito de marcar suas obras com seus logotipos para deixar registrado seu papel naquele empreendimento. Existem mesmo aquelas que marcam com seus símbolos e o próprio nome os produtos que saem de suas fábricas, postes de iluminação, manilhas para esgoto, fios elétricos etc. Faz parte da tradição industrial a identificação da procedência do produto ou do responsável pela obra. Mas até aí, é um procedimento de mercado, talvez o primeiro merchandising.
Não significa portanto, para desespero dos mais românticos, que a presença de símbolos maçônicos em castelos portugueses sabidamente de Templários implique em que um e outro eram esotericamente relacionados.
Aliás, esta pseudo união é defendida até em textos rosacruzes mas por alguma razão não me convence.
A origem dos maçons, embora humilde, é digna o suficiente. Talvez não o suficiente para os nobres que o Cavaleiro de Ransay queria impressionar com seu discurso, ele que se dizia também um Templário Escocês.
Aliás, quanto aos templários, guardamos em manuscritos rosacruzes informações que mostram a cadeia de sucessão após, e mesmo um pouco antes da morte de Jacques de Molay. Realmente a Ordem em si não foi extinta com a perseguição de Felipe , o Belo, e continuou firme por muitos séculos.
Um documento chamado "Tabula Áurea" emitido pelo sucessor de Molay, Larmenius,(John Marcus[Mark] Larmenius, inglês] contém assinaturas de todos os seus sucessores  até o ano de 1804 e está preservado em Londres.
Esta "Tábula Áurea" foi , durante este período a Carta Patente Constitutiva do Líder da Ordem dos Templários por todo este período.
Transcrevo o documento, para efeito de referencia aos maçons que possam se interessar:

"Eu, Frater Johannes Marcus Larmenius de Jerusalém, pela graça de Deus e por meio do manifesto secreto do Mui Venerável e Santo Mártir o Mestre (Supremo) dos Cavaleiros do Templo (a eles toda honra e glória!) o mesmo confirmado pelo Conselho Geral do Templo, e honrado por este como o Alto e Supremo Mestre, apresento estes decretos para serem observados por todos e por cada um. Salutem! Salutem! Salutem!
Saibam todos do presente e do futuro, considerando o enfraquecimento de minhas energias devido à velhice e sofrendo a carga da falta de descanso e saúde  devido às contínuas responsabilidades de meu cargo, para a maior Glória de Deus e a direção e proteção da Ordem e seus Fratres e sua constituição, que eu, o acima declarado humilde Mestre da Milícia do Templo, decidi transmitir a mãos mais eficientes o cargo e os poderes de Mestre Supremo.
Portanto, se Deus aprovar e o Conselho Supremo dos Cavaleiros consentir, por unanimidade, transfiro o cargo de Mestre Supremo da Ordem do Templo e a autoridade e poderes em mim investidos ao eminente Comendador, meu amado Frater Franciscus Thomas Theobaldus de Alexandria, etc,etc,etc.
Eu portanto, por decreto do Conselho Supremo, e com a Suprema Autoridade em mim investida, afirmo, declaro e pronuncio os Templários da Escócia desertores da Ordem, marcados pelo anátema, tanto esses como os fratres de São João de Jerusalém, os saqueadores dos domínios da Milícia, etc, etc...
Ademais decretei novos sinais que não sejam compreendidos por nenhum falso frater, sinais esses a serem passados aos Companheiros unicamente pela palavra falada, e de acordo com as regras que possam ser decretadas pelo Conselho Supremo como adequada para sua transmissaõ.
Entretanto, tais sinais só serão revelados após a renovada tomada dos votos e consagração de cavaleiro, segundo a Constituição, Rituais e práticas dos Companheiros do Templo, transmitidas por mim ao acima citado comendador, idênticos aos que foram recebidos por mim do Mui Venerável e Martirizado Mestre (a quem rendo Honra e Glória!)
Será feito como eu disse, Fiat, Amen!"
Esse documento é muito interessante, principalmente por declarar, já na época em que foi escrito, a ruptura com a linhagem templária escocesa, de onde séculos mais tarde, o Cavaleiro de Ransay afirma proceder ou representar.
A sequência em ordem cronológica descrita pelos historiadores rosacruzes e por Robert Gould, em sua História da Franco Maçonaria é :
Jacques de Molay (Jacques de Molay [Pronúncia: ( ʒak də molɛ ) Jak Demolé] (Vitrey - Sur- Mance, 1244 — Paris, 18 de março, 1314)
Johannes Marcus Larmenius recebe o cargo antes da morte de Molay, este sabedor da inevitabilidade de seu destino e permanece Grande Mestre até ser sucedido por
Franciscus Thomas Theobaldus de Alexandria, sucedido por
Bertrand de Guesclin, 1357 a 1380
Robert Lenocourt 1478 a 1497 (há um intervalo aqui, mas o documento que transcrevo não elucida isso)
Phillipe Chabot (1516-1543)
Henrique, ilustre duque da casa de Montmorency,(1574-1614)
Jaime Henrique Duras, final do século XVII
Philipe II, Duque de Orleans (1705- ?) que convocou uma Convenção Geral de Templários em Versailles, França.
Três príncipes da casa de Bourbon:
Luiz Augusto, Duque de Maine
Luiz Henrique Bourbon, conde
Luiz Francisco Bourbon, conde (nessa ordem, entre 1724-1770)
Luiz Herculano Timoleon , Duque de Brissac (1776 até o início da Revolução francesa)
Bernard Raymond (inglaterra, ano ?)
Almirante Sir Willian Sidney Smith, Grande Mestre até 1840 quando faleceu)
Sob o Grão Mestrado de Sir Smith, foi Grande Prior da Inglaterra o Duqye de Sussex; Grande Prior da Irlanda, o Duque de Leinster; Grande Prior da Escócia, o Conde de Durhan; e Grande Prior da Índia , General George Wright.
Embora este documento, a "Tábula Áurea" de Larmenius, seja contestado, já que não existe um original preservado mas apenas cópias, é parte integrante do esforço de historiadores maçons e rosacruzes na tentativa de estabelecer o rumo que a Ordem dos Templários tomou após a morte de Jacques de Molay, em 1314.
"A existência do documento foi revelada publicamente em 1803-1804 pelo então Grão-Mestre, Dr. Bernard Raymond Fabre-Palaprat, um médico francês intimo da corte de  Napoleão, bem depois da Revolução Francesa. Palaprat revelou também a história do documento. Desde então, o documento foi preservado em vidro hermeticamente fechado em Mark Masons Hall, em Londres"[1]
Há mesmo quem afirme que ele foi fabricado a posteriori.
A lista completa de sucessão vai abaixo como levantei no site já citado:
1313-1324 John-Marc Larmenius
1324-1340 Thomas Theobald of Alexandria
1340-1349 Arnaud de Braque
1349-1357 Jean de Claremont
1357-1381 Bertrand du Guesclin
1381-1392 Bernard Arminiacus
1419-1451 Jean Arminiacus
1451-1472 Jean de Croy
1472-1478 Bernard Imbault
1478-1497 Robert Leononcourt
1497-1516 Galeatius de Salazar
1516-1544 Phillippe Chabot
1544-1574 Gaspard de Galtiaco Tavanensis
1574-1615 Henri de Montmorency
1615-1651 Charles de Valois
1651-1681 Jacques Ruxellius de Granceio
1681-1705 Jacques Henri Duc de Duras
1705-1724 Phillippe, Duc d’Orleans
1724-1737 Louis Augustus Bourbon
1737-1741 Louis Henri Bourbon Conde
1741-1776 Louis-Francois Boubon Conti
1776-1792 Louis-Hercule Timoleon, Duc de Cosse Brissac
1792-1804 Claude-Mathieu Radix de Chavillon
1804-1838 Bernard Raymond Fabre Palaprat[2]
Bom, é isso.
Volto de Portugal em 15 dias.
Se não der pra publicar, até lá.



[1] http://www.theknightstemplar.org/larmenius-charter/
[2] http://www.theknightstemplar.org/larmenius-charter/

sábado, 15 de fevereiro de 2014

MÁGOAS

por Mario Sales, FRC,SI,CRC

Um velho monge e um jovem monge estavam andando por uma estrada quando chegaram a um rio que corria veloz. O rio não era nem muito largo nem muito fundo, e os dois estavam prestes a atravessá-lo quando uma bela jovem, que esperava na margem, aproximou-se deles. A moça estava vestida com muita elegância, abanava o leque e piscava muito, sorrindo com olhos muito grandes.
– Oh – disse ela –, a correnteza é tão forte, a água é tão fria, e a seda do meu quimono vai se estragar se eu o molhar. Será que vocês poderiam me carregar até o outro lado do rio?
E ela se insinuou sedutora para o lado do monge mais jovem.
O jovem monge não gostou do comportamento daquela moça mimada e despudorada. Achou que ela merecia uma lição. Além do mais, monges não devem se envolver com mulheres. Então ele a ignorou e atravessou o rio. Mas o monge mais velho deu de ombros, ergueu a moça e a carregou nas costas até o outro lado do rio. Depois os dois monges continuaram pela estrada.
Embora andassem em silêncio, o monge mais novo estava furioso. Achava que o companheiro tinha cometido um erro ao ceder aos caprichos daquela moça mimada. E, pior ainda, ao tocá-la tinha desobedecido às regras dos monges. O jovem reclamava e vociferava mentalmente, enquanto eles caminhavam subindo montanhas e atravessando campos. Finalmente, ele não agüentou. Aos gritos, começou a repreender o companheiro por ter atravessado o rio carregando a moça. Estava fora de si, com o rosto vermelho de tanta raiva.
– Ora, ora –, disse o velho monge. - Você ainda está carregando aquela mulher? Eu já a pus no chão há uma hora.
E, dando de ombros, continuou a caminhar.

Este conto, intitulado Trabalho Inútil, faz parte do lindo livro de coletânea Contos Budistas, recontados por Sherab Chödzin e Alexandra Kohn, ilustrados por Marie Cameron, editado no Brasil
pela Editora Martins Fontes, tradução de Monica Stahel, São Paulo, 2003



Existem várias histórias sobre a importância psicológica e física de superar mágoas de qualquer espécie, e superando-as, tirá-las de dentro de nós.
Trata-se de um processo em tudo e por tudo terapêutico.
Perfeição será quando nem tivermos que retirar de nós qualquer coisa indesejada, ou quando não formos capazes de receber a energia ruim que vem de outros fora de nós ou de dentro de nós mesmos, e atinge com força nossa mente.
Se falamos em abandonar mágoas é porque estas mesmas mágoas já estão em nós, o que pressupõe que, mesmo temporariamente, nos deixamos atingir por seus malefícios, outorgamos a pensamentos íntimos produto de uma educação pregressa, preconceitos enfim, ou a outras pessoas, a capacidade e a possibilidade de roubar nossa serenidade.
Mesmo que a recobremos depois, fracassamos.
Em nós ainda existe Ego a ser ferido, orgulho a ser dissipado.
E isto não é o ideal, mas faz parte do caminho do ser humano.
Sejamos tolerantes conosco como com os outros a nossa volta.
Nosso tempo de serenidade perfeita vai chegar.
Já estamos a caminho.
Basta que continuemos a andar, sem pressa, dentro do nosso próprio ritmo.
E o destino luminoso será inevitavelmente alcançado.
Paciência.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

CIÊNCIA MÍSTICA X CIÊNCIA ORTODOXA


por Mario Sales, FRC,SI,CRC




"...Quanto a sua indagação em relação a ciência, vejo que as ordens estão cada vez menos atrativas, tentando desesperadamente ampliar seu quadro associativo para movimentar um volume financeiro que não sabemos a finalidade. No caso da AMORC eu compreendo o motivo pelo qual ela não se aproxima da ciência, ou não constrói as pontes que você citou. Para mim, os motivos principais são:
Esse conhecimento ainda é o atrativo da ordem (vantagem competitiva);
A Ordem não possui o interesse em atestar, comprovar e compartilhar o seu conhecimento;
A Ordem não colocará a sua reputação em jogo com o meio acadêmico e científico para comprovar suas teorias;
A Ordem não tem preparo para uma suposta gestão de crise caso os ensinamentos dela sejam comprovados como errados, falsos ou inexistentes pela comunidade acadêmica ou científica.
Me diga frater, você com 37 anos de ordem, como se sentiria se a comunidade científica comprovasse que os ensinamentos de um grau inteiro da Ordem não se comprovam? Como a ordem lidaria com isso? O que seria ensinado nesse grau dali em diante? Será que os líderes de nosso movimento teriam sabedoria para lidar com isso?
Sobram dúvidas, faltam respostas."

De um comentário ao post "Pontes", de 25 de abril de 2013, anônimo, no blog.

Talvez a maioria das pessoas tenham uma idéia fantasiosa da ciência exatamente porque não fazem ciência. Embora eu também não faça, trabalho na porta ao lado e como somos vizinhos, testemunho frequentemente os problemas dos cientistas ou aqueles que estão no meio.
A ciência não tem nada em especial contra o misticismo. 
A única preocupação da ciência é com a falta de fundamentação empírica ou matemática. 
É isso que a ciência, por ser ciência, não pode deixar de considerar. 
Ciência é a busca sistemática do entendimento do funcionamento íntimo da Natureza, em princípio, na intenção de melhoria da qualidade de vida de toda a raça humana.
Ocorrem desvios desta missão, mas paciência.
Um cientista combate a superstição, não o conhecimento em si. Portanto, qualquer fenômeno, que se sustente do ponto de vista teórico, matematicamente, ou qualquer evento demonstrável empiricamente, desde que a experiência siga os procedimentos mínimos de confiabilidade, controlando variáveis e expondo publicamente seus resultados, de modo que a comunidade científica possa repetir o experimento e comprovar os resultados, se essas condições forem preenchidas, aquele conhecimento será cientificamente embasado e entrará no conjunto de eventos que comporão o próximo consenso daquela área.
Consensos são mais flexíveis à mudança. Não são dogmas irrevogáveis, mas protocolos passíveis de modificação no momento em que algum dos cientistas participantes deste consenso tiver acesso a algum dado novo e também cientificamente fundamentado que modifique em parte ou totalmente o consenso e o paradigma anterior.
São movimentos lentos de acumulo de informações e sedimentação de convicções, sempre em meio a crítica metodológica, ao debate de alto nível entre correntes de pensamento diferentes.
Isto é, intelectualmente, estimulante.
Mesmo conhecimentos que nortearam por séculos o pensamento humano e a humanidade, como o geocentrismo de Ptolomeu ou a mecânica gravitacional Newtoniana, foram rejeitados como infundados no momento em que novas evidências, trazidas ou não por novas tecnologias de investigação, demonstraram suas falhas e incorreções.
Os místicos, mesmo os rosacruzes de AMORC, nas conversas do cafezinho dos corpos afiliados, gostam de comentar a "imutabilidade das leis eternas", expressão que é usada de modo despreocupado e, do ponto de vista científico, leviano.
E uso o termo leviano porque na maioria das vêzes existe nesta afirmação, de modo explícito ou implícito, a extrapolação de que , não só as leis espirituais são imutáveis, mas as leis do funcionamento material universal também são.
E aí estamos misturando alhos com bugalhos.
Quando nos referimos ao Karma, a Reencarnação, a dualidade da natureza da existência, estamos falando das Leis ou Princípios Espirituais Universais e, quanto a isso, cremos estar sim, falando, de um Modus Operandi invariável.
Mas quando falamos do Universo Material não podemos ter a mesma certeza e segurança já que nossa ignorância sobre a Natureza do Universo Material ainda é imensa e assim continuará, salvo engano.
Ou seja, não são as Leis Científicas que mudam mas o nosso conhecimento que se expande e isto sim implica em mudanças nos nossos paradigmas acerca da criação.
Independente do que a Ciência creia hoje sobre a Natureza do Universo, está pronta para revisar suas posições no momento em que novas evidências levem a tal revisão.
O conhecimento técnico rosacruz (telecinese, projeção astral, telepatia, cura através de abordagens energéticas, domínio da intuição) não atraem o interesse da comunidade científica ortodoxa.
E isto se deve ao fato de que as experiências neste campo jamais se deixaram sujeitar totalmente ao método científico, foram sempre guardadas como coisas sigilosas, esotéricas, mesmo quando veio à luz o interesse russo por este campo.
E quando eu digo "sujeitar-se ao método científico" digo expor ao público científico aquilo que ensinamos de modo oculto, e permitir que a comunidade científica livremente critique e analise os métodos de experimentação, procure reproduzir as técnicas, em suma, investigue a confiabilidade das técnicas demonstradas e sua reprodutibilidade, independente de qualquer aspecto subjetivo.
Para isso, nós, esoteristas, precisaríamos ter projetos de pesquisa internos, direcionados para a mensuração destes fenômenos, documentando-os em áudio e vídeo, e publicando-os regularmente com detalhamento do experimento, seguindo o modelo do antigo Laboratório da Universidade Rose Croix da Grande Loja de Língua Inglesa, com o professor Georges Buletza, hoje abandonado.
Nossa compreensão sobre esses fenômenos, tenho certeza, se modificaria e poderíamos entender melhor a razão pela qual algumas pessoas tem o dom de ver auras ou levitar objetos e outras não, sem a suposição de que isso seja a "vontade de Deus" e que nada possamos fazer para ampliar e facilitar para mais pessoas a capacitação e o desenvolvimento dessas habilidades.
Ressalto que rosacrucianismo não é parapsicologia e não se resume a desenvolver estas habilidades, mas visa a busca do Sagrado dentro de nós , de forma que essas habilidades poderiam ser até uma distração no caminho em direção ao Altíssimo.
Se a ciência ortodoxa, nas palavras de um pesquisador, "prescinde do conceito teórico de um Deus", na ciência rosacruciana isto é impensável, já que Deus, para o rosacruz, é tudo menos um mero conceito intelectual.
Só que isto não impede que façamos ciência de boa qualidade, já que ciência e rosacrucianismo não são conceitos excludentes.
Mesmo a prática esotérico-ocultista mudou e evoluiu ao longo do tempo.
Nós rosacruzes vivenciamos períodos de investigação magista, teúrgica, de John Dee, antes de Bacon, até Papus, no final do século XIX; hoje estas práticas estão praticamente abandonadas pela entrada em vigor de um conceito de ocultismo mental, e não ritualístico, que jogou nos armários cajados, mantos e chapéus cônicos como marcas de um período já superado e obsoleto (vejam a transição do Martinezismo para o Martinismo, ou do trabalho de Hyeronimus na França para o de Spencer Lewis na América do Norte)
A única coisa que não se modificou foi a abordagem mística, a busca interior do sagrado, que continua como antes cada vez mais forte em todos os rosacruzes.
Se, como comenta o frater, a ciência, eventualmente, mostre "que os ensinamentos (da AMORC)  sejam (comprovadamente) errados, falsos ou inexistentes pela comunidade acadêmica ou científica ..." ela poderia fazê-lo em relação ao aspecto temporal destes ensinamentos e não em relação aqueles que são atemporais e realmente fundamentais. E no melhor cenário, AMORC deveria agradecer a ciência por estas revelações, desde que a refutação fosse bem fundamentada e embasada experimentalmente.
Quanto a mim, com "40 anos de ordem (entrei na rosacruz aos 17 anos, em 1975, e hoje tenho 57), me sentiria sereno caso "a comunidade científica comprovasse que os ensinamentos de um grau inteiro da Ordem não se (sustentam)" , pelos motivos acima expostos. "Como a ordem lidaria com isso" não sei, caso estas questão se refira aos seus líderes. Quanto aos rosacruzes, estes, tenho certeza,  ficariam muito atentos e curiosos e procurariam adaptar-se aos novos tempos, da mesma maneira que abandonaram mantos e cajados em troca dos poderes mentais, a astrologia pela astronomia e a alquimia em troca da química e da física.
Na verdade, tenho uma enorme confiança na qualidade mental da maioria dos rosacruzes. Espero não ser uma confiança ingênua e tenho lutado, convicto de que não é, para sugerir, daqui desse espaço ou pessoalmente, que assim permaneça, que jamais um rosacruz seja um indivíduo pusilânime e supersticioso, e que tenha dignidade intelectual, como recomenda a carta aos SI do Marquês Stanislas de Guaita, uma das peças de retórica mais rosacrucianas que eu já escutei, juntamente com "Nuvem sobre o Santuário" de Erkasthausen.
Dignidade intelectual é ter discernimento e prudência, é usar e crer no método científico, é não ser arrogante achando-se dono da verdade sobre a realidade temporal, mas estar aberto a rever suas posições desde que novas evidências assim o recomendem, e tudo isso, sem perder o amor a Deus e aos seus desígnios, jamais esquecendo que se temos alguma luz em nós é pela presença da Luz maior que nos dá existência neste mundo de ilusões impermanente.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

DEUS ME PROTEJA


Chico Cesar
(discernimento)
Deus me proteja de mim 
e da maldade de gente boa.
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde 

ilumine e zele assim

(Ciência)
Caminho se conhece andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber 

(Fé Cega)

Perigo é se encontrar perdido
Deixar sem ter sido
Não olhar, não ver
Bom mesmo é ter sexto sentido