Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

DIÁLOGOS ROSACRUCIANOS: CAPÍTULO 3 : 1° SEMINÁRIO

Bernardo: Frateres e sorores (irmãos e irmãs). Estamos hoje reunidos para dar início a um exercício que esperamos sejam rotineiros em nossa região, e que, se mostrarem utilidade e aceitação na comunidade rosacruz internacional, poderão ser estendidos a todas as jurisdições de outros idiomas, em todo o Mundo, tornando-se um referencial do trabalho rosacruz tão importante quanto o material que vocês estão acostumados a receber em suas casas, pelo correio, ou os livros, os quais todo rosacruz habitualmente consulta, para aprimorar seus conhecimentos místicos.
Comenius: Nossa idéia, minha e de Bernardo principalmente, é oferecer um espaço de Fórum de Discussão Perene aos nossos frateres e sorores, de maneira a permitir, em tempo real, a elaboração coletiva de conceitos fundamentais a formação dos rosacruzes. Talvez isto pudesse ser feito pela Internet, mas começaremos por aqui, neste organismo afiliado.
Bernardo: Sendo assim o fórum está aberto.
Frater 1: Paz profunda frateres. Meu nome é João e gostaria de colocar em discussão a eficácia das técnicas rosacruzes.
Bernardo: Pois não.
Frater João: A questão é a seguinte: somos ensinados como estudantes rosacruzes a ter tolerância, entre outras coisas, com a demora de obter resultados em nossas experimentações, por exemplo, a prática da projeção astral. Não acho que esta seja a técnica mais importante das muitas que a ordem trabalha, mas começarei por ela para poder ancorar meu argumento. Sei que o domínio desta técnica, como de ordinário todas as técnicas sutis, implica prática e perseverança. Sei também, além disto, que nem todos nós temos as mesmas habilidades ao entrar na ordem. Muitas pessoas que não são rosacruzes, apresentam habilidades místicas superiores à de alguns antigos estudantes rosacruzes.
Isto me parece um pouco frustrante e desanimador, mesmo levando em consideração a compreensão que eu tenho do processo. Gostaria que os frateres e as sorores me ajudassem a elaborar esta questão que suponho não é só minha.
Comenius: Não é, com efeito. Eu gostaria de iniciar a elaboração do tema se o frater me permite.
Frater João: Pois não.
Comenius: Começarei pelo final. Pessoas que não são rosacruzes, é fato, apresentam às vezes, habilidades místicas (leia-se dons) que são superiores aos de muitos rosacruzes antigos. A questão é: qual o objetivo mais importante de nossa filiação: tornarmos-nos exímios projecionistas e leitores de pensamentos ou seres humanos mais elaborados e perfeitos?
Eu concordo que as técnicas rosacruzes consideradas heterodoxas no cotidiano (o uso regular da intuição nos negócios, as técnicas de projeção não espiritual, mas mental, sem sair do lugar físico em que estamos, etc) são uma espécie de chamariz para a afiliação, mas eu enfatizo que estes não são os únicos e nem os principais benefícios desta afiliação.
Nenhum esforço de aprimoramento é perdido, mas pode ser necessário mais de uma existência para desenvolver certas habilidades, desde que este seja nosso objetivo e persigamos esta meta de maneira obstinada.
Bernardo: Queria fazer uma intervenção.
Frater João: Diga.
Bernardo: Gostaria de dizer da minha alegria e solidariedade com sua frustração e eu explico porque.
Só pode haver frustração naquele que tentou várias vezes sem sucesso e isto denuncia que o frater persegue este objetivo com obstinação. Não há frustração em quem não se esforça. Não há derrota para quem não participa da competição, mas apenas a assiste, da arquibancada.
Todo cientista conhece a frustração e a irritação que a busca científica pode causar, porque ciência é para poucos, não para todos. Ciência é para aqueles que possuem a obstinação e a organização de, metodicamente, testar uma teoria à exaustão, mesmo que seja para depois abandoná-la como inútil e fantasiosa. E é desse material que deve ser feito o bom rosacruz. Ele não deve e não pode aceitar aquilo que a Ordem lhe propõe como verdadeiro apenas por que a Ordem disse que era verdadeiro. É preciso que ele teste em seu cotidiano todas as técnicas que recebe, senão para validá-las, pelo menos para aprimorar sua aplicação. E se uma delas não mostrar um desempenho satisfatório, resta indagar se ela realmente nos faz falta no cotidiano ou se nossa própria ansiedade não está bloqueando a manifestação do dom. Muitas vezes, é a vontade de descobrir que nos afasta da descoberta.
Comenius: É verdade. Uma das condições sine qua non para que determinada técnica mística seja dominada é a ausência de ansiedade em fazê-lo. Faz parte da técnica.
Frater João: Entendo.
Sóror Maria: Meu nome é Maria e gostaria de dizer outra coisa sobre isso.
Bernardo: Diga sóror.
Sóror Maria: Eu compreendo e aceito o argumento de que a ansiedade nos bloqueie, mas me pergunto se o que mais nos bloqueia não é o direcionamento errôneo de nossos esforços.
Comenius: Explique melhor sóror.
Sóror Maria: Veja, eu acredito que nosso karma nos proporcione uma linha de trabalho, uma tendência, que nos será mais favorável e propícia, logo que chegamos a uma nova encarnação. Talvez o mais importante seja deixar que esta percepção brote em nós, e não caçá-la, como se caça uma raposa na floresta. A raposa, é lógico, fugirá do caçador. Em contrapartida, se nos aproximamos dos animais com bondade, podemos fazer com que eles venham a nós. E provavelmente aquele animal que se aproximar mais depressa será o animal com quem temos mais afinidade.
Dizendo de outra maneira, temos que vasculhar nosso interior e caracterizar com clareza quais são as nossas características e tendências pessoais mais significativas e mergulhar na existência por este caminho: musica, literatura, educação, engenharia, etc. E assim também , no universo de técnicas que a Ordem nos fornece, observar quais são aquelas que executamos com mais facilidade, e começarmos a aprimorar estas técnicas, para depois passarmos aquelas aparentemente mais difíceis de dominar.
Bernardo: Interessante colocação.
Sóror Maria: Não acredito que haja um caminho único, embora todos os caminhos levem ao cume da montanha, mas acredito que cada caminhante tem o seu próprio caminho.
Comenius: É verdade.
Sóror Vera: Meu nome é Vera e gostaria de colocar outra coisa.
Bernardo: Diga sóror.
Sóror Vera: Na verdade o que eu vou falar pode soar como blasfêmia.
Comenius: Só existem blasfêmias entre religiosos. Suponho que aqui só existam cientistas místicos, por isso sinta-se à vontade.
Sóror Vera: Obrigado. Eu queria dizer que não acho que o sistema de monografias no lar ainda seja capaz de cumprir o seu papel educacional.
Bernardo: Elabore, por favor.
Comenius: As monografias são enviadas a todos que mantenham em dia seus pagamentos, mesmo aqueles que nunca abrem seus pacotes. Já presenciei dentro de um capítulo da Ordem um frater dizendo que ia abrir o pacote para ver em que grau estava.
Bernardo: E este frater ainda está na Ordem?
Sóror Vera: Não sei dizer. Só sei que não freqüenta mais o corpo afiliado.
Comenius: O que a sóror propõe como alternativa?
Sóror Vera: Proponho aulas dadas pela Internet com horário flexível, mas nas quais pudéssemos ver nosso mestre de classe. Haveria uma vez por semana um fórum de qual todos daquela classe participariam em tempo real. Eu digo mais: lembro que quando entrei na ordem, as monografias diziam que devíamos nos comportar como se estivéssemos frente a frente com o nosso mestre de classe na Grande Loja. Naquela época, não podia ser de outra forma. O tempo, entretanto, passou. A Internet se difundiu. Câmeras para Internet são extremamente baratas e a maioria das pessoas, e centenas de países, tem um computador e um acesso à rede. Portanto, hoje é possível estar na presença de nosso mestre de classe,à distância, com imagem e som.
Só a metodologia da Ordem não acompanhou este movimento e isto me preocupa.
Comenius: Em termos educacionais, a sóror tem a minha total simpatia por sua colocação. Em termos operacionais, no entanto, suponho que o acesso à rede ainda não é um fenômeno universal .
Sóror Vera: O frater me perdoe, mas não existem dados que sustentem esta afirmação; ao contrário: as estatísticas mostram que o número de pessoas com acesso a rede têm aumentado exponencialmente. Estamos portanto , no meio da virada.
É a hora de aproveitarmos e melhorarmos nossos recursos. Até porque, com aulas pela Internet, podemos verificar a clareza de um irmão sobre a monografia estudada e obrigá-lo a estudar esta monografia, controlando seu aproveitamento, verificando este aproveitamento e não apenas promovendo-o grau a grau, baseado apenas no pagamento ou não pagamento das mensalidades.
Comenius: Concordo com a sóror, repito, do ponto de vista da verificabilidade da consistência do aprendizado, mas , mesmo concordando que o acesso à rede aumenta dia a dia, a sóror deve concordar que nem todos os nossos frateres e sorores dispõem deste acesso, do ponto de vista mundial.
Sóror Vera: Sim eu concordo, o que mais uma vez não nos obriga, nem justifica que não promovamos este salto qualitativo. Acho que a hora é esta.
Bernardo: Eu queria fazer uma intervenção.
Comenius: Diga Bernardo.
Bernardo: Eu concordo com a sóror no ponto de vista educacional, e também no operacional. As condições tecnológicas já estão dadas, aí, a nossa disposição. Também acho que devemos aproveitá-las. Creio até, que era isto que Spencer Lewis teria feito. Ele era antes de tudo, um homem de seu tempo.
Comenius: Entendo.
Bernardo: De qualquer forma considero que o mais importante da fala da sóror é quando ela se refere à qualidade de nossos estudantes. Acredito que tenhamos nos tornado, não tolerantes, mas condescendentes com uma qualidade inferior a desejável.
Comenius: Talvez este seja o motivo mais importante deste seminário.
Bernardo: É verdade. E eu queria esclarecer que há um perigo na afirmação pura e simples de que a qualidade de nossos membros piorou. Pode parecer que este é um discurso elitista e que o critério seja intelectual, para fazer a linha de corte. Não é isso. O critério, o grande critério sempre será o critério ético e místico. Temos irmãos dignos e assíduos, regulares em seus estudos, os quais são também particularmente cultos.
Da mesma maneira, temos irmãos de formação universitária com os quais a convivência é muito, muito difícil, pela visível falta de sensibilidade e princípios.
Ou seja, nenhum de nós isoladamente pode definir o que é ser um bom rosacruz interiormente, mas apenas pelo comportamento externo, pelo seu desempenho na prática do rosacrucianismo, como estudante que envia relatórios regulares ou como membro ativo e colaborativo de um corpo afiliado. Por isso eu concordo com a Sóror que deveríamos aumentar o controle sobre o grau de absorção do conteúdo das monografias, até mesmo com a aplicação de testes de verificação regulares, sem os quais os estudos e o envio de monografias seriam interrompidos.
Comenius: Entendo.
Bernardo: Acredito que alguns poucos irmãos (espero) nem perceberiam que não estavam recebendo monografias novas a não ser depois de muito tempo.
Comenius: Espero sinceramente que você esteja errado, mas temo que esteja certo.
Bernardo: O corpo do conhecimento rosacruz é produto do somatório das contribuições de todos os nossos membros que ao longo de séculos acrescentaram pouco a pouco, suas contribuições pontuais a este tesouro místico e cultural.
Cuidar para que tenhamos membros cada vez melhores é construir alicerces mais sólidos para estas contribuições.
Somos uma ordem poderosa porque somos produto de um esforço espiritual e intelectual coletivo. Precisamos de todos. No entanto também precisamos de qualidade nestas contribuições.
Sóror Vera: Quero fazer outra pergunta. Seria possível aprofundarmos o estudo das técnicas da terapia rosacruz, como descrita e detalhada no 6°grau de templo? Poderia a grande loja cuidar de organizar cursos de terapeutas rosacruzes nos corpos afiliados?
Comenius: De forma alguma , sóror!
Sóror Vera: E por que não?
Bernardo: Como eu sou o médico, eu gostaria de responder esta questão.
Comenius: Pois não.
Bernardo: Se eu bem me lembro sóror, e acredito que a senhora também lembra, uma das frases introdutórias do 6° grau de templo dos rosacruzes é “... a rosacruz não treina terapeutas nem estimula que seus membros empreguem as técnicas rosacruzes em substituição as técnicas e conhecimentos da medicina ortodoxa...”; a sóror lembra deste trecho?
Sóror Vera: Pensando bem eu lembro, mas acho que poderíamos fazer mesmo assim um aperfeiçoamento em relação a este grau treinando nossos frateres. E se alguém quisesse usar este conhecimento poderia fazê-lo de modo altruístico.
Bernardo: Para isto já existem os fóruns de grau, Sóror, e eu vou repetir o que o frater Comenius disse: esta idéia de formar terapeutas em cursos regulares dentro da Rosacruz, não pode ocorrer de modo nenhum. E direi porque em duas palavras : é ilegal. Os rosacruzes não têm respaldo legal para treinar seus membros no exercício de quaisquer práticas que sejam redundantes a terapias já estabelecidas legalmente na sociedade organizada. Não podemos formar filósofos, embora todos nós pensemos, todo o tempo; não podemos formar professores, pois isto é atributo de uma faculdade organizada de educação; não podemos formar médicos pois esta é uma profissão definida, legalmente, e que para que possamos exercê-la é preciso anos e anos de formação e informação, em escola especializada.
Por último , sóror, eu gostaria de ter a fé que a senhora deposita na humanidade, mas duvido muito de que, munido de um certificado dado pela Ordem, um de nossos membros não se sentisse autorizado a abrir um “consultório rosacruz de práticas terapêuticas e esotéricas”.
E bastaria que um só de nós fizesse isto para a reputação de toda a Ordem fosse manchada e comprometida.Veja, sóror, embora eu reconheça que sua intenção é boa, a Ordem como instituição e organização não pode , por força da lei que ela jurou respeitar em todos os países, tornar-se facilitadora de práticas que, facilmente podem desbancar no mais baixo charlatanismo.
Se nosso esforço maior, e é este o propósito desses fóruns, é lutar de forma intolerante contra a superstição, contra a simplicidade de espírito no mau sentido, temos que, ao contrário, estimular nossos membros que queiram expandir seus horizontes terapêuticos a se dedicar a isto do modo ortodoxo, cursando uma faculdade de fisioterapia, de medicina, ou de enfermagem, e apenas enriquecer seus conhecimentos ortodoxos com o diferencial da terapia rosacruz do 6°grau.
Além disto, repito, já existe dentro da Ordem um espaço próprio para aprofundarmos o 6°grau: chama-se revisão de grau e é feita regularmente em todos os nossos corpos afiliados.
E digo mais: nem todas, mas muitas delas são feitas por profissionais médicos, que além disto são rosacruzes, o que garante fundamentação e qualidade nestas revisões, sem que se precise destacar o 6° grau do corpo de ensinamentos da ordem e transformá-lo num curso a parte.
Sóror Vera: Entendo. O frater me perdoe, mas em momento algum eu quis propor que a terapia rosacruz pudesse substituir o tratamento médico moderno, com seus enormes recursos. Desprezar todo o conhecimento médico moderno não passaria de obscurantismo.
Comenius: Muito me alegra que a sóror pense deste modo. Às vezes, nós mesmos não percebemos quando abrimos a porta para a passagem do obscurantismo. Observem, e não fui eu quem observou isto em primeiro lugar: nas histórias em quadrinhos, ou em filmes , o herói tem músculos e força física e o representante do mal é sempre um homem de saber, um cientista. Isto sempre me afligiu. De certa forma a fantasia humana denuncia o pensamento de que o intelectual, o homem de ciência, por trabalhar com conhecimentos esotéricos para a maioria das pessoas, só pode ser um representante de algo malévolo, já que o desconhecido nos assusta e, via de regra, o desconhecido nos ameaça.
esconfiamos de tudo que não compreendemos. Tememos tudo que não entendemos.
O medo gera raiva e a raiva o ódio. O homem comum odeia o conhecimento elaborado, não suporta argumentos longos, não quer o esforço de construir uma sólida formação.
Para o indivíduo comum tudo deve ser feito de modo rápido, sem muito trabalho, porque o simples, para ele, é bom, e o complexo , por ser complexo, é objeto de suspeita.
Nós, como rosacruzes, a mesma Ordem de homens de ciência e fundadores do modelo científico moderno como Newton, Descartes, Francis Bacon e meu homônimo, Comenius, devemos refletir nossa nobre herança procurando nos afastar de soluções fáceis e simplistas e investindo em nosso aperfeiçoamento mental e intelectual, tanto no campo místico como no profano.
Bernardo: Eu queria dizer que isto implica até em não se deixar levar por crenças não fundamentadas, que já foram analisadas e pesadas pelo crivo científico e foram reprovadas nesta avaliação.
Comenius: É verdade. Isto quer dizer que não devemos transformar a Ordem no santuário de saberes não aceitos pelo meio científico, como se qualquer coisa que a ciência recusasse, o fizesse por preconceito contra o novo ou por falta de visão. Na verdade, é preciso entender que recusar o método científico na análise de saberes ou linhas de pensamento heterodoxas pode nos levar a proteger , dentro de nossa ordem, o ovo das serpentes que não conseguira nascer em outras searas.
Sóror Vera: Eu gostaria que o frater desse algum exemplo.
Bernardo: Com todo o prazer. Existe em voga na sociedade uma prática conhecida como Medicina Ortomolecular. É definida como “o ramo da ciência cujo objetivo primordial é restabelecer o equilíbrio químico do organismo. Este acerto (orto = certo) das moléculas se dá através do uso de substâncias e elementos naturais, sejam vitaminas, minerais, e/ou aminoácidos. Estes elementos,além de proporcionarem um reequilíbrio bioquímico, combatem os radicais livres.”
Em primeiro lugar, tal ramo “científico” não existe. Diz-se científico porque todo movimento que busca se legitimar perante a sociedade chama a si próprio de científico, alegando que tem provas de sua eficiência.
E o que é científico?
Chama-se assim a todo processo de investigação que possui um conjunto de características abaixo descritas:
• Observação - Uma observação pode ser simples, isto é, feita a olho nu, ou pode exigir a utilização de instrumentos apropriados.
• Descrição - O experimento precisa ser replicável (capaz de ser reproduzido).
• Previsão - As hipóteses precisam ser válidas para observações feitas no passado, no presente e no futuro.
• Controle - Para maior segurança nas conclusões, toda experiência deve ser controlada. Experiência controlada é aquela que é realizada com técnicas que permitem descartar as variáveis passíveis de mascarar o resultado.
• Falseabilidade[1] - toda hipótese tem que ser falseável ou refutável. Isso não quer dizer que o experimento seja falso; mas sim que ele pode ser verificado, contestado. Ou seja, se ele realmente for falso, deve ser possível prová-lo.
• Explicação das Causas - Na maioria das áreas da Ciência é necessário que haja causalidade. Nessas condições os seguintes requerimentos são vistos como importantes no entendimento científico:
• Identificação das Causas
• Correlação dos eventos - As causas precisam se correlacionar com as observações.
• Ordem dos eventos - As causas precisam preceder no tempo os efeitos observados.
Quanto a Medicina Ortomolecular, os cientistas perguntam: quais provas demonstram sua cientificidade? Que experimentos mostram, de maneira inegável e reprodutível em outros laboratórios, que este tipo de abordagem funciona? Aonde foram publicados os resultados destes trabalhos? Quais as revistas científicas que os publicaram?
E sabe o que se segue a estes questionamentos? Silêncio.
Por que tais perguntas não podem ser respondidas.
Alguns poderiam dizer que isto é apenas má vontade da ciência ortodoxa, que existem interesses escusos por trás desta não aceitação, etc. Basta, entretanto, ver o preço deste tratamento vendido como a Panacéia de Paracelso, capaz de curar tudo que a medicina não cura, para ver que o interesse de lucro não é só das grandes corporações médicas e laboratórios.
Na verdade, seu status cientificista advém do introdutor do conceito ninguém mais, ninguém menos que Linus Pauling, duas vezes prêmio Nobel, de Química e da Paz.
Eu queria ler o seguinte relato, tirado de um site favorável a medicina ortomolecular:
"A Terapia Ortomolecular é ainda pouco conhecida. Não se trata de uma especialidade nova, mas de um modo de gerenciar a saúde física e mental, (o grifo é meu) cuja regra áurea é prevenir para não remediar, propondo detectar e corrigir os desequilíbrios das funções celulares a nível bioquímico-molecular (o grifo também é meu) antes que se estabeleçam as doenças, e na vigência destas, somar suas propostas aos tratamentos convencionais de forma que sejam mais eficazes, por períodos menores e com menos efeitos colaterais."
A Medicina Ortomolecular visa à normalização do equilíbrio químico do organismo através de substâncias naturais ao próprio organismo, como as Vitaminas, Minerais e Aminoácidos e “esse equilíbrio é mantido principalmente pela destruição dos Radicais Livres”.
O termo Ortomolecular foi introduzido por Linus Pauling (1901-1994), prêmio Nobel por 2 vezes (Química em 1954 e da Paz em 1962) na revista Science (160:265-271,1968), propondo que distúrbios mentais poderiam ser tratados pela correção de desequilíbrios ou deficiências de constituintes cerebrais tais como vitaminas e outros micronutrientes, como uma alternativa à administração de drogas psicoativas sintéticas. Linus Pauling é considerado o pai da Biologia Molecular.
Em 1930 passou a estudar as vitaminas, defendendo o uso destas como a base bioquímica das reações celulares em todo o organismo.
Em 1945, com a monografia sobre alteração da molécula de hemoglobina na anemia falciforme, primeira doença molecular, dá início a Medicina Molecular. Dentre as doenças moleculares podemos citar a Fenilcetonúria, cujo tratamento consiste na retirada do aminoácido Fenilalanina e na Galactosemia que consiste na retirada do leite.
Em 1960 passou a desenvolver a Bioquímica da Nutrição.
Em 1970 extendeu o conceito Ortomolecular a medicina em geral, como sendo moléculas certas em concentrações certas, caracterizando uma abordagem de prevenção e tratamento de doenças e, alcançar a saúde baseada em ações fisiológicas e enzimáticas de nutrientes específicos, como vitaminas, minerais e aminoácidos presentes no organismo.Então, por definição, pode-se dizer que a Medicina Ortomolecular trata da orientação terapêutica que tem por objetivo restaurar, no plano molecular, as concentrações normais de substâncias como vitaminas, minerais, aminoácidos, "smart-drugs", etc, normalmente presentes no organismo.
Bernardo: De lá para cá, as pesquisas se sucedem, sem que a comunidade científica consiga entender como operacionalizar coisas como a “...correção de desequilíbrios ou deficiências de constituintes cerebrais tais como vitaminas e outros micronutrientes...” já que até hoje não se conhece terapêutica eficaz contra distúrbios psiquiátricos apenas baseado na mudança alimentar. Mesmo assim, sem comprovação, sem fundamentos sólidos, sem responder a perguntas simples de modo claro e irrefutável, tão ao gosto do pensador científico, a chamada medicina ortomolecular prospera, enriquecendo aqueles que a praticam, dado o alto preço das consultas, e empobrecendo os que a buscam de boa fé, dado o custo dos procedimentos envolvidos. E o que ocorre entre os rosacruzes? Pessoas que se dizem praticantes desta linha de abordagem terapêutica recebem reverência e atenção como se fossem portadoras de um raro saber, respeitado internacionalmente e cientificamente fundamentado , quando , no máximo, junto a ciência ortodoxa, é apenas considerado um charlatanismo chic.
Comenius: Uma classificação assim não é demasiadamente radical para um rosacruz?
Bernardo: Não, se for feita na defesa intransigente da qualidade do pensamento crítico dos membros de nossa Ordem. Antes que alguém atravesse nossos portões, com mensagens extravagantes, bombásticas, com informações sobre práticas revolucionárias de auto domínio da mente, é preciso que encontrem no lado de dentro da Ordem a mesma capacidade crítica, o mesmo pensamento investigativo, curioso, mas cuidadoso, de um cientista ortodoxo.
Muitos de nossos frateres e sorores têm uma boa fé ingênua no examinar de teorias que surgem aos borbotões por toda a parte , auto proclamadas como capazes de mudar as vidas das pessoas em alguns meses, enquanto todos nós, pessoas de bom senso, sabemos que a alquimia da vida é lenta e que é preciso maturidade e tempo para que consigamos a união entre uma mente intelectualmente sólida com uma espiritualidade profunda.
Sóror Vera: Eu entendo o ponto de vista do frater, e comungo com a sua preocupação, mas não poderíamos cair em um outro erro de querer de todos os rosacruzes um comportamento intelectual típico apenas de pessoas com formação universitária? Rosacruzes com menos títulos acadêmicos poderiam acompanhar este tipo de modelo que o frater propõe?
Comenius:Esta eu queria responder.
Bernardo: Fique à vontade.
Comenius: Veja, sóror, o que Bernardo defendeu não se referia a uma visão acadêmica de mundo. Deus sabe, e os membros com formação acadêmica ortodoxa, aqui presentes, concordarão comigo, que na Universidade como fora dela encontraremos pessoas de pouco discernimento. Isto porque a sagacidade não se desenvolve com a leitura e com a formação acadêmica, mas se aprimora com a maturidade.
A imagem do caipira esperto, tão comum no folclore de nosso país, representa esta sagacidade espontânea, não construída, possível de ser encontrada em quaisquer níveis das camadas sociais. O que eu espero, e acho que Frater Bernardo também, é que os rosacruzes não sejam ingênuos em suas avaliações do mundo, e considerem tal ingenuidade um verdadeiro pecado científico.Viveka, o discernimento, nos protege do engano, do erro e nos ajuda, tanto na vida profana como na vida mística.
Bernardo: Vejam, frateres e sorores, é preciso discernimento para tudo que fazemos, ou para usar um termo próprio dos ensinamentos da Ordem, prudência, tanto na análise de toda a informação que nos chega quanto na valorização desta informação. Estou convencido de que tudo aquilo que é fundamental para nossa formação mística já está no seio dos conhecimentos distribuídos generosamente pela Ordem em suas monografias, e se algo estiver de fora, a Ordem não medirá esforços para trazê-lo para o seio de seus ensinamentos, publicá-lo e torná-lo disponível para todos os seus membros.
Comenius: Acredito que podemos encerrar este fórum por aqui.
Bernardo: Agradecemos a todos pela presença e participação. Que a paz profunda dos rosacruzes esteja com todos.
Todos respondem: Que assim seja.